<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380</id><updated>2012-01-22T04:11:45.898-08:00</updated><category term='ladainha'/><category term='mestre falou'/><category term='aniversários'/><category term='cordel'/><category term='projetos'/><category term='septilha'/><category term='repente'/><category term='manuscritos de pastinha'/><category term='pensando alto'/><category term='martelo'/><category term='corrido'/><category term='desenhos de pastinha'/><category term='artigo'/><category term='depoimento'/><title type='text'>Campo de Mandinga</title><subtitle type='html'>A capoeira é o que a boca come, o olho vê,  a mão pega, o pé pisa, o coração sente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>184</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3041895752546585745</id><published>2012-01-22T04:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-22T04:11:45.911-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>João Pequeno foi pras terras de Aruanda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;por Pedro Abib&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;discípulo do mestre João Pequeno&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Quando eu aqui cheguei, a todos eu vim louvar..."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve ter sido assim que mestre João Pequeno de Pastinha cantou quando chegou em terras de Aruanda, lugar mítico, para onde se acredita vão os mortos...que nunca morrem...como se crê em África !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim como João cantou tantas vezes essa mesma ladainha, onde quer que chegava para mostrar sua capoeira angola aos quatro cantos desse mundo ... êita coisa bonita de se ver ! O velho capoeirista tocando mansamente seu berimbau e cantando...dando ordem pra roda começar. Os privilegiados que puderam compartilhar com João Pequeno esses momentos, sabem bem do que estou falando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram 94 anos bem vividos. Aposto que daqui não levou mágoa, não era de seu feitio. Inimigos também não deixou, sua alma boa não permitiria. Partiu como um passarinho, leve e feliz, como vão todos os grandes homens: certeza de missão cumprida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deve estar agora junto de seu Pastinha, naquela conversa preguiçosa, que não precisa de muita palavra, que só os bons amigos sabem conversar. E seu Pastinha deve estar orgulhoso de seu menino. Fez direitinho tudo que ele pediu: tomou conta da sua capoeira angola com toda a dignidade, fazendo com que ela se espalhasse mundo afora. A semente que seu Pastinha plantou, João soube regar e cultivar muito bem. Êita menino arretado esse João Pequeno !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca foi de falar muito. Só quando era preciso. E nessa hora saía cada coisa, meu amigo ! Coisa pra se guardar na mente e no coração. Mas muitas vezes falava só com o silêncio. Do seu olhar sempre atento, nada escapava. Observava tudo ao seu redor e sabia a hora certa de intervir, mostrar o caminho certo, quando achava que o jogo na roda tava indo pro lado errado. Até gostava de um jogo mais apertado, aquele em que o capoeira tem que saber se virar pra não tomar um pé pela cara. Mas só quando via que os dois tinham "farinha no saco" pra isso. João nunca permitiu que um jogador mais experiente ou maldoso abusasse de violência contra um outro inexperiente ou mal preparado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando tinha mulher na roda então, aí é que o velho capoeirista não deixava mesmo que nenhum marmanjo tirasse proveito de maior força física ou malandragem pra cima de uma moça menos avisada no jogo, coisa comum na capoeira que é ainda muito machista. A não ser que ela tivesse como responder à provocação na mesma moeda. E era cada bronca quando via sujeito tratar mal uma mulher na roda, misericórdia ! Afinal, ele sempre dizia que "a capoeira é  uma dança, então como é que você vai tirar uma mulher pra dançar e bater nela ?". Não pode !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A simplicidade, a generosidade, a humildade, a paciência, a sabedoria, a fala mansa e contida, sem necessidade de intermináveis discursos de auto-promoção, eram as características mais notáveis de João Pequeno, próprias de um verdadeiro mestre. Muito diferente do que se vê na grande maioria dos mestres da atualidade, diga-se de passagem, que auto-proclamam sua importância para a capoeira, que fazem e acontecem… que batem no peito e falam, falam, falam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses quase 20 anos de convivência muito próxima a João Pequeno, tive o privilégio e a oportunidade de aprender algumas das mais caras (e raras) lições de vida e humanidade, que jamais teria aprendido em qualquer universidade, nem sequer poderia obter através de algum diploma qualquer que fosse. Esse homem analfabeto que nunca frequentou os bancos da escola, foi responsável por um legado de ensinamentos que orientam milhares e milhares de pessoas em nosso país e também no mundo todo, que reconhecem o valor de João Pequeno como um dos mais importantes mestres da cultura popular e da tradição afro-brasileira de todos os tempos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Pequeno representa a voz de todos os excluídos, marginalizados, oprimidos que através da capoeira encontraram uma forma de lutar e resistir, manter viva a tradição de seu povo e dar legitimidade a uma cultura que foi sempre perseguida e violentada nesse país. O velho capoeirista soube conduzir muito bem sua missão de liderança, responsável pela recuperação da capoeira angola a partir da década de oitenta do século passado, quando após a morte do Mestre Pastinha, se encontrava em franca decadência. Quando se instalou no Forte Santo Antonio em 1981, João iniciou a partir de sua academia um movimento importantíssimo de revalorização da capoeira angola, fazendo com que ela se difundisse e se consolidasse como expressão da tradição popular afro-brasileira, presente hoje em mais de 160 países.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas João Pequeno nunca precisou ficar afirmando isso por aí, nem tampouco dizer da sua importância para a capoeira. João é considerado um dos grandes baluartes da capoeira angola, mas ele nunca saiu proclamando isso para ninguém. Na sua humildade nos ensinou que o reconhecimento do valor do mestre tem que vir dos outros, da comunidade da qual faz parte e nunca do próprio discurso muitas vezes carregado de vaidade e arrogância. João simplesmente jogava e ensinava sua capoeira. E por isso era grande !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E de lá, das terras de Aruanda continuará a iluminar os caminhos de todos nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Pequeno não morreu !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é capoeirista, sambista, cineasta e professor da Universidade Federal da Bahia&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3041895752546585745?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3041895752546585745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/joao-pequeno-foi-pras-terras-de-aruanda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3041895752546585745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3041895752546585745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/joao-pequeno-foi-pras-terras-de-aruanda.html' title='João Pequeno foi pras terras de Aruanda'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-1886850043274514575</id><published>2012-01-10T04:33:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T04:33:52.128-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'>Gentil do Orocongo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="RIGHT" width="100%"&gt;&lt;b&gt;Artesão musical&lt;/b&gt;&lt;i&gt;Gentil e seu instrumento raro: satisfação por ser reconhecido depois de 40 anos de dedicação ao orocongo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado originalmente &lt;a href="http://www1.an.com.br/1998/jul/25/0ane.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Gentil do Orocongo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #606060;"&gt;Compondo o som do choro humano&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #606060;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;Julia Berutti&lt;/center&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;Florianópolis ­ Um instrumento raro, vindo da África, incorpora a musicalidade da Ilha de Santa Catarina e participa do Encontro com a Dança e a Músicas Brasileiras, hoje e amanhã, no teatro do Sesc Ipiranga, em São Paulo. Gentil Camilo Nascimento Filho, 58 anos, o Gentil do Orocongo, apresenta-se no espetáculo "Orocongo, Rabeca e Violino", junto com Antônio Nóbrega, idealizador do evento, José Eduardo Gramani (conhecido pesquisador da rabeca), Mestre Paixão e Siba. O Encontro com a Dança e a Música se estende até 1º de agosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;"É uma satisfação a gente persistir por 40 anos num instrumento meio esquecido e de repente ser reconhecido", diz Gentil. Ontem, na véspera de sua partida, ele se dizia "eufórico", mas parecia tranqüilo frente à primeira viagem de avião e ao fato de ser o único representante de Santa Catarina num evento que reúne músicos de todo o País. Ficou visivelmente preocupado somente quando soube que voltaria na segunda-feira: "Quem vai ficar no meu lugar na escola?" Atualmente, Gentil trabalha como vigia em uma escola básica estadual da comunidade de Mont Serrat, no Morro do Antão.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;Natural de Siderópolis, zona mineira do Sul do Estado, Gentil veio ainda criança para Florianópolis, onde se instalou com a família na comunidade de Mont Serrat. Na Capital, ele dedicou-se à pesca e apaixonou-se pelo som que vinha da casa vizinha, onde morava Raimundo, filho de um cabo-verdiano (do arquipélago africano de língua portuguesa). Era o orocongo. Gentil, que nunca estudou música, aprendeu com Raimundo a tocar de ouvido e a fazer o próprio instrumento. Recentemente, fabricou um orocongo a partir do repenique a pedido da escola de samba Copa Lord.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;Gentil tira todo o tipo de música do orocongo. Seu repertório valoriza as canções locais ­ "Rancho de Amor à Ilha", de Zininho, e "Vou Botar Meu Boi na Rua", do Engenho ­, passa por "Asa Branca", de Luiz Gonzaga, e vai até as origens com as modinhas que aprendeu com o vizinho: "Ah, ah! Fruta do conde/ castanha do Pará/ a fruta que eu mais gostava/ que nesta terra não há". Hoje, é um dos únicos conhecedores do instrumento.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;Na década de 80, Gentil foi "descoberto" por Alan Cardoso, irmão do artista plástico Max Moura, que participava do grupo Pandorga, de Valdir Agostinho. O som plangente do instrumento abre a faixa-título do disco "Vou Botar Meu Boi na Rua", do grupo Engenho. O redescobrimento e o convite para participar do encontro em São Paulo veio com o professor e pesquisador Paulo Dias. Em Florianópolis, Dias gravou cenas de Gentil tocando orocongo para um projeto do CD-ROM "Vozes do Brasil", da editora Ática. O público catarinense vai ter oportunidade de ver Gentil do Orocongo na programação inaugural do Espaço Cultural Embratel, no tributo a Cruz e Sousa, terça-feira, a partir das 19h30.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #606060;"&gt;O INSTRUMENTO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;center style="background-color: white;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #606060;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/center&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;O som do orocongo assemelha-se ao choro humano. Na forma, parece um violino rústico. Com apenas uma corda, tocado por um arco e apoiado na altura do diafragma, o orocongo é confeccionado com a casca de coco ou com o fruto do porongo (também conhecido regionalmente por catuto). O braço é de madeira. Originalmente, a corda do arco era feita de crina de cavalo, e a do instrumento, de tripa. O músico Marcelo Muniz, um dos fundadores do grupo Engenho e diretor de Música da Fundação Catarinense de Cultura, afirma que o orocongo se propagou pela África junto com a religião islâmica, mas não deu origem a nenhum instrumento moderno por ser muito sensível: rico em microtons sem sons intermediários.&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;"Há similares na China", diz Muniz. Motivado pela curiosidade pessoal, o músico pesquisa o instrumento desde que conheceu Gentil Nascimento, há 18 anos. Ele conhece pelo menos mais duas variações da denominação do orocongo: urucungo, no Nordeste (em iorubá significa "existe nele um buraco" e é o nome antigo do berimbau), e até aricongo, em Florianópolis. Segundo Muniz, é muito difícil precisar a difusão do orocongo no Brasil. "Deve ter outros casos isolados como o de seu Gentil."&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; text-align: justify;"&gt;Como toda história que se difunde oralmente, a chegada do orocongo a Florianópolis tem aura de lenda. Lembrado somente como "Cabo Verde", o antepassado do professor de Gentil teria chegado junto com um baiano de jangada na Barra da Lagoa, praia do Leste da Ilha, no final do século passado. Os náufragos resolveram morar na Ilha, e Cabo Verde foi cuidar da barragem que existia no Morro da Lagoa da Conceição. Diz a lenda que vivia com três mulheres e teve 36 filhos. Com o colega de naufrágio e o avô do artista Valdir Agostinho (seu Zé), Cabo Verde formou um trio que animava as festas da época: ele no orocongo; o baiano no pandeiro; e seu Zé no violão de doze cordas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1886850043274514575?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1886850043274514575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/gentil-do-orocongo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1886850043274514575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1886850043274514575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/gentil-do-orocongo.html' title='Gentil do Orocongo'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8720454968825554635</id><published>2012-01-10T04:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T05:03:35.058-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'>Orocongo, goje, ko</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Navegando um bocadinho à procura de atabaques palongo, eu esbarrei no goje - um tipo de violino (ou viola de cabaça) bem parecido com o &lt;a href="http://www.floripacultura.com/2009/11/iur-gomez-lanca-documentario-em-2010.html"&gt;orocongo&lt;/a&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZQMTBxIdD8I/TwwtsWCRpOI/AAAAAAAAFWQ/xegYVu2vPtY/s1600/palongo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="256" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZQMTBxIdD8I/TwwtsWCRpOI/AAAAAAAAFWQ/xegYVu2vPtY/s320/palongo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Palongo&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-l44zXs_xNrE/TwwtyATv3xI/AAAAAAAAFWY/aEbr-PSS3ys/s1600/goje.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="312" src="http://4.bp.blogspot.com/-l44zXs_xNrE/TwwtyATv3xI/AAAAAAAAFWY/aEbr-PSS3ys/s320/goje.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Yusufu Olatunji tocando goje&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-WS-rRnA5k-k/Tww2s1ikHOI/AAAAAAAAFWg/aqTibMZCie0/s1600/goge2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-WS-rRnA5k-k/Tww2s1ikHOI/AAAAAAAAFWg/aqTibMZCie0/s320/goge2.jpg" width="122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Goje&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lendo um pouquinho sobre o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Goje"&gt;goje na Wiki&lt;/a&gt;, vi que um dos nomes para o instrumento é &lt;b&gt;n'ko&lt;/b&gt; - e aí fiz uma ponte: quando assisti "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roots:_The_Saga_of_an_American_Family"&gt;Raízes&lt;/a&gt;", uma das coisas que me deixou encucado foi que os descendentes do Kunta Kinte sabiam algumas palavras de mandinka. Uma delas era "ko", que significa... "violino" :-)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na época, achei estranho a palavra para descrever o instrumento ocidental - nunca tinha parado para pensar que havia um violino mandingo... Volta do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8720454968825554635?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8720454968825554635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/orocongo-goje-ko.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8720454968825554635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8720454968825554635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/orocongo-goje-ko.html' title='Orocongo, goje, ko'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ZQMTBxIdD8I/TwwtsWCRpOI/AAAAAAAAFWQ/xegYVu2vPtY/s72-c/palongo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-897491962371301528</id><published>2012-01-09T15:05:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T15:06:07.125-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'>Sobre a capoeira olímpica</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12px;"&gt;Acho que a maior dificuldade de se implantar uma "capoeira olímpica" está na determinação de um vencedor - algo que todo esporte preconiza: um jogo tem que ter um ganhador e um perdedor, e uma maneira objetiva de contar pontos para decidir quem é quem.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os esportes reconhecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) estão várias lutas: judô, taekwondo e greco-romana (já são olímpicas), karate, sumô e wushu (são reconhecidas, mas ainda não são olímpicas).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me pergunto o que os mestres do taekwondo se perguntaram quando viram sua arte passar a "contar pontos". Mas por outro lado, o taekwondo é uma arte de combate explícito - até onde eu sei, não existe um "jogo" de taekwondo. Então o pulo de luta para esporte fica "fácil".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Particularmente, eu acho que a capoeira não tem nada a ganhar sendo olímpica. "Reconhecimento", o judô e o karate já tinham, muito antes de serem "olimpizados". A capoeira tem que ser reconhecida pelo que ela é: expressão cultural de um povo (o brasileiro), de raiz negra, capaz de criar cidadania e auto-respeito em qualquer outro lugar do mundo em que seja bem ensinada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, acho que a capoeira tem a perder sendo olímpica: na metodização do ensino, que pode até acelerar o aprendizado, mas que tolhe a espontaneidade; na introdução de regras explícitas do que pode e do que não pode; na figura dos mestres velhos que certamente serão postos para escanteio com mais uma vitória da educação física acadêmica sobre a cultura popular.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px; text-align: justify;"&gt;Acho que o capoeirista olímpico tem a perder, pessoalmente. A mandinga não se formata, não se regra, não se mede com nenhuma régua ou balança. O jogo de capoeira não tem sempre um vencedor - às vezes tem dois, às vezes não tem nenhum. E todo mundo que está em volta sabe quem é quem, mesmo sem ter juiz para contar pontos...&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial; font-size: 12px; text-align: justify;"&gt;No final das contas, acho que é cada macaco no seu galho: acredito até que a capoeira olímpica possa existir, mas perderá sua raiz, deixará de ser a capoeira que admiro. Ela que fique lá no seu tatame, tablado, ringue, arena, octágono, sei lá como vai se chamar. Eu prefiro ficar nas ruas, praças e terreiros, esquentando o chão batido, o cimento ou o asfalto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-897491962371301528?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/897491962371301528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/sobre-capoeira-olimpica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/897491962371301528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/897491962371301528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/sobre-capoeira-olimpica.html' title='Sobre a capoeira olímpica'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-775882421093937592</id><published>2012-01-04T16:15:00.000-08:00</published><updated>2012-01-04T16:15:12.319-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>"Continuaremos lutando para que a capoeira seja adotada como nossa representante cultural" - Mestre Sena</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Publicado originalmente no jornal APM, em outubro de 1984&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Como é que nasceu esta sua paixão pela Capoeira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: A minha paixão pela Capoeira foi à primeira vista, quando em 1949. com apenas dezessete anos de idade, fui levado pelo grande capoeirista Adib Andraus a presenciar uma demonstração do Mestríssimo Mestre Bimba, na Sociedade Israelita, no Desterro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: O fato de seu filho ter implantado uma Escola de Capoeira na Argentina significa que a sua família acompanha o seu devotado trabalho à causa da Capoeira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Que a nossa família acompanha a capoeira, não há dúvida, em razão de que eu, diuturamente, há três décadas, me ocupo quase que exclusivamente da Capoeira, para que ela exista em estado significante. Mas o fato de o meu filho Yoji ter instalado uma escola na Argentina não contou com o nosso beneplácito em razão de o mesmo não ter seguido convictamente o nosso trabalho quando entre nós morava. A iniciativa dele, guardando as devidas proporções, foi mais ou menos parecida com a de todos aqueles que vêm ensinando a nossa Arte Marcial fora do Brasil, por razões de sobrevivência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Há muita gente se intitulando "Mestre de Capoeira" por aí. Inclusive, em Rio, São Paulo, Brasília e até nos Estados Unidos há aqueles que se propalam "mestres", embora realizem um trabalho passível de questionamentos, até mesmo um desserviço à Capoeira. Como você se sente, com o título de "Mestre" que ostenta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Em primeiro lugar, queremos declarar que a palavra "mestre", na área da Capoeira, perdeu o seu verdadeiro significado. Eram considerados "Mestres", nas rodas empíricas de Capoeira, aqueles que assim eram aclamados por decisão do meio onde militavam. E essa aclamação vinha geralmente da postura Moral e Brava que os mesmos assumiam e demonstravam perante os demais. O exemplo maior desta postura foi Manuel dos Reis Machado, o Bimba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Hoje qualquer tocador de berimbau ou pseudo-instrutor, sem tradição na roda, e sem nenhuma contribuição ao equilíbrio ou progresso da Capoeira, se intitula "Mestre". Destacam-se no cenário do Brasil, e na Bahia, aqueles que preservam a Arte Marcial Brasileira, enriquecendo-a com uma mentalização cívica e filosófica genuína.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Não podemos deixar de citar os Mestres Canjiquinha, Gato, Caiçara, ]oão Pequeno, Bigodinho, João Grande, Atenilo, Clarindo e o Grande Mestre Waldemar da Liberdade, que criou uma real orquestra de berimbau. Fora desses mestres, há muitos impostores, que se servem da Capoeira, ao invés de servi-la. A quem interessar possa, para evitar o desgaste e a apropriação indébita do título de "Mestre", fizemos editar um manual no ano de 1980 no qual sugerimos um conjunto de parâmetros que, mediante um balizamento pré-estabelecido, possibilite aos que o mereçam, o honroso dignificante título.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Que papel desempenhou Mestre Bimba em sua vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: O Mestríssimo Mestre Bimba desempenhou um grande papel na formação de minha personalidade, principalmente pelos ensinamentos que adquiri com o mestre na aplicação da Capoeira como filosofia de vida. Infelizmente, até hoje, Mestre Bimba só foi analisado sob o aspecto belicoso que foi, sem dúvida, uma parte primorosa de sua vida capoeirístíca. É necessário, contudo, que se faça uma ligação maior entre Mestre Bimba e a Capoeira como um todo, pelo muito que se enriqueceram mutuamente e ofereceram ou vêm oferecendo à cultura popular. E esta é uma dívida que cabe a nós resgatar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Nota-se que você é muito mais Mestre Bimba que Mestre Pastinha. Inclusive acha você que mestre Pastinha foi usado por determinados intelectuais baianos de renome. Como situar na história da capoeira baiana essas duas figuras de proa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Mestre Bimba é para a capoeira o que foi Pelé para o futebol, Jesse Owens para o atletismo, Cassius Clay para o boxe. Todos eles se negaram a fazer concessões que descaracterizassem os seus ofícios, embora fossem profundos estilistas e inovadores. Mestre Bimba foi um revolucionário da capoeira, que pode ser considerada como tendo vivido três momentos históricos fundamentais: o da Escravatura, o da República e o de Mestre Bimba. Pode-se comparar afigura de Mestre Bimba à altivez do João Cândido, ao denodo de Martin Luther King, à persistência de Gandhi, à renúncia e idealismo de Rondon. Dois fatos confirmam esta personalidade extraordinária do Mestre Bimba; o primeiro fato foi a negativa dada ao convite feito para que integrasse a Guarda Pessoal do Presidente Vargas, quando a isto o convidaram em pleno Palácio da Aclamação. Ao invés de buscar a glória, preferiu a sua independência, altivez, de que tanto se orgulhava. O segundo foi a sua ida-protesto para Goiânia, recusando-se a regressar à Bahia mesmo estando à beira da indigência. Mestre Bimba não se acomodou, foi um Martinho Lutero da Capoeira. Já o Mestre Pastinha praticou uma Capoeira de alta qualidade técnica, até a idade provecta, mas foi um conservador astuto, e que agradava àqueles que tencionavam folclorizar a Capoeira. A estes Mestre Bimba não deu vez, com receio, inclusive, de ser manipulado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Afinal, por que os dois nomes de "Capoeira Regional" e "Capoeira de Angola"? Tratam-se da mesma capoeira, ou há diferenças básicas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Embora até mesmo muitos envolvidos com a Capoeira não o saibam, o nome de Capoeira Regional nasceu antes do nome "Capoeira de Angola". O nome Regional foi dado por Mestre Bimba que, no seu raciocínio, entendeu que, tendo ele dado uma dinâmica nova, como a criação de um método de ensino, a formatura de alunos, o uso de um traje para eventos comemorativos, a criação de novos movimentos, tirando a Capoeira das ruas e das esquinas para as salas, deveria caracterizar o seu trabalho como "Capoeira Regional Baiana". Já o Mestre Pastinha, contrapondo-se a Mestre Bimba na adjetivação, batizou a Capoeira com o nome de "Capoeira de Angola". E aí foi que muita gente se enganou, pensando que em Angola existe Capoeira. O que não é verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Vamos então esclarecer esta dúvida. Há muito professor ensinando por aí que a Capoeira nasceu na Africa. E há autores famosos que espalham esta versão. Afinal, a Capoeira é originária da Africa ou da Bahia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Muitos se equivocam ao dar à Capoeira, como terra de origem, a África. O certo é dizermos que a Capoeira foi criada por africanos mas já em solo brasileiro, no período colonial. Tudo criado em termos de defesa pessoal, já que sofriam variadas perseguições. Sem dúvida que os escravos trouxeram de sua terra um sistema de movimentação corpórea - batuque - que ofereceria as bases de adestramento e possibilidades físicas. A partir desse dado cultural, aperfeiçoado na imitação dos animais encontrados em nossas matas (macaco, onça. raposa e aranha), e aguçado pelo instinto de defesa, sobrevivência e resistência ante as capturas, o negro fez brotar a Capoeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Nota-se a ascensão de artes marciais alienígenas como judô, &amp;nbsp;karatê e outras, em detrimento da Capoeira, um esporte e luta genuinamente baiano e brasileiro. Qual a sua posição diante deste fato?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Não se trata de ascensão das Artes Marciais alienígenas. O que ocorre é uma submissão de nossa parte à qualidade que acompanha esses esportes, diante de nossos filhos, em termos de apresentação, de infra-estrutura. Elas já vem organizadas em todos os sentidos, enquanto a nossa Capoeira não se agiganta. Há muitos achando que se já existem métodos de defesa pessoal (mesmo não nos favorecendo plenamente, por atender a um homem de outra cultura) devemos alienar-nos e a ela nos adaptarmos. A nossa humilde posição é a que venho assumindo há três décadas em todo o Brasil, lutando para apresentar a nossa Capoeira metodizada, ordenada, treinada espartanamente, como acontece com as Artes Marciais alienígenas. Em um confronto com essas Artes a Capoeira se revela, em termos de Defesa Física, profundamente rica, com recursos inigualáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Já que estamos tratando desse assunto, qual a diferença básica entre a Capoeira t as artes marciais mais difundidas no Brasil?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Filosoficamente, na sua ação física, a Capoeira coincide com o Judô, pois ambos têm como fator básico de uso, ação e sustentação, o deslocamento do centro de gravidade do elemento humano. No aspecto de aplicaçâo o Judô leva vantagem pois a ação de desequilíbrio deste é realizada através do sistema de alavanca. Os capoeiristas devem, por sua vez, recorrer à inteligência, pois em nossa ação desequilibrante falta um ponto de apoio. E se tenta o desequilíbrio por meio do gingado e da manha, para em frações de segundo aplicar-se o golpe decisivo. Os judokas trazem como frase símbolo "ceder para poder vencer", enquanto os capoeirístas aceitam como máxima "recuar para poder derrotar". O Karatê tem em comum com a Capoeira o deslocamento corpóreo, máxime se o karateka é baiano ou carioca. Mas enquanto a Capoeira e o Judô são artes de derrubar, o Karatê é a arte de quebrar. Enquanto, tal qual o taikendô, de origem coreana, a Capoeira atua em círculo, o karatê ataca e defende em linha. Mas o taikendô é também uma arte de quebrar, diferençando-se da Capoeira e do Judô.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: A multiplicação de escolas de Capoeira não só na Bahia como em outros estados (São Paulo, Rio, Goiás), e até mesmo nos Estados Unidos, não o deixa satisfeito?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: Isto só nos deixa tristes, pois essas escolas estão proliferando sem compromissos maiores com a verdadeira Capoeira. Cada professor levanta uma bandeira pessoal na forma de praticar e interpretar a Capoeira. Quase todos eles fazem concessões que prejudicam a imagem da Capoeira como força representativa da cultura e história brasileira. Anticivicamente a maioria desses professores reduz a Capoeira, mercantilizantemente, ao nível de folclore. E com o transplante da Capoeira para os "mui amigos" norte-americanos, estamos na iminência de a Capoeira vir a perder a sua nacionalidade. Pois caso a Capoeira agrade, como dizem que está agradando por lá, logo aparecerão grandes empresas ou fundações que se encarregarão de formalizar a Capoeira, sem considerações maiores com o seu dinâmico e criativo processo histórico-cultural. A título de exemplo, vejamos o que eles conseguiram fazer com o futebol, de repente o Cosmos estava cobrando uma fortuna para jogar no país tricampeão do mundo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: O que você acha do ensino da Capoeira, atualmente, no Brasil? Uma revista de grande circulação nacional mostrou professores de capoeira vestidos com roupas balofas e coloridas, como se estivéssemos no Caribe. Nota-se uma grande desinformação da genuína Capoeira em fotos de golpes inexistentes e na emissão de conceitos errôneos a respeito da Capoeira. Isto não preocupa o Mestre Sena?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: A nossa grande luta, sem fronteiras, é justamente no sentido de tentar evitar a agressão cultural que a Capoeira vem sofrendo. Quanto à revista a que você se refere (inclusive um semanário de grande circulação nacional), endereçamos à mesma uma correspondência protestando contra o absurdo apresentado. Como discípulo do Mestríssimo Mestre Bimba, aprendi a não fazer concessão alguma em prejuízo da Capoeira. E é ridículo o uso de uma outra roupa, hoje, na Capoeira, que não o Abadá. No entanto, as roupas balofas, as camisas de meia e os Jeans têm sido usados largamente por muitos que se dizem corifeus da Capoeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Como explicar a prevalência do Sudeste brasileiro no que toca à Capoeira? Rio e São Paulo continuam dando as cartas até mesmo em termos de um assunto que eles assimilaram às vezes de forma grotesca e acomodatícia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: É isto aí. Assimilaram a Capoeira e usam-na de forma grotesca, acomodatícia e de forma desonesta, tanto histórica como culturalmente. E tomam parte nesse processo Federações e Confederações que através de pelegos esportivos, sem qualquer interesse pelo bem pátrio, por vaidade e mercantilização, terminam por usar a Capoeira de forma espúria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Qual o seu papel na oficialização da Capoeira corno esporte pela Confederação Nacional de Desportos (cnd)?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: De tanto insistirmos, através dos mais diversos expedientes, junto a diversos segmentos do governo, vimos os nossos esforços coroados de êxito: através do mEc, o cnd resolveu considerar a realidade da capoeira, sancionando-a como esporte. Mas como não poderia deixar de ocorrer, aconteceu a infelicidade de o seu processo ser endereçado à Federação Baiana de Pugilismo, à qual a Capoeira foi agregada. E aí faltou competência para a interpretação devida do parecer do relator, o general Jair Jordão Ramos. Parecer este formulado em 1973. O parecer frisava a necessidade de se constituir um grupo de trabalho que viesse dar a forma e o conteúdo ao novo e oficializado esporte. E por isso até hoje a Federação Baiana de Pugilismo se põe a promover competições oficiais com regulamentos de Escolas de Samba, Maracatu e Bumba-Meu-Boi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Como está o Senavox e quais os seus plano para que as suas idéias consigam ser melhor escutadas em defesa da capoeira?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: O Senavox, instituição por nós fundada em 25 de outubro de 1955, tem como finalidade precípua e exclusiva a defesa da Capoeira como esporte-luta do povo brasileiro. Uma idéia nossa já foi escutada, a sua oficialização teórica como esporre, em parecer do ministro Jair Jordão Ramos. Editamos também um anteprojeto normativo, que enviamos a várias entidades esportivas, culturais e sociais na esperança de que possa, o mais breve possível, ser discutido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Este ano ainda, ou no início do próximo, esperamos poder editar dois trabalhos com os quais queremos esclarecer à opinião pública e alertar às autoridades de que a Capoeira encerra em si uma profunda relevância quanto à sua prática e desenvolvimento, um aliado inestimável no amálgama das características de um povo culturalmente rico, inteligente, criativo, forte e destemido. Os nomes desses trabalhos são "Achismo" e "Defesa". O primeiro explica a posição ambígua em que se colocam os militantes de nossa Arte Marcial perante a verdade. O segundo é uma série de protestos e esclarecimentos endereçados especialmente a órgãos de comunicação do sudeste, pelo (ato de virem colocando erroneamente a Capoeira perante os olhares ávidos de nossos jovens, o que é um desperdício cívico Temos também prontos mais 11 trabalhos, dos quais dois são técnicos, e que esperamos editar em dezembro do próximo ano, ao completarmos 30 anos fechados de uma guerra que não é só minha mas de todo brasileiro que teima em não fazer concessões no que se refere à sua realidade cultural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Não acha você que a criação dessas entidades que visam preservar a Capoeira como elemento forte na cultura nacional é uma utopia? Poderão dar frutos sem uma mudança radical na política do esporte baiano e até nacional?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: A única entidade que conhecemos com essa finalidade chama-se Centro de Pesquisa, Estudos e Instrução da Capoeira Senavox. E não a consideramos uma utopia. Além de confiarmos em uma mudança na política esportiva brasileira, confiamos que o nosso trabalho de semeadura produzirá os frutos esperados. Além do mais é minha filosofia de vida lutar com unhas e dentes por aquilo que considero justo e verdadeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P: Quais os seus trunfos para que a sua voz se torne mais audível?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;R: A transformação dos nossos trabalhos em livros e a sua viabilidade em os editarmos para que sirvam de subsídios aos órgãos de governo, principalmente nos setores de Educação e Cultura, é uma nossa meta. Continuaremos lutando para que a Capoeira seja adotada como nossa representante cultural, da mesma forma que as Artes Marciais do Oriente representam os seus países de origem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-775882421093937592?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/775882421093937592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/continuaremos-lutando-para-que-capoeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/775882421093937592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/775882421093937592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2012/01/continuaremos-lutando-para-que-capoeira.html' title='&quot;Continuaremos lutando para que a capoeira seja adotada como nossa representante cultural&quot; - Mestre Sena'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-995693989656891134</id><published>2011-12-27T14:15:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T14:15:00.107-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestre falou'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;"A sua capoeira é você, não existe nada fora de você na capoeira. Durante o jogo, você exterioriza só os seus reflexos, seus apetites, sua personalidade integral - desprovida da maioria dos preconceitos. Essa ambiguidade da capoeira permite a quebra de todos os bloqueios, porque deixa de existir toda a super-estrutura social, cultural, educacional que nos impede de nos manifestarmos. Todos os complexos, e a pessoa fica livre; livre como um anjo, livre como o vento. E como o vento, ela é a expressão da verdade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angelo Augusto Decanio Filho&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-995693989656891134?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/995693989656891134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/sua-capoeira-e-voce-nao-existe-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/995693989656891134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/995693989656891134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/sua-capoeira-e-voce-nao-existe-nada.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4928352406261844496</id><published>2011-12-17T14:46:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T14:48:19.449-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>"Mais do que eu nunca vi ninguém jogar" - Mestre Waldemar</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrevista realizada pelo Programa Nacional da Capoeira, do MEC, em 1990&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendi capoeira em 1936 em Piripiri. e me chamo Waldemar Rodrigues da Paixão. Tive quatro mestres. A todos eles eu pedi para ensinar e aprendi. Sempre amei muito esse esporte de Capoeira Angola. Em 1940 eu peguei a ensinar aqui na Pero Vaz. Tive muitos alunos e ainda tenho muitos vivos. Outros estão mortos. O primeiro mestre que foi para o Rio de Janeiro fui eu, no show de Dorival Caymmi. Depois tive um convite para ir cantar capoeira na Rádio Tupy. Fui muito elogiado no Rio de Janeiro, e eles queriam até que eu ficasse morando para ensinar aos mestres de lá. Mas eu amo muito a Bahia e não quis ficar. Aí eu vim continuando ensinando e jogando. Até 1963 eu joguei muita capoeira, tive muito orgulho no meu saber. Hoje eu tô doente e tô velho, tenho 71 anos de idade. Mas nunca perdi pra ninguém em roda de capoeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho muitos camaradas, como Itapoan. Aristides, João Pequeno, amigos meus, João Grande e outros mestres. Eles me dão muito valor mas eu não tenho esse valor mais porque estou doente. Mas sou conhecido como o "rei do berimbau". Ainda fabrico e sei ensinara tocar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Barulho eu nunca tive com ninguém, porque eu sempre fui respeitado, nunca ninguém me desafiou. Se me desafiava para jogar, mestre que aparecia aqui a minha cabeça é que resolvia. Era problema certo. Tenho orgulho ainda na minha garganta, de gritar minhas ladainhas. Canto amarrado da capoeira angola. Isso eu não achei quem cantasse mais do que eu. Ainda não achei. Se mulher pariu homem, pra cantar não se cria. Eu tirei um disco pra Suassuna mas não saiu como eu tinha vontade que saísse. E eu estimava cantar uma capoeira pra vocês apreciar. Pra vocês verem minha voz. Porque na capoeira em primeiro lugar o toque do berimbau, segundo o canto. É muita coisa e eu me esqueço, porque eu tenho andado por fora de capoeira, não tenho mais prazer pra isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive quatro mestres: Siri de Mangue, um; Canário Pardo, dois; Talavi, três e Ricardo de Ilha de Maré, quatro. Mas eu pedi a esses homens pra me ensinar para eu poder ficar profissional. Pra eu dizer que sabia, e sei mesmo. Aprendi capoeira. Capoeira eu sei demais. Eu só não aprendi foi fazer menino de duas cabeças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiramente um bom berimbau tocando. Três berimbaus: um berra-boi, um viola e um gunga. Depois, agora nessa moda nova, apareceu o atabaque, mas eram três pandeiros, três berimbaus e um reco-reco. E o instrumento que acompanha o berimbau, para ajudar o berimbau, o caxixi e tinha o agogô. Depois que colocaram o atabaque em roda de capoeira, mas não tinha isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra coisa, essa pintura de berimbau quem inventou foi eu. O berimbau era com casca. Os capoeiristas daqui, os mestres, faziam berimbau com casca. O arame era arame de cerca, não era arame de aço. Depois eles queimavam o pneu e tiravam aquele arame enferrujado, quebrava. Eu inventei abrir na raça pra sair cru. Peguei fazer berimbau envernizado. Peguei fazer berimbau em branco, como Tabosa vai levando aí. Depois eu inventei pintar e passei a fazer berimbau pintado. Sou conhecido nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A roda na Liberdade era no ar livre, perto do arvoredo. Eu fazia o ringue na sombra e botava a rapazeada pra jogar. Depois eu fiz um barracão de palha grande, e tudo quanto era capoeirista da Bahia vinha pro meu barracão ali. E fui muito elogiado por Carybé, Mário Cravo, Odorico Tavares, essa gente toda me procurava aqui. Um dia, o primeiro livro sobre mim que saiu foi "Recôncavo brasileiro", que Carybé escreveu mais Mário Cravo. E aí fui ganhando nome. No Rio de Janeiro eu estava no hotel quando Dorival Caymmi me chamou pra eu cantar na rádio Tupy, pra eu tirar uma cantiga elogiando o Rio. Eu sentado na cama, os meus alunos estavam dormindo, eu estudei e no dia seguinte eu cantei uma ladainha bonita. Fui elogiado bastante. Tem outras coisas, mas eu esqueço...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zacarias foi meu aluno de 1942. Outros foram José Cabelo Bom, um preto por nome Nagé, que juntaram cinco homens pra matar ele. Tive um aluno que só batia berimbau, mas era bom, apelidado Pernambuco. Tenho dois alunos aí. Estão bons ainda. E o Cabelo Bom é tio daquele menino que eu tô ensinando. Mas ele não quer aprender a jogar não. Só quer bater berimbau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas minhas rodas não tinha barulho porque quando eu chegava, tomando uma cerveja assim, quando eu cantava, a rapazeada vinha tudo render obediência assim. Me respeitavam muito, os meus alunos. E não tinha barulho, porque eu olhava pra eles assim, eles vinham pro pé de mim e ninguém brigava. (...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segredo dos valentões era uma camisa curta com a barriga pro lado de fora e a calça com a boca chamada boca de sino, que cobria o bico do sapato. Ali era homem valente. Eles usavam arma, mas chegavam no bar e pediam para guardar. Navalha e facão de dois cortes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tinha uns que usavam a navalha na cabeça e jogavam com o chapéu. Comprava um chapéu na loja, e não fazia ziguezague na copa, nada. Da forma que vinha eles usavam. Chapéu era canoado, copa redonda, que era a navalha presa com uma tira de borracha. Eu jogava de chapéu, mas não usava nada. Eu não quis usar essas coisas não. Sempre eu quis ficar fora de zoada, de barulho (...) Então esse valor eu tenho at[e hoje. Todo mundo me aprecia, todo mundo gosta. Chega aqui de ponta a ponta, não tem quem fale de mim, em assunto nenhum. Sei tratar todo mundo bem, não maltrato pessoa nenhuma&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem terminou de aprontar Traíra fui eu. Ele tirou onze anos e seis meses, ele era assassino. Matou um homem por causa de uma mulher. Quando ele saiu da cadeia veio me procurar. Eu tava com uma roda de capoeira, na ocasião em que Otávio Mangabeira estava se candidatando ao governo da Bahia. Ele aí me tomou por compadre e disse que eu ia acabar de aprontar ele, e aprontei. Jogava demais. Era uma serpente no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais do que eu não vi ninguém jogar. Mas vou dizer a você, uns que já morreram: Barbosa, Onça Preta - esse tá no Rio, velho mas tá vivo - Eutíquio, pai de Gato Preto, Daniel jogava capoeira mas não era essa coisa toda. Maré era solteiro, jogava capoeira mas só sabia jogar capoeira, não tocava berimbau, não cantava, não fazia nada. Samuel Querido de Deus era bom mas era solteiro também. Só de jogo. Ficava esperando você pular pra ele dar uma cabeçada. Quando você queria forrar ele não queria mais jogar. Era crocodilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu morava em Piripiri e um irmão meu, que lá doente também de derrame, apelidado por Homem Mau, mas era Lourival Rodrigues da Paixão, mora em Plataforma, tá vivo, não morreu ainda. Então ele disse: "Meu compadre - eu andava triste porque tinha vindo pra aqui, &amp;nbsp;não conhecia ninguém, aí ele disse - "tem uma capoeira no Estica no Largo do Tanque". Aí eu vim, fui pra lá com um berimbau bom, e meu irmão falou pra eles deixarem eu tocar e cantar um bocadinho. E o Pastinha estava forte ainda, mas não era mestre de capoeira. Ele era o presidente da capoeira. O mestre da capoeira do finado Pastinha chamava-se Aberrê, era um preto. Quando Aberrê faleceu de repente, de colapso, tava cheio de mestre na capoeira, eu perguntei pra ele um dia: "Pastinha, quem é que você vai tirar pra ser mestre aí?" Ele disse: "Waldemar, aqui não tem mestre. O mestre vai ser todo mundo". E eu disse que ele tinha que tirar um mestre bom pra botar na capoeira. E eu já tava mestrando capoeira na Liberdade. Sempre ele me convidava pra eu passear lá. Ele disse: "Tem muito mestre, mas eu vou te falar a verdade: o mestre vou ser eu mesmo". Ele era presidente da capoeira. Prova é que ele não tocava berimbau, não tocava. Ele era pintor de parede. Ele faleceu e deixou alunos melhores do que ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele era considerado presidente da capoeira. Aí é que ficou João Pequeno, João Grande, eles é que são bom. Pastinha era defeituoso. Você chegava na roda dele, ficava frequentando, e ele dizia que você era aluno dele. Eu nunca tive esse defeito e nem tenho. Quando eu disser "é aluno meu" é por que eu ensinei e posso ensinar e sei..&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O presidente da capoeira é que, quando tem uma viagem, ele é que arma aquele grupo. Tem que comprar camisa, ele é que toma a frente pra comprar. É diferente. Ele fazia esses negócios todo. Ele ia pro Rio e São Paulo e ganhava o dinheiro dele. Quando os alunos pediam, ele dizia "você ganhou nada". "Você não foi calçado, não foi de avião, não dormiu no hotel, não comeu bem, não tá aprendendo?" Não dava nada. E eu, tudo o que eu ganhava eu dividia com meus alunos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando eu estava bebendo cerveja, e saía aquele dinheiro na roda, eu dizia ao juiz que ficava com o apito mudando os pares dos rapazes: "Divida lá com vocês, bebam, façam o que vocês quiserem. Não quero é barulho". Depois apanhava minha nêga e ia pro cinema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O finado Traíra é que tomava conta da roda. Eu chegava lá, dava minha ordem e ia tomar minha cerveja. Eu estava feito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu gostava de jogar lento, pra saber o que eu faço. Pelo meu canto você tira. Eu canto pra qualquer menino desse jogar, e ele joga sem defeito. Para os meus alunos eu digo que vou cantar e eles já sabem o que eu quero: São Bento Pequeno. É o primeiro toque meu. Para o outro tocador eu digo: "de cima para baixo", e ele sabe que é São Bento Grande. Para a viola eu digo: "repique", e ele bota a viola pra chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se me agarravam, eu dizia: não me pegue que eu não saou toalha. Não me suje não. Eu jogava com roupa branca, sapato da cor de leite. Calça de linho tremendo. Eu só sujava meus dedos, dava salto, fazia e acontecia. Mas tudo no mundo se acaba, só não o amar a Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ensinava na roda, mas tinha os dias de treino. Eles estavam jogando e eu fazia sinal pra fazer tesoura, fazia sinal pra chibatear. Fazia sinal pro outro abaixar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O golpe que eu mais gostava era o rabo de arraia. No jogo, quando a gente vê que vai pegar, a gente recolhe. Olhe, eu dei um rabo de arraia em Caiçara, num aniversário... Tem muitos anos, ele tava com a roda dele e eu levei aminha. Dei um rabo de arraia em Caiçara, se ele não bate com aquela barriga no chão eu arrancava o pescoço dele com o sapato. Meu sapato era um sapato branco, dois dedos de borracha. Dei-lhe um rabo de arria... Todo de couro, sapato forte,bom. E outra, Caiçara onde eu estou ele me respeita. Ele diz que quando eu canto ele se arrepia todo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O finado Aberrê cantava muito. Eu achei um cantador de capoeira aqui, que agente emendou os bigodes. Ele tinha uma voz como a minha. Até o pessoal dizia que ele parecia comigo, o finado Barboso, do Cabeça. Cantava muito, tocava muito e jogava muito. Um cachoeirano. Era bom mestre.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o sujeito tá jogando pra aleijar o outro, o juiz não deixa, imitante a jogo de bola. O juiz toma conta da roda, muda os pares, quando o sujeito está jogando violento, ele separa, se não obedece ele tira fora da roda. O mestre não se mete naquilo. O mestre é quem está ensinando a turma toda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4928352406261844496?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4928352406261844496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/mais-do-que-eu-nunca-vi-ninguem-jogar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4928352406261844496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4928352406261844496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/mais-do-que-eu-nunca-vi-ninguem-jogar.html' title='&quot;Mais do que eu nunca vi ninguém jogar&quot; - Mestre Waldemar'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7779573786567395573</id><published>2011-12-13T01:11:00.000-08:00</published><updated>2011-12-13T01:11:37.481-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><title type='text'>História da Donzela Teodora</title><content type='html'>(cordel por Leandro Gomes de Barros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a real descrição&lt;br /&gt;Da história da donzela&lt;br /&gt;Dos sábios que ela venceu&lt;br /&gt;E a aposta ganha por ela&lt;br /&gt;Tirado tudo direito&lt;br /&gt;Da história grande dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve no reino de Túnis&lt;br /&gt;Um grande negociante&lt;br /&gt;Era natural da Hungria&lt;br /&gt;E negociava ambulante&lt;br /&gt;Uma alma pura e constante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando um dia na praça&lt;br /&gt;Numa porta pôde ver&lt;br /&gt;Uma donzela cristã&lt;br /&gt;Para ali se vender&lt;br /&gt;O mercador vendo aquilo&lt;br /&gt;Não pôde mais se conter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha feição de fidalga&lt;br /&gt;Era uma espanhola bela&lt;br /&gt;Ele perguntou ao mouro&lt;br /&gt;Quanto queria por ela&lt;br /&gt;Entraram então em negócio&lt;br /&gt;Negociaram a donzela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O húngaro conheceu nela&lt;br /&gt;Formato de fidalguia&lt;br /&gt;Mandou educá-la bem&lt;br /&gt;Na melhor casa que havia&lt;br /&gt;Em pouco tempo ela soube&lt;br /&gt;O que ninguém mais sabia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou ensinar primeiro&lt;br /&gt;Música e filosofia&lt;br /&gt;Ela sem mestre aprendeu&lt;br /&gt;Metafísica e astrologia&lt;br /&gt;Descrever com distinção&lt;br /&gt;História e anatomia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela que já era um ente&lt;br /&gt;Nascida por excelência&lt;br /&gt;Como quem tivesse vindo&lt;br /&gt;Das entranhas da ciência&lt;br /&gt;Tinha por pai o saber&lt;br /&gt;E por mãe a inteligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo ela tinha&lt;br /&gt;Tão grande adiantamento&lt;br /&gt;Que só Salomão teria&lt;br /&gt;Um igual conhecimento&lt;br /&gt;Cantava música e tocava&lt;br /&gt;A qualquer um instrumento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudou e conhecia&lt;br /&gt;As sete artes liberais&lt;br /&gt;Conhecia a natureza&lt;br /&gt;De todos os vegetais&lt;br /&gt;Descrevia muito bem&lt;br /&gt;A castra dos animais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descrevia os doze signos&lt;br /&gt;De que é composto o ano&lt;br /&gt;Da cabeça até os pés&lt;br /&gt;Conhecia o corpo humano&lt;br /&gt;E dava definição&lt;br /&gt;De tudo do oceano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admirou todo mundo&lt;br /&gt;O saber desta donzela&lt;br /&gt;Tudo que era ciência&lt;br /&gt;Podia se encontrar nela&lt;br /&gt;O professor que ensinou-a&lt;br /&gt;Depois aprendeu com ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como tudo no mundo&lt;br /&gt;É mutável e inconstante&lt;br /&gt;Esse rico mercador&lt;br /&gt;Negociava ambulante&lt;br /&gt;E toda sua fortuna&lt;br /&gt;Perdeu no mar num instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás do bem vem o mal&lt;br /&gt;Atrás da honra a torpeza&lt;br /&gt;Quando ele saiu de casa&lt;br /&gt;Levava grande riqueza&lt;br /&gt;Voltou trazendo somente&lt;br /&gt;Uma extrema pobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só via em torno de si&lt;br /&gt;O vil manto da marzela&lt;br /&gt;Em casa só lhe restava&lt;br /&gt;A mulher e a donzela&lt;br /&gt;Então chamou Teodora&lt;br /&gt;E pediu o parecer dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse ele: minha filha&lt;br /&gt;Bem vês minha natureza&lt;br /&gt;E sabes que o oceano&lt;br /&gt;Espoliou minha riqueza&lt;br /&gt;Espero que teus conselhos&lt;br /&gt;Me tirem desta pobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela quando ouviu aquilo&lt;br /&gt;Sentiu no peito uma dor&lt;br /&gt;E lhe disse, tenha fé&lt;br /&gt;Em Deus nosso salvador&lt;br /&gt;Vou estudar um remédio&lt;br /&gt;Que salvará o senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse: meu senhor saia&lt;br /&gt;Procure um amigo seu&lt;br /&gt;É bom ir logo na casa&lt;br /&gt;Do mouro que me vendeu&lt;br /&gt;Chegue lá converse com ele&lt;br /&gt;E conte o que lhe sucedeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele oferecer-lhe&lt;br /&gt;De muito bom grado aceite&lt;br /&gt;E veja se ele lhe vende&lt;br /&gt;Vestidos que me endireite&lt;br /&gt;Compre a ele todas as jóias&lt;br /&gt;Que uma donzela se enfeite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o mouro vender-lhe tudo&lt;br /&gt;Com que possa me compor&lt;br /&gt;Vossa mercê vai daqui&lt;br /&gt;Vender-me ao rei Almançor&lt;br /&gt;É esse o único meio&lt;br /&gt;Que salvará o senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El-rei lhe perguntará&lt;br /&gt;Por quanto vai me vender&lt;br /&gt;Por dez mil dobras de ouro&lt;br /&gt;Meu senhor há de dizer&lt;br /&gt;Quando ele admirar-se&lt;br /&gt;Veja o que vai responder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo alto senhor&lt;br /&gt;Não fique admirado&lt;br /&gt;Eu vendo-a com precisão&lt;br /&gt;Não peço preço alterado&lt;br /&gt;Dobrada esta quantia&lt;br /&gt;Tenho com ela gastado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse o único meio&lt;br /&gt;Para a sua salvação&lt;br /&gt;Se o mouro vende-lhe tudo&lt;br /&gt;Descanse seu coração&lt;br /&gt;Daqui para o fim da vida&lt;br /&gt;Não terá mais precisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercador seguiu tudo&lt;br /&gt;Quando a donzela ditava&lt;br /&gt;Chegou ao mouro e contou-lhe&lt;br /&gt;O desespero em que estava&lt;br /&gt;Então o mouro vendeu-lhe&lt;br /&gt;Tudo quanto precisava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roupa, objetos e jóias&lt;br /&gt;Para enfeitar a donzela&lt;br /&gt;As roupas vinha que só&lt;br /&gt;Sendo cortada pra ela&lt;br /&gt;Ela quando vestiu tudo&lt;br /&gt;Parecia ficar mais bela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercador aprontou-se&lt;br /&gt;E seguiu com brevidade&lt;br /&gt;Falou ao guarda da corte&lt;br /&gt;Com muita amabilidade&lt;br /&gt;Para deixá-lo falar&lt;br /&gt;Com a real majestade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então subiu um vassalo&lt;br /&gt;Deu parte ao rei Almoçor&lt;br /&gt;O rei chegou a escada&lt;br /&gt;Perguntou ao mercador:&lt;br /&gt;— Amigo qual o negócio&lt;br /&gt;Que tem comigo o senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então disse o mercador&lt;br /&gt;Sem grande humildade:&lt;br /&gt;— Senhor venho a vossa alteza&lt;br /&gt;Com grande necessidade&lt;br /&gt;Ver se vendo esta donzela&lt;br /&gt;A vossa real majestade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei olhou a donzela&lt;br /&gt;E disse dentro de si:&lt;br /&gt;Foi a mulher mais formosa&lt;br /&gt;Que neste mundo já vi&lt;br /&gt;Trinta ou quarenta minutos&lt;br /&gt;O rei presenciou ela ali&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou ao mercador:&lt;br /&gt;Por quanto vendes a donzela?&lt;br /&gt;Por 10 mil dobras de outro&lt;br /&gt;É o que peço por ela&lt;br /&gt;E não estou pedindo caro&lt;br /&gt;Visto a habilidade dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o rei ao mercador:&lt;br /&gt;— Senhor, estou surpreendido&lt;br /&gt;Dez mil dobras de ouro&lt;br /&gt;É preço desconhecido&lt;br /&gt;Ou tu não queres vendê-la&lt;br /&gt;Ou estás fora do sentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o mercador: El rei&lt;br /&gt;Não é caro esta donzela&lt;br /&gt;Dobrado a esta quantia&lt;br /&gt;Gastei para educar ela&lt;br /&gt;Excede a todos os sábios&lt;br /&gt;A sabedoria dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei mandou logo chamar&lt;br /&gt;Um grande sábio que havia&lt;br /&gt;O instrutor da cidade&lt;br /&gt;Em física e astronomia&lt;br /&gt;Em matemática e retórica&lt;br /&gt;História e filosofia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse veio e perguntou-lhe&lt;br /&gt;— Donzela estás preparada&lt;br /&gt;Para responder-me tudo&lt;br /&gt;Sem titubiar em nada?&lt;br /&gt;Se não estiver seja franca&lt;br /&gt;Se não sai envergonhada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela respondeu-lhe&lt;br /&gt;— Mestre pode perguntar&lt;br /&gt;Eu lhe responderei tudo&lt;br /&gt;Sem cousa alguma faltar&lt;br /&gt;Farei debaixo da lei&lt;br /&gt;Tudo que o senhor mandar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio ali preparou-se&lt;br /&gt;Para entrar em discussão&lt;br /&gt;Ela com muita vergonha&lt;br /&gt;Ela não teve alteração&lt;br /&gt;Pediu licença a El-rei&lt;br /&gt;E ficou de prontidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Diz-me donzela o que Deus&lt;br /&gt;Sob o céu primeiro fez&lt;br /&gt;Respondeu o sol e a lua&lt;br /&gt;E a lua por sua vez&lt;br /&gt;É por uma obrigação&lt;br /&gt;Cheia e nova todo mês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Além do sol e a lua&lt;br /&gt;Doze signos foram feitos&lt;br /&gt;Formando a constelação &lt;br /&gt;Sendo ao sol todos sujeitos&lt;br /&gt;Desiguais na natureza&lt;br /&gt;Com diversos preconceitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se chama esses signos?&lt;br /&gt;Perguntou o emissário&lt;br /&gt;A donzela respondeu:&lt;br /&gt;— Capricórnio e Aquário&lt;br /&gt;Tauro, Câncer, Libra, Virgo&lt;br /&gt;Pisces, Escórpio e Sagitário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Existem outros três signos&lt;br /&gt;Áries, Léo e Geminis&lt;br /&gt;No signo Léo quem nascer&lt;br /&gt;Será um homem feliz&lt;br /&gt;Inclinado a viajar&lt;br /&gt;Por fora de seu país&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse: Donzela&lt;br /&gt;É necessário dizer&lt;br /&gt;Que condições tem o homem&lt;br /&gt;Que em cada signo nascer&lt;br /&gt;Por influência o signo&lt;br /&gt;De que forma pode ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse ela o signo Aquário&lt;br /&gt;Reina o mês de janeiro&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Tem o crescimento varqueiro&lt;br /&gt;Será amante das mulheres&lt;br /&gt;Ventaroso e lisonjeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisces reina em fevereiro&lt;br /&gt;Quem nesse signo nascer&lt;br /&gt;É muito gentil de corpo&lt;br /&gt;Muito guloso em comer&lt;br /&gt;Risonho, gosta de viagem&lt;br /&gt;Não faz o que prometer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março governa Áries&lt;br /&gt;Neste signo nascerão&lt;br /&gt;Homens nem ricos nem pobres&lt;br /&gt;Por nada se zangarão&lt;br /&gt;Neles se notam um defeito&lt;br /&gt;Falando sós andarão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em abril governa Tauro&lt;br /&gt;Um signo bem conhecido&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Será muito presumido&lt;br /&gt;Altivo de coração&lt;br /&gt;Será rico e atrevido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geminis governa em maio&lt;br /&gt;Sua qualidade é quente&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Será fraco e diligente&lt;br /&gt;Para os palácios e cortes&lt;br /&gt;Se inclina constantemente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho governa Câncer&lt;br /&gt;Sua qualidade é fria&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;É forte e tem energia&lt;br /&gt;É gentil e tem muita força&lt;br /&gt;E sempre tem alegria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em julho governa Léo&lt;br /&gt;Por um leão figurado&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;É lutador e honrado&lt;br /&gt;Altivo de coração&lt;br /&gt;Inteligente e letrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto reina Virgo&lt;br /&gt;Vem da terra a natureza&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Tem princípio tem riqueza&lt;br /&gt;Depois se descuidará&lt;br /&gt;Por isso cai em pobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em setembro reina Libra&lt;br /&gt;A Vênus assinalado&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Será um pouco inclinado&lt;br /&gt;A viajar pelo mar&lt;br /&gt;É lutador e honrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nascer em outubro&lt;br /&gt;Será homem falador&lt;br /&gt;Inclinado aos maus costumes&lt;br /&gt;Teimoso e namorador&lt;br /&gt;Pouco jeito nos negócios&lt;br /&gt;Falso grave e enganador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o mês de novembro&lt;br /&gt;Sagitário é o reinante&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Será cínico e inconstante&lt;br /&gt;Desobediente aos pais&lt;br /&gt;Intratável assim por diante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro é Capricórnio&lt;br /&gt;Tem a natureza de terra&lt;br /&gt;O homem que nascer nele&lt;br /&gt;Será inclinado a guerra&lt;br /&gt;Gosta de falar sozinho&lt;br /&gt;E por qualquer coisa espera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio ali levantou-se&lt;br /&gt;Disse ao rei esta donzela&lt;br /&gt;Não há sábio aqui no mundo&lt;br /&gt;Que tenha a ciência dela&lt;br /&gt;E com isso vossa alteza&lt;br /&gt;Que estou vencido por ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei ali ordenou&lt;br /&gt;Que fosse o sábio segundo&lt;br /&gt;Foi um matemático e clínico&lt;br /&gt;Um gênio grande e fecundo&lt;br /&gt;E conhecido por um&lt;br /&gt;Dos sábios maior do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou o segundo sábio&lt;br /&gt;Que inda estava orelhudo&lt;br /&gt;E disse: Donzela eu tenho&lt;br /&gt;Dezoito anos de estudo&lt;br /&gt;Não sou o que tu venceste&lt;br /&gt;Conheço um pouco de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A donzela respondeu&lt;br /&gt;Com licença de el-rei&lt;br /&gt;Tudo que me perguntares&lt;br /&gt;Aqui te responderei&lt;br /&gt;Com brevidade e acerto&lt;br /&gt;Tudo vos explicarei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou o sábio a ela:&lt;br /&gt;Em nosso corpo domina&lt;br /&gt;Qualquer um dos doze signos&lt;br /&gt;Que a donzela descrimina&lt;br /&gt;Terá alguma influência&lt;br /&gt;Os signos com a medicina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a donzela disse:&lt;br /&gt;Descrito mestre direi&lt;br /&gt;Sabe que os signos são doze&lt;br /&gt;Como eu já expliquei&lt;br /&gt;Compactam com a química&lt;br /&gt;Quer saber? Explicarei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Áries domina a cabeça&lt;br /&gt;Uma parte melindrosa&lt;br /&gt;Para quem nascer em março&lt;br /&gt;A sangria é perigosa&lt;br /&gt;A pessoa que sangrar-se&lt;br /&gt;Deve ficar receosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Libra domina as espáduas&lt;br /&gt;Câncer domina os peitos&lt;br /&gt;Para os que são deste signo&lt;br /&gt;Purgantes tem maus efeitos&lt;br /&gt;E as sangrias também&lt;br /&gt;Não serão de bons proveitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tauro domina o pescoço&lt;br /&gt;Léo domina o coração&lt;br /&gt;Capricórnio influi nos olhos&lt;br /&gt;Escórpio a organização&lt;br /&gt;Geminis domina os braços&lt;br /&gt;e influi na musculação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgo domina o ventre&lt;br /&gt;E Aquário nas canelas&lt;br /&gt;Para os que são desses signos&lt;br /&gt;Purgas e sangrias são belas&lt;br /&gt;Então Sagitário e Pisces&lt;br /&gt;Ambos têm igual tabelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio dentro de si&lt;br /&gt;Disse meio admirado&lt;br /&gt;Onde esta discutir&lt;br /&gt;Ninguém pode ser letrado&lt;br /&gt;Esta só vindo a propósito&lt;br /&gt;De planeta adiantado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse: Donzela&lt;br /&gt;Eu quero se tu puderes&lt;br /&gt;Isto é, eu creio que podes&lt;br /&gt;Não dirás se não quiseres&lt;br /&gt;O peso, idade e conduta&lt;br /&gt;Que têm todas as mulheres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a donzela: A mulher&lt;br /&gt;É sempre a arca do bem&lt;br /&gt;Porém só quem a criou&lt;br /&gt;Sabe o peso que ela tem&lt;br /&gt;Isso é uma coisa ignota&lt;br /&gt;Disso não sabe ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me dizes das donzelas&lt;br /&gt;De vinte anos de idade?&lt;br /&gt;Respondeu: Sendo formosa&lt;br /&gt;Parece uma divindade&lt;br /&gt;Principalmente ao homem&lt;br /&gt;Que lhe tiver amizade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As de trinta e quarenta&lt;br /&gt;Que dizes tu que elas são?&lt;br /&gt;Disse ela: Uma dessas&lt;br /&gt;É de muita consideração&lt;br /&gt;— Das de 50 o que dizer?&lt;br /&gt;— Só prestam para oração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que dizes das de 70?&lt;br /&gt;— Deviam estar num castelo&lt;br /&gt;Rezando por quem morreu&lt;br /&gt;Lamentando o tempo belo&lt;br /&gt;O que dizes das de 80?&lt;br /&gt;— Só prestam para o cutelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então classificas as velhas&lt;br /&gt;Tudo de mal a pior?&lt;br /&gt;E nos defeitos de tantas&lt;br /&gt;Não se encontra um menor&lt;br /&gt;Disse ela: Deus me livre&lt;br /&gt;De ser vizinho da melhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela o sábio lhe disse&lt;br /&gt;Sei que és caprichosa&lt;br /&gt;Entre todas as pessoas&lt;br /&gt;És a mais estudiosa&lt;br /&gt;Diga que sinais precisam&lt;br /&gt;Para a mulher ser formosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a donzela disse:&lt;br /&gt;Para a mulher ser formosa&lt;br /&gt;Terá dezoito sinais&lt;br /&gt;Não tendo é defeituosa&lt;br /&gt;A obra por seu defeito&lt;br /&gt;Deixa de ser melindrosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de ter três partes negras&lt;br /&gt;De cores bem reluzentes&lt;br /&gt;Sobrancelhas, olhos, cabelos&lt;br /&gt;De cores negras e ardentes&lt;br /&gt;Branco o lacrimal dos olhos&lt;br /&gt;Ter branca a face e os dentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será comprida em três partes&lt;br /&gt;A que tiver formosura&lt;br /&gt;Compridos os dedos das mãos&lt;br /&gt;O pescoço e a cintura&lt;br /&gt;Rosada cútis e gengivas&lt;br /&gt;Lábios cor de rosa pura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá três partes pequenas&lt;br /&gt;O nariz, boca e pé&lt;br /&gt;Larga a cadeira e ombro&lt;br /&gt;Ninguém dirá que não é&lt;br /&gt;Cujos sinais teve-se todos&lt;br /&gt;Uma virgem em Nazaré&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio quando ouviu isto&lt;br /&gt;Ficou tão surpreendido&lt;br /&gt;E disse: El-rei Almançor&lt;br /&gt;Confesso que estou vencido&lt;br /&gt;E quem argumenta com ela&lt;br /&gt;Se considera vencido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El-rei mandou que outro sábio&lt;br /&gt;Entrasse em discussão&lt;br /&gt;Então escolheram um&lt;br /&gt;Dos de maior instrução&lt;br /&gt;A quem chamavam na Grécia&lt;br /&gt;Professor da criação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraão de Trabador&lt;br /&gt;Veio argumentar com ela&lt;br /&gt;E disse logo ao entrar:&lt;br /&gt;Previne-te bem, donzela&lt;br /&gt;Dizendo dentro si&lt;br /&gt;Eu hoje hei de zombar dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a donzela disse:&lt;br /&gt;Senhor mestre estarei disposta&lt;br /&gt;De todas suas perguntas&lt;br /&gt;O senhor terá resposta&lt;br /&gt;Se tem confiança em si&lt;br /&gt;Vamos fazer uma aposta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha aposta é a seguinte&lt;br /&gt;De nós o que for vencido&lt;br /&gt;Ficará aqui na corte&lt;br /&gt;Publicamente despido&lt;br /&gt;Ficando completamente&lt;br /&gt;Como quando foi nascido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse que sim&lt;br /&gt;Mandaram o termo lavrar&lt;br /&gt;E a donzela pediu&lt;br /&gt;Ao rei para assinar&lt;br /&gt;Para a parte que perdesse&lt;br /&gt;Depois não se recusar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavraram o termo e foi&lt;br /&gt;Às mãos do rei Almoçor&lt;br /&gt;Pra fazer válido o trato&lt;br /&gt;E ficar por fiador&lt;br /&gt;Obrigando quem perdesse&lt;br /&gt;Dar as roupas ao vencedor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio aí perguntou:&lt;br /&gt;Qual é a coisa mais aguda?&lt;br /&gt;Disse ela: é a língua&lt;br /&gt;Duma mulher linguaruda&lt;br /&gt;Que corta todos os nomes&lt;br /&gt;E o corte nunca muda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela qual é a coisa&lt;br /&gt;Mais doce do que mel?&lt;br /&gt;— O amor do pai a um filho&lt;br /&gt;Ou dama esposa fiel&lt;br /&gt;A ingratidão de um desses&lt;br /&gt;Amarga mais do que fel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse: Donzela&lt;br /&gt;Conheces os animais?&lt;br /&gt;Quero agora que descrevas&lt;br /&gt;Alguns irracionais&lt;br /&gt;Me diga qual é o bicho&lt;br /&gt;Que possui oito sinais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre, isto é gafanhoto&lt;br /&gt;Vive embaixo dos outeiros&lt;br /&gt;Tem pescoço como vaca&lt;br /&gt;Esporas de cavaleiros&lt;br /&gt;Tem olhos como marel&lt;br /&gt;Um pássaro dos estrangeiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focinho como de vaca&lt;br /&gt;Tem pés como de cegonha&lt;br /&gt;Tem cauda como de víbora&lt;br /&gt;Uma serpente medonha&lt;br /&gt;E é infeliz o vivente&lt;br /&gt;Que a boca dela se oponha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem peito como cavalos&lt;br /&gt;E não ofende a ninguém&lt;br /&gt;Tem asas como de águia&lt;br /&gt;A que voa muito além&lt;br /&gt;São antes oito sinais&lt;br /&gt;Que o gafanhoto tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou o sábio a ela:&lt;br /&gt;— Que homem foi que viveu&lt;br /&gt;Porém nunca foi menino&lt;br /&gt;Existiu mas não nasceu&lt;br /&gt;A mãe dele ficou virgem&lt;br /&gt;Até que o neto morreu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Este homem foi Adão&lt;br /&gt;Que da terra se gerou&lt;br /&gt;Foi feito já homem grande&lt;br /&gt;Não nasceu, Deus o formou&lt;br /&gt;A terra foi a mãe dele&lt;br /&gt;E nela se sepultou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi feita mas não nascida&lt;br /&gt;Essa nobre criatura&lt;br /&gt;A terra foi a mãe dele&lt;br /&gt;Serviu-lhe de sepultura&lt;br /&gt;Para Abel o neto dele&lt;br /&gt;Fez-se a primeira abertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Donzela qual é a coisa&lt;br /&gt;Que pode ser mais ligeira?&lt;br /&gt;Respondeu: O pensamento&lt;br /&gt;Que voa de tal maneira&lt;br /&gt;Que vai ao cabo do mundo&lt;br /&gt;Num segundo que se queira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio fitou-a e disse:&lt;br /&gt;— Donzela diga-me agora&lt;br /&gt;Qual o prazer de um dia&lt;br /&gt;Qual prazer duma hora?&lt;br /&gt;— Dum negócio que se ganha&lt;br /&gt;Dum passeio que se queira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A donzela respondeu&lt;br /&gt;Com a maior rapidez&lt;br /&gt;Disse: um homem viajando&lt;br /&gt;E se bom negócio fez&lt;br /&gt;É um dos grande prazeres&lt;br /&gt;Que verá por sua vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela o que é vida?&lt;br /&gt;Disse ela: Um mar de torpeza&lt;br /&gt;O que pode assemelhar-se&lt;br /&gt;À vela que está acesa&lt;br /&gt;Às vezes está tão formosa&lt;br /&gt;E se apaga de surpresa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela por quantas formas&lt;br /&gt;Mente a pessoa afinal?&lt;br /&gt;Respondeu: Mente por três&lt;br /&gt;Tendo como essencial&lt;br /&gt;Exaltar a quem quer bem&lt;br /&gt;E pôr taxa em quem quer mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela que é velhice?&lt;br /&gt;Respondeu com brevidade:&lt;br /&gt;É vestidura de dores&lt;br /&gt;É a mãe da mocidade&lt;br /&gt;E o que mais aborrecemos?&lt;br /&gt;Respondeu: É a idade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela qual é a coisa&lt;br /&gt;Que quem tem muito ainda quer?&lt;br /&gt;Disse ela: É o dinheiro&lt;br /&gt;Que o homem e a mulher&lt;br /&gt;Não se farta de ganhar&lt;br /&gt;Tenha a soma que tiver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a coisa que o homem&lt;br /&gt;Possui e não pode ver?&lt;br /&gt;Disse ela: O coração&lt;br /&gt;Que aberto tem que nascer&lt;br /&gt;Ver a raiz dos seus olhos&lt;br /&gt;Não há quem possa obter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela qual foi o homem&lt;br /&gt;Que por dois ventres passou?&lt;br /&gt;Disse a donzela: Foi Jonas&lt;br /&gt;Que uma baleia o tragou&lt;br /&gt;Conservou-o dentro três dias&lt;br /&gt;E depois o vomitou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse: Donzela&lt;br /&gt;Qual o homem mais de bem?&lt;br /&gt;Disse ela: É aquele&lt;br /&gt;Que menos defeitos tem&lt;br /&gt;Quem terá menos defeitos?&lt;br /&gt;— Isso não sabe ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Donzela qual é a coisa&lt;br /&gt;Que não se pode saber?&lt;br /&gt;O pensamento do homem&lt;br /&gt;Se ele não quer dizer&lt;br /&gt;Por mais que a mulher procure&lt;br /&gt;Não poderá obter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Donzela o que é a noite&lt;br /&gt;Cheia de tantos horrores?&lt;br /&gt;Disse ela: É descanso&lt;br /&gt;Dos homens trabalhadores&lt;br /&gt;É capa dos assassinos&lt;br /&gt;Que encobre os malfeitores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Onde a primeira cidade&lt;br /&gt;Do mundo foi construída?&lt;br /&gt;— A cidade de Ninive&lt;br /&gt;A primeira conhecida&lt;br /&gt;Que depois de certo tempo&lt;br /&gt;Foi pela Grécia abatida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou: Qual o guerreiro&lt;br /&gt;Que teve a antigüidade?&lt;br /&gt;Respondeu: Foi Alexandre&lt;br /&gt;Assombro da humanidade&lt;br /&gt;Guerreou vinte e dois anos&lt;br /&gt;E morreu na flor da idade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela falaste bem&lt;br /&gt;Do maior conquistador&lt;br /&gt;Diga dos homens qual foi&lt;br /&gt;O maior sentenciador?&lt;br /&gt;— Pilatos que deu sentença&lt;br /&gt;a Cristo Nosso Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os patriarcas&lt;br /&gt;qual seria o mais valente?&lt;br /&gt;— O patriarca Jacó&lt;br /&gt;Que lutou heroicamente&lt;br /&gt;Com os anjos mensageiros&lt;br /&gt;Do monarca onipotente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Qual foi a primeira nau&lt;br /&gt;Que foi para o estaleiro&lt;br /&gt;— Foi a Arca de Noé&lt;br /&gt;A que no mar foi primeiro&lt;br /&gt;Onde escapou um casal &lt;br /&gt;De tudo no mundo inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O que corta mais&lt;br /&gt;Que a navalha afiada?&lt;br /&gt;É a língua da pessoa&lt;br /&gt;Depois de estar irada&lt;br /&gt;Corta com mais rapidez&lt;br /&gt;Que qualquer lâmina amolada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Qual é o maior prazer&lt;br /&gt;Com que se ocupa a história?&lt;br /&gt;Respondeu: Quando um guerreiro&lt;br /&gt;No campo ganha vitória&lt;br /&gt;Sabei que não pode haver&lt;br /&gt;Tanto prazer tanta glória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio disse: Donzela&lt;br /&gt;Tens falado muito bem&lt;br /&gt;Me diga que condições&lt;br /&gt;O homem no mundo tem?&lt;br /&gt;Disse a donzela: tem todas&lt;br /&gt;Para o mal e para o bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É manso como a ovelha&lt;br /&gt;E feroz como o leão&lt;br /&gt;Seboso como o suíno&lt;br /&gt;É limpo como o pavão&lt;br /&gt;É falso como a serpente&lt;br /&gt;É tão leal como o cão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fraco como o coelho&lt;br /&gt;Arrogante como o gelo&lt;br /&gt;Airoso como o furão&lt;br /&gt;Forçoso como o cavalo&lt;br /&gt;E mais te digo que o homem&lt;br /&gt;Ninguém pode decifrá-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É calado como peixe&lt;br /&gt;Fala como papagaio&lt;br /&gt;É lerdo como preguiça&lt;br /&gt;É veloz igual ao raio&lt;br /&gt;É sábio quando ouviu isto&lt;br /&gt;Quase que dar-lhe um desmaio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então inventou um meio&lt;br /&gt;Para ver se a pegaria&lt;br /&gt;Perguntou: O sol da noite&lt;br /&gt;Terá luz quente ou fria?&lt;br /&gt;A donzela respondeu&lt;br /&gt;Que à noite sol não havia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a presença do sol&lt;br /&gt;É que se conhece o dia&lt;br /&gt;Se de noite houvesse sol&lt;br /&gt;A noite não existia&lt;br /&gt;E sem o sereno dela&lt;br /&gt;Todo vivente morreria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem água, sem ar, sem luz&lt;br /&gt;A terra não tinha nada&lt;br /&gt;Não tinha os seres que tem&lt;br /&gt;Seria desabitada&lt;br /&gt;A própria vegetação&lt;br /&gt;Não podia ser criada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reinos da natureza&lt;br /&gt;Cada um possui um gênio&lt;br /&gt;É necessário o azoto&lt;br /&gt;Precisa o oxigênio&lt;br /&gt;Para a infusão disso tudo&lt;br /&gt;O carbono e o hidrogênio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia Deus fez bem claro&lt;br /&gt;A noite fez bem escura&lt;br /&gt;Se de noite houvesse sol&lt;br /&gt;Estava o homem à altura&lt;br /&gt;De notar esse defeito&lt;br /&gt;E censurar a natura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio baixou a vista&lt;br /&gt;E ouviu tudo calado&lt;br /&gt;Nada teve a dizer&lt;br /&gt;Pois já estava esgotado&lt;br /&gt;E tinha plena certeza&lt;br /&gt;Que ficava injuriado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse ao público: Senhores&lt;br /&gt;A donzela me venceu&lt;br /&gt;Não sei com qual professor&lt;br /&gt;Esta mulher aprendeu&lt;br /&gt;Aí a donzela disse:&lt;br /&gt;Então o mestre perdeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vendo que estava&lt;br /&gt;Esgotado e sem recursos&lt;br /&gt;Ficou trêmulo e muito pálido&lt;br /&gt;Fugiu-lho até os pulsos&lt;br /&gt;Prostou-se aos pés de El-rei&lt;br /&gt;Se sufocando em soluços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse: Senhor, confesso&lt;br /&gt;A vossa real majestade&lt;br /&gt;Que vejo nesta donzela&lt;br /&gt;A maior capacidade&lt;br /&gt;Ela merece ter prêmio&lt;br /&gt;Pois tem grande habilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A donzela levantou-se&lt;br /&gt;Foi ao soberano rei&lt;br /&gt;Então beijando-lhe a mão&lt;br /&gt;Disse: Vos suplicarei&lt;br /&gt;Mande o sábio entregar-me&lt;br /&gt;Tudo que dele ganhei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei ali ordenou&lt;br /&gt;Que o sábio se despojasse&lt;br /&gt;De todas as vestes que tinha&lt;br /&gt;E à donzela as entregasse&lt;br /&gt;O jeito que tinha ali&lt;br /&gt;Era ele envergonhar-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sábio pôs-se a despir-se&lt;br /&gt;Como quem estava doente&lt;br /&gt;Fraque, colete e camisa&lt;br /&gt;Ficando ali indecente&lt;br /&gt;E pediu para ficar &lt;br /&gt;Com a ceroula somente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois sufocado em pranto&lt;br /&gt;Prostrado disse à donzela:&lt;br /&gt;Resta-me apenas a ceroula&lt;br /&gt;Não posso me despir dela&lt;br /&gt;A donzela perguntou-lhe:&lt;br /&gt;O senhor nasceu com ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trato foi o seguinte&lt;br /&gt;De nós quem fosse vencido&lt;br /&gt;Perante a todos da corte&lt;br /&gt;Havia de ficar despido&lt;br /&gt;Como quando veio ao mundo&lt;br /&gt;Na hora que foi nascido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El-rei foi o fiador&lt;br /&gt;Nosso ajuste foi exato&lt;br /&gt;O senhor tem que despir-se&lt;br /&gt;E dar-lhe fato por fato&lt;br /&gt;Ficando com a ceroula&lt;br /&gt;Não teve efeito o contrato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não quis dar a ceroula&lt;br /&gt;O rei mandou que ele desse&lt;br /&gt;Ou pagaria à donzela&lt;br /&gt;O tanto que ela quisesse&lt;br /&gt;Tanto que indenizasse-a&lt;br /&gt;Embora que não pudesse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donzela quanto queres&lt;br /&gt;Perguntou o sábio enfim&lt;br /&gt;A donzela ali fitou-o&lt;br /&gt;E lhe respondeu assim:&lt;br /&gt;A metade do dinheiro&lt;br /&gt;Que meu senhor quer por mim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei ali conhecendo&lt;br /&gt;O &lt;a href="http://o1.qnsr.com/cgi/r?WT.qs_dlk=l3UPEwrIZ0UAAHlNGAgAAAAE;;n=203;c=854882;s=12045;x=7936;f=201108011824560;u=j;z=TIMESTAMP;"&gt;direito&lt;/a&gt; da donzela&lt;br /&gt;Vendo que toda razão&lt;br /&gt;Só podia caber nela&lt;br /&gt;Disse ao sábio: Mande ver&lt;br /&gt;O dinheiro e pague a ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco mil dobras de ouro&lt;br /&gt;A donzela recebeu&lt;br /&gt;O sábio também ali&lt;br /&gt;Nem mais satisfação deu&lt;br /&gt;Aquele foi um exemplo&lt;br /&gt;Que a donzela lhe vendeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei então disse à ela:&lt;br /&gt;Donzela podes pedir&lt;br /&gt;Dou-te a palavra de honra&lt;br /&gt;Farei-te o que exigir&lt;br /&gt;De tudo que pertencer-me&lt;br /&gt;Poderás tu te servir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela beijou-lhe a mão&lt;br /&gt;Lhe disse peço que dê-me&lt;br /&gt;A quantia do dinheiro&lt;br /&gt;Que meu senhor quer vender-me&lt;br /&gt;Deixando eu voltar com ela&lt;br /&gt;Para assim satisfazer-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei julgou que a donzela&lt;br /&gt;Pedisse para ficar&lt;br /&gt;Tanto que se arrependeu&lt;br /&gt;De tudo lhe franquear&lt;br /&gt;Mas a palavra de rei&lt;br /&gt;Não pode se revogar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou dar-lhe o dinheiro&lt;br /&gt;Discutiu também com ela&lt;br /&gt;Mas ciente de tudo&lt;br /&gt;Quanto podia haver nela&lt;br /&gt;E disse vinte mil dobras&lt;br /&gt;Não pagam esta donzela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou ela e o senhor&lt;br /&gt;À sua antiga morada&lt;br /&gt;Por uma guarda de honra&lt;br /&gt;Voltou ela acompanhada&lt;br /&gt;O senhor dela trazendo&lt;br /&gt;Uma fortuna avaliada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram todos os sábios &lt;br /&gt;Daquilo impressionados&lt;br /&gt;Pois uma donzela escrava&lt;br /&gt;Vencer três homens letrados&lt;br /&gt;Professores de ciências&lt;br /&gt;Doutores habilitados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraão de Trabador&lt;br /&gt;Com todos não discutia&lt;br /&gt;Já tinha vencido muitos&lt;br /&gt;Em música e filosofia&lt;br /&gt;Em história natural&lt;br /&gt;Matemática e astronomia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele descrevia a fundo&lt;br /&gt;Os reinos da natureza&lt;br /&gt;Era engenheiro perito&lt;br /&gt;De tudo tinha a certeza&lt;br /&gt;Descrevia o oceano&lt;br /&gt;Da flor d'água a profundeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto quando ele entrou&lt;br /&gt;Que fitou bem a donzela&lt;br /&gt;Calculou dentro de si&lt;br /&gt;A força que havia nela&lt;br /&gt;Confiando em sua força&lt;br /&gt;Por isso apostou com ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro leitor escrevi&lt;br /&gt;Tudo que no livro sabei&lt;br /&gt;Só fiz rimar a história&lt;br /&gt;Nada aqui acrescentei&lt;br /&gt;Na história grande dela&lt;br /&gt;Muitas coisas consultei&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7779573786567395573?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7779573786567395573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/historia-da-donzela-teodora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7779573786567395573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7779573786567395573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/historia-da-donzela-teodora.html' title='História da Donzela Teodora'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2469685975548397909</id><published>2011-12-09T18:37:00.001-08:00</published><updated>2011-12-09T18:37:43.197-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrido'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px;"&gt;Mamãi, lá vem o homi&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Qui tem cabelo na venta&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Diz qu'é fio do capeta&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Cum eli ninguém aguenta&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Mamãi, lá vem o homi&lt;/span&gt;&lt;br style="background-color: white; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;" /&gt;&lt;span class="text_exposed_show" style="background-color: white; display: inline; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 14px; text-align: left;"&gt;Dizeno que m'arrebenta&lt;br /&gt;Qui tamém foi batizado&lt;br /&gt;Cum sá gross'i água benta&lt;br /&gt;Mamãi, lá vem o homi&lt;br /&gt;Ô meu fio, dêxa vim&lt;br /&gt;Eu num devo nad'ao homi&lt;br /&gt;Nem o homi dev'a mim&lt;br /&gt;U meu pai sempri dizia&lt;br /&gt;Meu fio, num tenha medo&lt;br /&gt;Vá dizê ao valentão&lt;br /&gt;Qui valente morre cedo&lt;br /&gt;Si ocê quisé a prova&lt;br /&gt;Cimitér'é cá du lado&lt;br /&gt;Gente boa tem alguns&lt;br /&gt;Di valente, tá lotado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vorta c'o mundo deu, na vorta c'o mundo dá&lt;br /&gt;Viaja pelo mundo, tem históra pá contá&lt;br /&gt;Na vorta c'o mundo deu, na vorta c'o mundo dá&lt;br /&gt;Todo dia dá uma vorta, nunca para di rodá&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2469685975548397909?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2469685975548397909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/mamai-la-vem-o-homi-qui-tem-cabelo-na.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2469685975548397909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2469685975548397909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/mamai-la-vem-o-homi-qui-tem-cabelo-na.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2904695064390519245</id><published>2011-12-09T18:34:00.001-08:00</published><updated>2011-12-09T18:38:33.195-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Capoeira leal, capoeira pegada, capoeira justa, capoeira de dentro, capoeira de baixo, capoeira de fora, capoeira de cima, capoeira traiçoeira, capoeira brincada, capoeira jogada, capoeira lutada, capoeira escorregada, capoeira caída, capoeira mandingada, capoeira levantada, capoeira pulada, capoeira sambada, capoeira sacolejada, capoeira bambolejada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem capoeira para todo corpo, e todo corpo tem sua capoeira. Mestre João Pequeno foi doutor no papel, mas antes, bem antes de ser doutor no papel, foi doutor na mandinga. Conheceu a arte querendo ser valentão, e achou o grande sentido da arte em ter seu golpe freado, manejado - porquê segundo ele mesmo, "o capoeirista para bater não precisa acertar". O golpe vai até onde for preciso, e quem está em volta sabe quando entrou e quando não entrou. Mestre de mestres, formador de homens, professor no sentido mais estrito possível - um sujeito raro e doce, no nosso mundo tão corrido, imediatista e superficial. Conheci o Mestre João Pequeno em um momento ligeiro, em 2003. Poucos minutos de conversa antes da roda em sua academia, e outros poucos dentro do carro do Mestre Decanio, enquanto o levávamos do Forte Santo Antônio à sua residência. Calado e observador, deixa a marca de seu trabalho na história. João Pequeno, de pequeno só teve o nome... Deixou esse mundo, mas o que deixou nesse mundo foi maior. Gigantesco João Pequeno, Enorme João Pequeno, Imenso João Pequeno!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando eu aqui cheguei&lt;br /&gt;A todos eu vim louvar&lt;br /&gt;Vim louvar a Deus, &lt;br /&gt;primeiro morador desse lugar&lt;br /&gt;Agora eu tô cantando&lt;br /&gt;Cantando e dando louvor&lt;br /&gt;Vou louvando a Jesus Cristo&lt;br /&gt;Porque nos abençoou&lt;br /&gt;Abençoe essa cidade&lt;br /&gt;Com todos os seus moradores&lt;br /&gt;E na roda de capoeira&lt;br /&gt;Abençoe os jogadores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camugerê, vosmecê como vai ?&lt;br /&gt;Camugerê!&lt;br /&gt;Como vai vosmecê ?&lt;br /&gt;Camugerê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai o homem, fica o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/qhCgFITPRBU" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2904695064390519245?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2904695064390519245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/capoeira-leal-capoeira-pegada-capoeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2904695064390519245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2904695064390519245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/capoeira-leal-capoeira-pegada-capoeira.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qhCgFITPRBU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-1196882189301649863</id><published>2011-12-01T09:34:00.001-08:00</published><updated>2011-12-01T09:34:09.450-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrido'/><title type='text'></title><content type='html'>Canoa virô nu má, canoa virô nu má&lt;br /&gt;Canoeiro s'afogô&lt;br /&gt;Pêxe qui tava pegado&lt;br /&gt;Cortô a rede, soltô&lt;br /&gt;Canoeiro foi nu fundo&lt;br /&gt;Água vêi'a li matá&lt;br /&gt;Quein and'incima das água&lt;br /&gt;Tein c'aprendê a nadá&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piriquitin qui vein di Holanda, xibamba&lt;br /&gt;Bamba, bamba-ê&lt;br /&gt;Pu cima du meu reinado, xibamba&lt;br /&gt;Bamba, bamba-ê&lt;br /&gt;Quanu pensu qui'stô in pé, 'stô sentado&lt;br /&gt;Bamba, bamba-ê&lt;br /&gt;Nu colo da namorada, xibamba&lt;br /&gt;Bamba, bamba-ê&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1196882189301649863?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1196882189301649863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/canoa-viro-nu-ma-canoa-viro-nu-ma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1196882189301649863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1196882189301649863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/12/canoa-viro-nu-ma-canoa-viro-nu-ma.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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/&gt;Era dentro do peito que tocava&lt;br /&gt;Era a voz de Zumbi que então gritava&lt;br /&gt;"Corre livre, moleque&lt;br /&gt;Não se entregue."&lt;br /&gt;Que filho de Zumbi já nasce livre&lt;br /&gt;Ele luta com força e valentia&lt;br /&gt;Até que se possa dizer, um dia&lt;br /&gt;Somos livres, irmãos de toda raça&lt;br /&gt;Berimbau vai tocar em plena praça&lt;br /&gt;E o povo vai jogar a noite inteira&lt;br /&gt;Meu povo!&lt;br /&gt;O povo vai brincar a noite inteira&lt;br /&gt;Meu povo!&lt;br /&gt;O povo vai lutar a noite inteira&lt;br /&gt;Meu povo!&lt;br /&gt;Na beira do mar e na ladeira&lt;br /&gt;Meu povo!&lt;br /&gt;No meio da praça e na ribeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mestre Toni Vargas)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-653788158079510105?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/653788158079510105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/moleques-do-morro-do-boreu-santa-marta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/653788158079510105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/653788158079510105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/moleques-do-morro-do-boreu-santa-marta.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-5816962763729371361?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/5816962763729371361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/pa-munta-nu-burro-brabo-tem-qui-cunfia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5816962763729371361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5816962763729371361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/pa-munta-nu-burro-brabo-tem-qui-cunfia.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2124001421197012510</id><published>2011-11-11T03:06:00.001-08:00</published><updated>2011-11-11T03:06:17.821-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestre falou'/><title type='text'></title><content type='html'>"Deus tirou os dentes, mas engrossou as gengivas". Gerson Francisco da Anunciação&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2124001421197012510?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2124001421197012510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/deus-tirou-os-dentes-mas-engrossou-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2124001421197012510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2124001421197012510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/deus-tirou-os-dentes-mas-engrossou-as.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3777167823863514975</id><published>2011-11-11T03:01:00.001-08:00</published><updated>2011-11-11T03:04:18.681-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mestre falou'/><title type='text'>Palavras de Rafael Alves França</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Meu apelido, Cobrinha Verde, quem botou foi o próprio Besouro, meu mestre. Porque eu era muito veloz. Eu era tão ligeiro que um dia ele me botou no quadro prá jogar facas em mim, prá ver se eu sabia me defender. Eu peguei as facas 2 vezes".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Quando Besouro ensinava aos seus discípulos e via que o aluno estava preparado, ele fazia esta experiência: se fechava numa sala com o discípulo, metia a mão num punhal e dava outro ao discípulo e dizia: vamos trocar facas com uma toalha amarrada na cintura dos dois, prá um não fugir do outro."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Enfrentei prá não morrer. Se corresse eles me matavam. Então eu enfrentei para não morrer (...) Meti a mão no facão, e eles com aquelas pistolas 320. Aí eles lutaram (...) e não puderam comigo. (...) Deram 18 tiros. E eu, pulo de um lado, pulo do outro. Quando olhei só tinha dois na minha frente. Os outros dois estavam estirados no chão. Aí, esses dois correram e eu corri também. Acabou a briga".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Aqui em Salvador, não posso fazer as contas dos alunos que já tive. Mesmo porque são tantos que eu não me lembro. Comecei a ensinar primeiro que Bimba, Pastinha... Eu saía da Fazenda Garcia prá dar instrução a Bimba e a judar ele a dar instruções aos seus alunos, no Bogum, Engenho Velho da Federação."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Depois tinha uns amigos mestres. Mestres não, eram capoeiristas, porque naquela época não tinha academia. (...) Marola, Augusto Chibateiro, Barbosa, Aberrê, João Macaco, Paulo Bolão, Antônio Corró, Otaviano, Roque Barroso, Barriga Pequena, Menino Gordo, Antônio Catité, Waldemar Geraldino. Eles iam jogar comigo com medo, mas eu não batia em ninguém."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Não era só com a capoeira que eu me livrava dos meus inimigos. O bom capoeirista é mágico. Ele tem o poder de aprender boas orações e usar um bom breve, porque a capoeira não livra a gente de bala. Então, eu usava um bom breve e boas orações. Hoje não uso, mas eu não estou esquecido. Está tudo aqui na cuca. As orações eram para me livrar dos malignos e de balas".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O breve que eu usava tinha oração de Santa Inês, de Santo André, de Sete Capelas, tinha Sete folhas. Depois que eu usava, botava ele em cima da mesa num prato virgem. Ele ficava pulando, porque era vivo. Mas houve algum problema, pois ele fugiu (...) de mim. Foi algum erro que cometi e ele foi embora e me deixou. Quando entrei no bando de Horácio de Matos com 17 anos eu já tinha esse breve".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Quem me deu esse breve foi um africano (...). Ele se chamava Tio Pascoal. (...) Um dia ele me disse: é, tu és um menino destemido, vou te dar um negócio. Só Deus é quem pode te fazer uma traição. Deus não faz traição, meu filho, com ninguém. Agora o que eu vou te dar, tu tens que usar como te ensinarei. Eu respondi: sim senhor".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Fui um homem que tinha família mas não dormia com a patroa. Ela dormia lá e eu dormia cá para não quebrar as minhas forças. Eu não passava debaixo de cerca de arame, não passava debaixo de pé de dendê, não passava debaixo de cooité. Se fosse passar por aqui e aqui estivesse uma corda de roupas eu ão passava por debaixo nem as quartas-feiras nem aos sábados".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Em épocas passadas eu gostava de andar na turma dos veteranos daqui de Salvador. Eu não estou desfazendo porque nunca desfiz. Mas eu nunca ouvi falar em Pastinha. Nunca, só depois da morte de Aberrê. Antes de Aberrê morrer, Pastinha andava acompanhando Aberrê. Depois foi que Pastinha andou tomando conta de academia e dizia que foi mestre de Aberrê. Aberrê nunca me disse quem foi o mestre dele."&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A capoeira não conta golpes, porque a capoeira tem muitos golpes mortais. Eu digo que na capoeira angola tem golpes mortais, porque se você pegar o adversário no golpe mortal, quando soltar ele não levanta mais".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A capoeira angola é uma luta. A primeira do mundo. É original, por isso ela não tem disputa. Não pode. Dois angoleiros que entendem da luta não podem disputar porque na luta mesmo um quer vencer o outro e um pode aplicar um golpe mortal".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os alimentos de hoje em dia são todos podres. Se é o peixe, leva 2 meses no gelo Até a própria farinha já perdeu a força. Na minha época, comia farinha tirada do forno (..) Sabe como fui criado ? Meu leite era polpa de jirimum com mel. Viajei pelo sertão e levei 20 anos comendo tudo vivo. Era abóbora com leite, batata, era um boi matado na hora, carne viva tremendo prá botar no fogo"&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"(...) eu me defendi de muitas coisas, mas não foi só com a capoeira não. A capoeira para aqueles angoleiros velhos tinha a magia dela. (...) A magia da capoeira é aquela que dedica a botar uma fava-da-índia no bolso, a usar um bom breve e boas orações. Então, eu só estou avisando, prá ninguém confiar só na capoeira prá lutar".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu não posso dizer nunca que tenho a capoeira como esporte. Eu tenho como uma luta, defesa pessoal. De muitas coisas eu me defendi com minha luta. Eu me defendi de faca, me defendi de facão, me defendi de cacete, de foice. Até de bala eu me defendi (...) Então, eu não posso nunca ter como esporte, não posso levar como esporte, só posso levar como luta". &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3777167823863514975?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3777167823863514975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/palavras-de-rafael-alves-franca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3777167823863514975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3777167823863514975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/palavras-de-rafael-alves-franca.html' title='Palavras de Rafael Alves França'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-118319794634299757</id><published>2011-11-11T02:54:00.001-08:00</published><updated>2011-11-11T03:04:56.311-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>There was once this art from Brazil&lt;br /&gt;To be played in the beach&lt;br /&gt;To be played in the hill&lt;br /&gt;A fight, a dance, a game&lt;br /&gt;An art to spread happiness,&lt;br /&gt;A weapon to hurt and kill&lt;br /&gt;For you to crawl as a snake&lt;br /&gt;And hear "For Christ sake!"&lt;br /&gt;Leave the crowd with their thrill&lt;br /&gt;Where you can fly like a bird&lt;br /&gt;Can clap, can sing, can smile&lt;br /&gt;And give other's spines a chill&lt;br /&gt;A dialogue without words&lt;br /&gt;To show malicia and strength&lt;br /&gt;To do mandinga and tricks&lt;br /&gt;To show control and skill&lt;br /&gt;A game where the winner&lt;br /&gt;More than the one who beats&lt;br /&gt;Is the one who gets the most joy&lt;br /&gt;Who make from the opponent his toy&lt;br /&gt;Who makes the butter to spill&lt;br /&gt;Created by slaves down south&lt;br /&gt;Who said with their feet&lt;br /&gt;What they couldn't with their mouth&lt;br /&gt;Who chopped the sugarcanes&lt;br /&gt;Who seeded the black coffee in lanes&lt;br /&gt;Who with their hands moved the mill&lt;br /&gt;Who were taken from their home&lt;br /&gt;But in their minds had the power&lt;br /&gt;To make from their pain, something new&lt;br /&gt;Who, when freed, reached town&lt;br /&gt;Discriminated, black or brown&lt;br /&gt;Didn't accept their way of living&lt;br /&gt;Imposed their point of view&lt;br /&gt;And took from their former lords&lt;br /&gt;Money, blood and much more&lt;br /&gt;Showed them the other face of the coin&lt;br /&gt;The disease for what there's no pill&lt;br /&gt;Cause the world spins&lt;br /&gt;Completes one round per day&lt;br /&gt;All you do comes back to you&lt;br /&gt;If you ordered the food&lt;br /&gt;So pay the bill !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-118319794634299757?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/118319794634299757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/there-was-once-this-art-from-brazil-to.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/118319794634299757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/118319794634299757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/there-was-once-this-art-from-brazil-to.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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/&gt;&lt;br /&gt;Sambadô chegô na hora&lt;br /&gt;Feiz u samba cumeçá&lt;br /&gt;Trouxe sola di pé grossa&lt;br /&gt;Cumeçô sapatiá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-5351095464077828158?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/5351095464077828158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/nu-samba-da-conceicao-chego-gente-pra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5351095464077828158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5351095464077828158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/nu-samba-da-conceicao-chego-gente-pra.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3987158863035936509</id><published>2011-11-04T17:41:00.001-07:00</published><updated>2011-11-04T17:41:33.472-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;br /&gt;O tambor fala pelas minhas palmas&lt;br /&gt;quando o braço desce, o som sobe&lt;br /&gt;quando a mão dói, a alma salta&lt;br /&gt;o tambor solta seu grito, que é também meu&lt;br /&gt;couro que esteve esticado sobre carne&lt;br /&gt;agora esticado sobre madeira&lt;br /&gt;alma de árvore, esqueleto de aço&lt;br /&gt;a cada tapa, uma resposta&lt;br /&gt;o suor do braço é lágrima no couro&lt;br /&gt;e o rufo do oco é grito do homem&lt;br /&gt;tambor é para se falar com as mãos...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3987158863035936509?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3987158863035936509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/o-tambor-fala-pelas-minhas-palmas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3987158863035936509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3987158863035936509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/11/o-tambor-fala-pelas-minhas-palmas.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-5050592740600575603</id><published>2011-10-29T17:17:00.001-07:00</published><updated>2011-10-29T17:17:51.508-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>Agogô e reco-reco NÃO são coadjuvantes... Não deveriam estar presos por corrente nenhuma, deveriam injetar cada vez mais molho em uma levada. Cada um tem seu papel numa boa bateria, e deve trabalhar solto dentro da base. Vai, sai, floreia, volta; vai, sai, floreia, volta. Pedra que rola não cria lodo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-5050592740600575603?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/5050592740600575603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/10/agogo-e-reco-reco-nao-sao-coadjuvantes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5050592740600575603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5050592740600575603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/10/agogo-e-reco-reco-nao-sao-coadjuvantes.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8415118794244800966</id><published>2011-10-20T05:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T05:27:00.494-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><title type='text'></title><content type='html'>A iún'é mandinguêra&lt;br /&gt;Quano tá nu bebedô&lt;br /&gt;Foi sabida, foi ligêra&lt;br /&gt;Mai capuêra matô&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeu pássaru cantô&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-ti-vi cantô sereno&lt;br /&gt;Pomba si jogô nu á&lt;br /&gt;Jão-di-Barru cum tristeza&lt;br /&gt;Lá na mata deu siná&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papagai'é faladô&lt;br /&gt;Maritac'é faladêra&lt;br /&gt;Piriquit'é mintiroso&lt;br /&gt;A jandai'é fofoquêra&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Todos pássu cum sodade&lt;br /&gt;Da iúna mandinguêra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8415118794244800966?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8415118794244800966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/10/iune-mandinguera-quano-ta-nu-bebedo-foi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8415118794244800966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8415118794244800966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/10/iune-mandinguera-quano-ta-nu-bebedo-foi.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8108171280741131737</id><published>2011-09-21T16:58:00.000-07:00</published><updated>2011-09-21T16:59:13.751-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>"Meu Deus, querem afeminar a capoeira" - Mestre Canjiquinha</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;Publicada originalmente em Diários de Notícias de Salvador, em 6 de novembro de 1970.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Entrevista de Cristina Cardoso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu nome - Washington Bruno da Silva - lembra Presidência de República, mas de política ele não manja nada. Seu fraco é a capoeira, do qual é bamba como ninguém. Washington é Canjiquinha, capoeira internacional, bom como Aberrê, ágil como Maria Doze Homens - um verdadeiro patrimônio do folclore nacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para ele a capoeira está morrendo. Virou apenas dança para turista ver. E ainda existe quem a considere agressiva:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu Deus, querem afeminar a luta dos homens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos 45 anos de vida de Canjiquinha, 33 foram dedicados à capoeira. Ele não apenas luta capoeira, mas luta por ela. Acredita que os mestres hoje em dia são poucos. Queixa-se também da falta de divulgação da capoeira que, em seu modo de entender, deveria ser transformado no esporte nacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ele aqui nasceu, é nosso, mistura do negro com o índio, resultado das lutas dos negros contra os senhores brancos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Canjiquinha é o capoeira mais divulgado no exterior, participante que foi de muitos filmes da Bahia para o mundo, ou feito em regime de co-produção. &lt;i&gt;Barravento&lt;/i&gt;, de Gláuber Rocha, onde contracenou com Luísa Maranhão; &lt;i&gt;Os bandeirantes&lt;/i&gt;, co-produção franco-brasileira. &lt;i&gt;Estrada do Amor,&lt;/i&gt; feito com os alemães e o mais recente &lt;i&gt;Capitães de Areia&lt;/i&gt; no papel de Samuel Querido de Deus, outro capoeira de renome no passado. Até no &lt;i&gt;Pagador de Promessas&lt;/i&gt; trabalhou mas gosta mesmo é de lutar, dançar a capoeira ou dar os toques no berimbau para a grande luta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha comadre - diz Canjiquinha com sua fala agitada, nervosa de filho de Iansã - já viajei por quase todo o Brasil, ensinei capoeira até para a Força Aérea. Estive em Brasílía - Teresina - São Luís do Maranhão - Recie - Porto Alegre e Maceió, díversas vezes no Rio de Janeiro e São Paulo. Agora ia pela primeiravez pessoalmente ao exterior, para a Semana da Bahia na Pensylvania, com "Viva a Bahia", mas deu bronca, os gringos só deram 1000 dólares para a viagem, quatro milhões contados, para 20 pessoas viajarem. Tudo veio por água abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E emocionado: "lindos mesmos são os golpes: rabo de arraia - meia lua de frente - meia lua de costas -armada - chapéu de couro -escorão - benção - vingativa - chibata ae tantos outros. E os toques que dou no meu berimbau, todos eles: São Bento Grande -São Bento Pequeno - Ave Maria - Cavalaria - Amazonas e Santa Maria., e os que eu mesmo criei: Samango, Muzenza, e Samba de Angola. É minha própria vida que eu vejo na minha Academia que fundei em 1954. Mas a capoeira está doente, gente, pode até morrrer. É apenas folclore, bonitinha e arrumadinha para agradar aos turistas. A capoeira, gente, não é mais aquela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Canjiquinha tem o maior elenco de conjunto folclórico da Bahia - 36 pessoas no Conjunto Aberrê, que tem seus atabaques pintados de branco e azul, as cores do saudoso Mestre Aberrê, de quem Canjiquinha afirma: "não é por ter sido meu professor, mas foi um dos maiores, juntamente com Pedro Paulo Barroquinha, Curió, Cassiano Balão, Totonho Maré, ainda vivo, morando no Corta Braço, na Liberdade, Sete Mola, Espinho Remoso e tantos outros. Mas mulher as únicas mesmo foram Maria Doze Homens que numa briga da Saúde até o antigo Cinema Olímpia, bateu em doze marmanjos, e Maria Palmeirão, 1,90 de altura, mulher de dar e receber navalhada, seca como o diabo que lutava como homem".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Canjiquinha é o capoeira querido, que se apresentou para o Presidente Médici em sua visita a Salvador, e lhe ofereceu o berimbau, símbolo da capoeira baiana que luta pelo folclore baiano quando ameaçado como na época de "Lapinha". Foi ele que, pelo nosso folclore, comprou briga com Baden Powell, discutiu com Flávio Cavalcanti e ainda está disposto a brigar mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha comadre, acrescenta, não é por falar mal, mas o Baden fez uma boa. Lapinha é folclore baiano que ele aprendeu comigo. Pensou que tinha me esquecido e disse que a música era dele. Que falta de caráter. Gosto de brigar pelos meus direitos de nosso folclore e pelo que acredito. Já fui goleiro do Ipiranga em 1951, mas o folclore e a capoeira são meu amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sou angoleiro e faço capoeira, estive no Simpósio de Capoeira em 1969 em São Pauto, no Campo dos Afonsos, e lá a gente discutiu e dividiu a luta em angoleiro, regional e estilizada, mas tudo vem de Angola, dos negros que de roupa branca sempre impecável eram chamados de arruaceiros, malandros e nunca desistiam, dos negros das lutas de matar ou morrer. Hoje a gente é funcionário, faz capoeira nas horas vagas, tem de se adaptar aos tempo. A capoeira está doente, gente, pode até morrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8108171280741131737?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8108171280741131737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/meu-deus-querem-afeminar-capoeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8108171280741131737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8108171280741131737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/meu-deus-querem-afeminar-capoeira.html' title='&quot;Meu Deus, querem afeminar a capoeira&quot; - Mestre Canjiquinha'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8377134579298841182</id><published>2011-09-20T16:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-21T16:58:42.407-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>"Desafiei todos os valentes" - Mestre Bimba</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Entrevista com Mestre Bimba&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Originalmente publicado no Diário de Goiânia, em 1973&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Bimba, conte-nos de onde veio, seu nome completo, sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Meu pai chamava-se Luis Pereira Machado, minha mãe Maria Martinha do Bonfim, meu nome é Manoel Reis Machado. Muita gente me pergunta: "Porque Mestre Bimba?" Eu não gosto de dizer... Tem gente que acha que é por causa da luta, mas não é. Porque lá em Salvador, onde eu nasci em 1900, "bimba" também quer dizer pancada. Meu nome é por causa de outra coisa. É por causa de uma aposta. Minha mãe teve vinte e cinco filhos, eu fui o último. Dizem que eu nasci muito gordo. Minha mãe apostou com a parteira que eu era homem e a parteira dizia que era mulher. Então, para saber se eu era homem ou era mulher, como era muito gordo, abriram minhas carnes para ver... e encontraram lá a "bimba"!... (Mestre Bimba reclama do garçom do Hotel Presidente, onde esta entrevista foi feita: "Cadê o tira-gosto. rapaz?").&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Trabalhei em carpintaria, trabalhei também na estiva, isso por volta de 1918. Carregava peso de 120 quilos... Conheci nesta época um mestre de Capoeira de Angola. Essa é a capoeira de Angola, porque existe também a Regional, que eu criei. Ele se chamava Bentinho. Ele era filho de dois africanos, eu sou neto de africanos. A partir desta época, então, eu aprendi a Capoeira de angola e passei a criar a regional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era vista a luta de Capoeira naqueles anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Naquela época, quando se falava em Capoeira, falava-se baixo Os que aprendiam capoeira só pensavam em ser bandidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser valente estava na moda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Era gostoso. Já pensou o que era, pra essas pessoas, enfiar a peixeira na barriga dos outros, rapaz?... Mas então, tem gente que pensa que Capoeira é luta de queda. De maneira que de 1918 a 1936, eu, Mestre Bimba, desafiei todos os valentes e venci: A luta que mais demorou, durou um minuto e dois segundos. Daí para cá mudei muito de vida. Larguei a estiva, larguei tudo, tomei outro curso de vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a diferença fundamental entre a Capoeira Regional e a Capoeira de Angola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Os capoeiras de Angola, a única coisa de bom que tinham era a coragem. Então, o que aconteceu? Um rapaz de doze, quinze anos, até vinte, quando aprendia a luta, naquele tempo, a tendência era pra comprar um revólver ou uma faca. Então, quer dizer que isto não era um esporte... E quem tirou a Capoeira do Brasil da unha da polícia, eu acho que abaixo de Deus fui eu...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer. Mestre Bimba, que a capoeira de Angola era aquele que botava uma navalha na ponta do berimbau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Muito bem. Falou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor teve um conhecimento profundo da Capoeira de Angola antes de criar a Regional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Por dez anos eu ensinei Capoeira de angola. Depois eu passei a ensinar Regional. E peguei a ganhar dinheiro. Mas eu sou um homem pobre. O que eu tenho muito é amizade. Os homens mais ricos da Bahia passaram por minhas mãos. Se eu fosse dizer o nome de todos eles, passava a tarde inteira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com tanta gente boa, dando aula até pra Governador (tem governador, não tem?), como é que tudo ocorreu de forma que o senhor tivesse que sair da Bahia, por problema financeiro?&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Na Bahia, acontece o seguinte: se o senhor chegar e pedir um auxílio para uma festa, um festejo carnavalesco, para uma qualquer coisa, que pertence à farra, tá bom. Mas se for para curar, para ensinar, para ajudar uma academia a bem do povo, não acha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos grupos de Capoeira existem na Bahia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Agora eu não sei nem contar. Primeiro existia só o meu, agora existem uns trinta e oito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor acha que essa atual invasão de turistas está estragando a Bahia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Quando eu apresentei espetáculos de folclore na Bahia, sempre fui muito elogiado. Mas agora, atualmente, existe muita falsificação. Seguinte: Capoeira é luta pra homem (e também pra mulher, depende). Mas acontece que pra ganhar dinheiro, até Capoeira do Amor já existe. A mulher fica deitada, vem o sujeito e salta por cima da palma da mão dela; só que aí se desloca sobre o próprio corpo, se agarram, e saem rolando... Bimba não ensinou isso não...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música que se utiliza na Capoeira, talvez por ser baseada no berimbau, dá a impressão de ser pobre, repetida. Acontece isso, realmente ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Berimbau tem oito toques. Numa roda, pode-se tocar um toque, ou dois, ou oito... Quer dizer: não é um instrumento que tem o "estoque" que tem o violão e outros instrumentos. Mas dá pra satisfazer... A regra é um berimbau e dois pandeiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Maculelê tem origem própria ou veio da Capoeira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Não, não tem nada a ver Maculelê com a Capoeira. A lenda do Maculelê vem dos índios que existiam no Brasil. Teve uma tribo que brigou com outra. Então, do lado de uma tribo tem um herói que venceu com dois pedaços de pau. Daí o nome: Maculelê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem algumas variações: Samba-Duro, Samba-de-Roda... Como é que são esses sambas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Samba-de-Roda só se faz com mulher, com meninas. O Samba-Duro é samba de queda, um samba de batuque - é mais pesado. É um samba de homem, é sambando e derrubando. O Samba-de-Roda, dá licença. É só pras meninas mexerem com as cadeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas tradições todas de música e dança da Bahia, existe uma influência multo grande dos africanos. Há também influências portuguesas e indígenas no folclore baiano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Além do batuque e desses sambas, o que restou foi um "terno" chamado Rancho Feliz, que não existe mais e que se incorporou ao folclore. Então, tudo isso foi criado pelas "cachoiranas", mulheres apropriadas para o samba Dessas mulheres pra cá é que se aprendeu o que é Samba-de-Roda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre, existe uma dança francesa que se desenvolveu por volta de 1650, chamada "Savata". Tem uma semelhança entre esta dança e a Capoeira, é uma dança e ao mesmo tempo uma luta; como na Capoeira, usam-se os pés e as mãos, apesar de não se utilizarem instrumentos musicais. Esta "Savata" pode ter Influenciado a Capoeira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Eu acredito que não. Porque a Savata foi criada pelos estrangeiros e a Capoeira pelos brasileiros. Há semelhança, mas não tem nada a ver com a Capoeira. Justamente uma coincidência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe Capoeira hoje em Angola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Em Angola nunca houve Capoeira. Tem dois escritores do Rio de Janeiro que dizem que a Capoeira veio da África. Mas não. Ela foi criada no Brasil, nas senzalas, nos engenhos, onde os pretos trabalhavam. Então quando eram calçados pelo chamado "Capitão do Mato", eles se defendiam com pesadas, rasteiras. Em princípio a lenda de Capoeira é essa, que existia em 1918 quando meu pai criou a Dança-de-Batuque e quando eu criei a Capoeira Regional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse assunto aqui é diferente. Tem-se comentado muito, ultimamente, sobre a "deformação" da cidade de Salvador, principalmente em função do turismo e da construção de viadutos, abertura de avenidas, etc. Comenta-se inclusive que alguns casardes pegaram fogo assim que a prefeitura decidiu passar por ali um novo viaduto. O que é que o senhor tem observado sobre este problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Francamente, isto não está no meu conhecimento. A única coisa que eu vi acontecer foi justamente o incêndio do Mercado Modelo, que dizem que era tradição da Bahia. Todo ano o governo queria construir obras ali, etcetera e tal, até &amp;nbsp;que &amp;nbsp;por &amp;nbsp;fim &amp;nbsp;ele acabou pegando fogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o senhor acha do Caetano Veloso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Francamente, eu não tenho o que dizer sobre ele. A matéria dele é uma e a minha á outra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor disse inicialmente que deixou a &amp;nbsp;Bahia por questões financeiras. Quais as condições reais que está encontrando aqui ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Aqui em Goiânia, trazido pelo Professor &amp;nbsp;Osvaldo de Souza, que foi meu aluno e que eu tenho como um filho, eu espero, encostado&amp;nbsp;a ele, ser ajudado por algumas autoridades daqui. Então, gostando da boa terra, para dizer melhor nunca vi mais mulher bonita! Aqui tem umas meninas! Meu Deus, por que é que eu sou velho?! De modo que o meu futuro é aqui em Goiânia. Porque a minha mulher recebeu o cargo de Zeladora... Diz-se por aí: "Mãe-de-Santo" - mas o verdadeiro nome é Zeladora-de-Encantado. Então aqui em Goiânia nunca teve um Candomblé e eu quero criar um. Minha mulher é a maior Zeladora da Bahia. Muitas pessoas desenganadas pelos médicos muitas vezes são salvas no Candomblé. Porque pode ser um problema do espírito. Às vezes a pessoa tem uma vida perseguida, uma incoerência com as coisas, fica aperreando pra levantar, tudo que faz não dá certo... Então com as rezas, com as coisas, ela pode salvar o indivíduo. Se minha mulher é bonita? Minha mulher é bonita demais!... Eu sou preto mas ela é caboclinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;De modo que o meu futuro aqui em Goiânia é ensinar. Capoeira, Samba-de-Roda, Samba-Duro e Batuque, que não existe mais no Brasil. Essas coisas é que eu quero fazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8377134579298841182?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8377134579298841182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/desafiei-todos-os-valentes-mestre-bimba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8377134579298841182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8377134579298841182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/desafiei-todos-os-valentes-mestre-bimba.html' title='&quot;Desafiei todos os valentes&quot; - Mestre Bimba'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7635922706775764260</id><published>2011-09-03T16:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-03T16:18:18.666-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>Entrevista com Mestre Pastinha, 1964</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrevista feita por Helina Rautavaara, na academia do Mestre Pastinha, em 1964.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transcrição direta do áudio, com alguma tradução do espanhol (a Sra. Helina falava em "portunhol")&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Introdução (1996)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Helina Rautavaara: Em todo caso, todavia estamos durante a minha primeira visita (...) Bahia. Eu começava a encontrar coisas, e claro, me falaram sobre Mestre Pastinha - que ainda àquela época não era cego. Tinha sua academia, dirigia sua academia, às vezes jogava... Eu até tenho uma foto, muito muito ruim porque foi tirada com aquelas máquinas de 10 dólares - mas ele está jogando mesmo. Em sua academia, é claro. Era fundamento angola... o verdadeiro. Angola... E uns dos mais velhos, senão primeiros na Bahia. Claro, a capoeira é uma tradição muito antiga, tem seus heróis durante a escravidão. A escravidão não foi tanto tempo atrás. Eu tenho entrevistas... Entrevista na casa do Waldemar da Liberdade, que também é muito famoso capoeirista. Tenho uma entrevista com um velho - ou foi velha, não me recordo mais - que foi escravo, nasceu escravo. Oh! Então, tantas recordações há na Bahia. Ora, se perderam todas... Me disseram que se perderam, que deixaram perder tudo, tudo, tudo. E a música mesmo... Influenciada por rádio e televisão. Já não existe nada de folclore autóctone, tradicional. Já se mudou, hoje. Então na casa, me chamaram Mestre Pastinha. E claro, Mestre Pastinha, como dirigia sua academia, ele me apresentava a um jovem e eu fui a ele dizendo que queria gravar. E ele me apresentou esse jovem, alto, forte e bonito, que se chamava Raimundo. Preto, preto, preto. Angola! Então depois que me apresentou, ele como um guia, como uma pessoa que me ensinaria e guiaria, e cantaria para mim. Cantando capoeira amarrado, com todos lá. Agora aqui vamos escutar essa gravação. Que verdadeiramente é clássica, muito, muito clássica. Ainda posso ... essa musical. Porque Raimundo sabia cantar. Depois comecei a andar com ele pelas festas de largo, e às vezes... Ele tinha um pouco de jeito de africano. Por exemplo, quando estávamos descendo ladeira, ele não andava comigo, andava um pouquinho atrás. E me lembro da polícia vindo me dizer: "Esse sujeito aí está seguindo você". Vinham me advertir que era perigoso. E eu ficava rindo. "Não, é meu camarada..." Mas como eu disse na outra fita, naquela época, durante minha primeira visita, 1963, 1964, eu não tinha romances, não tinha amores. Então o livro de Jorge Amado foi realmente foi uma novela. Somente depois que voltei da África para a Bahia que eu comecei a andar com DiMola. E estávamos sempre rindo que somente depois eu estava vivendo acontecimentos do livro de Jorge Amado que ele tinha escrito anos antes. Então eu peço aqui, depois eu tenho entrevistas com Mestre Pastinha em outras fitas. Se couberem, eu vou juntá-las aqui. Se não, vai ser em outra fita. Mas essa é a primeira gravação da capoeira de angola, 1964.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Entrevista (1964)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Helina Rautavaara: Eu queria que me contasse um pouco, desde que ano começou como capoeirista ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;Mestre Pastinha: Desde 1910.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E em que ano fundou essa capoeira ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Em 1941.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Por favor, me explique um pouco mais sobre o que é a capoeira. Eu já sei, mas me explique.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: A explicação que eu tenho ? Que é da capoeira ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: É.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Sobre a origem dela ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Sim, sobre a origem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: A origem é africana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E onde você aprendeu ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Aqui na Bahia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Em que ano ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Aos 10 anos de idade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E de quem aprendeu ? E quem lhe ensinou ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Um africano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Como ele se chama ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Se chamava Benedito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Mestre de angola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Angola!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E... Diz-se que a capoeira é uma luta, mas que agora está proibida como luta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Não... Ela não está proibida como luta não. Ela está no íntimo do homem. Na hora que ele encontra um rival, ele então se manisfesta com ela em ato de luta. Agora quando estamos em ato de alegria, ela passa a ser dança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Na sua academia, há quanto tempo está nesse lugar ? Aqui no Pelourinho ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: No Pelourinho, desde 1952.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: O senhor quer me contar algo de sua vida, como capoeirista ? Você foi ao Rio, a São Paulo ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Rio, São Paulo, Brasília, Porto Alegre...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E para o estrangeiro também ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Ainda não. Tive uma oportunidade que perdi, que tinha que ir à Argentina. Mas porquê recebi um convite de São Paulo, então ficou revogado. Para eu vir a São Paulo, deixei de ir à Argentina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Em que idade tem que aprender capoeira ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Em que ano ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Em que idade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Não, ele aprende de qualquer idade. Em qualquer idade pode aprender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Esses rapazes que estão aqui, são trabalhadores, estudantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: É... São trabalhadores, operários, estudantes, funcionários, empregados no comércio. Tem de tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E a capoeira é somente um passa-tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: É.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Que eu vi ali [inaudível]. A capoeira não dá vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Mas você, o que faz ? Você vive da academia ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: É.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E... Que modificações novas aconteceram aqui ? Como era a capoeira antes ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Antes ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Era o mesmo ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Era a mesma coisa. Era a mesma coisa. Não tem modificação nenhuma. A modificação é a consideração de um homem para outro. Se ele tem a vocação, toma em ato de alegria ou em festa, então nós jogamos ela com mais obediência, com mais técnica. Agora, quando passar o ódio, ela modifica também, vira para luta. Em ato de alegria, é para dança. E no ato do ódio, já sabe como é: é para a violência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Diga-me uma coisa. Você pessoalmente não sai mais na rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Não, não, não...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Mas apresenta a capoeira em Boa Viagem. Em que festas apresenta ? Em Santa Bárbara. Em, em... Conceição...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Em Santo Amaro, Cachoeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Boa Viagem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Boa Viagem. Eu estou em todos os lugares. Onde sou convidado a ir, eu vou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Estamos aqui prontos para atender qualquer finalidade, seja qualquer lugar. Aonde se interessarem por ela, eu também me interesso em ir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Onde você acha que a tradição de capoeira é mais puro ? Aqui mesmo ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: É...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: O que pensa de Mestre Bimba ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Nada tenho a responder. A finalidade é outra, e eu não posso introduzir uma finalidade... Agora nessa aqui, eu sei responder sobre ela. Agora lá sobre o outro... Sei que ele é um... A respeito do Bimba, eu não posso dar a finalidade. Porque ele tem a finalidade dele. Só quem pode declarar é ele mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Mas você acha que... Ele disse que representa uma tradição baiana. Você crê que é baiana ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Ele é baiano também. A tradição é a mesma. De mim para ele, de ele para mim, penso que não há modificação nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Você mestre representa mais uma tradição africana, angolense. Ele apresenta outra tradição mais...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Angola! Ele apresentou então em outra modalidade. Sobrenome de regional. Ele apresenta ela com o sobrenome de regional. Mas ele é angoleiro, ele aprendeu angola.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Era, era...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Ele é tão angoleiro quanto eu sou, aí eu não desmereço ele...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: E os outros como Waldemar e Caiçara... São discípulos seus ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Aqui para nós, eu não posso dar a finalidade do outro. Só posso dar a minha. Porquê eu só posso apresentar a minha, não posso apresentar a outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Não, não, eu não perguntei isso. Eu perguntei somente como tradição africana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: É a mesma, a tradição é a mesma. Agora eles tem a declaração deles diferente. Eles aprenderam com outro mestre. Eu não posso dizer nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Que planos tem para o futuro ? Para modificar, fazê-la maior ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: O futuro dela é esse mesmo. Da evolução do homem. Aí é somente a evolução do homem. Mas ele tem que se manifestar dentro dela mesmo. No mesmo ritmo, não pode sair fora...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Me diga uma coisa... Que significado tem quando eles começam cantando, e saúdam assim. Uma saudação. Tem algum sentido religioso ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Ela é religiosa. Vem da mesma religião que tem o candomblé. Tem o batuque, o samba. Ela é da mesma parcela. Agora, com a modificação, um pouquinho diferente. O manifesto é um pouquinho diferente. Mas a parcela é a mesma, a religião é a mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Alguém me disse que há uma rivalidade entre candomblé e capoeira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Não há rivalidade... É unida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Em algum livro eu li que há uma briga entre elas. Não há ?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: O capoeirista é o mesmo feiticeiro. Agora eles abandonam mais uma parte por outra. Nós acompanhamos o fetichismo. Nós acompanhamos o candomblé. Não fosse assim, nós não iríamos na casa de candomblé. Não é ? Mas é da mesma parcela. Agora um que gosta mais de uma finalidade que da outra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: Claro, claro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Um corre mais por capoeirismo, outro corre mais por fetichismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;HR: A revista que lhe prometi, vou lhe mandar da Finlândia. Porque aqui não tem... Do Rio eu podia mandar, porque no Rio tem. Podia mandar alguma fotografia de [inaudível].&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MP: Pode mandar. Quanto mais, melhor...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7635922706775764260?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7635922706775764260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/entrevista-com-mestre-pastinha-1964.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7635922706775764260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7635922706775764260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/09/entrevista-com-mestre-pastinha-1964.html' title='Entrevista com Mestre Pastinha, 1964'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-1654595074002003755</id><published>2011-08-30T17:43:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T17:43:01.962-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>Palestra do Dr. Fu Kiau (Salvador, 1997)</title><content type='html'>O texto abaixo foi gentilmente cedido por Daniel Mattar, treinel da FICA. O texto foi transcrito a partir de fitas K7 contendo a gravação da palestra do Dr. Fu Kiau, realizada em Salvador (1997)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;III ENCONTRO INTERNACIONAL DE CAPOEIRA ANGOLA Fundação Internacional de Capoeira Angola - FICA&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Palestra do Dr. Fu-Kiau (Lemba Institut - New York/USA) Salvador/Ba, agosto de 1997.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FITA 1 - LADO A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. FU-KIAU: Eu vou falar pra vocês do nascimento do mundo da capoeira na terra Congo. São alguns fatos que nós temos que conhecer antes de começar qualquer coisa. Entre 1500 A.C., essa área particular que chama Angola e Congo foi visitada por fenícios. Essa visita foi a primeira registrada fora do continente africano, então foi a primeira visita conhecida pelos ocidentais. Entre esse período que nós falamos e o século XIII há um silêncio total, não sabemos nada. Depois deste tempo, o século XIII, que o reino do Congo-Angola cresceu. Esse reino era muito poderoso nesse momento particular (nessa época) . Esse reino era tão poderoso que era conhecido... era tão conhecido, que tinham livros escritos sobre esse reino. Vários professores universitários pesquisaram sobre esse reino, na Europa. Um deles chama-se Lopes, de Portugal; um outro chama-se George Balandier, da França, e George Balandier é um dos mais conhecidos dessa época da história do Congo, porque é dentro da pesquisa dele que nós encontramos (buscamos) as informações sobre o reino do Congo. Ele foi o primeiro europeu a reconhecer que o reino do Congo era tão poderoso, reconhecendo a existência de quatro universidades nesse local. Um deles foi conhecido como Instituto Lemba; o segundo conhecido como Instituto Kimpassi; o terceiro conhecido como Instituto Kikumbi, e o quarto, Instituto Welo (ou Uelo). Urna dessas universidades foi feita para o treino de mulheres. É muito importante insistir nesse fato. Por que essa existência de uma universidade prá mulheres? Porque o Congo acredita que a mulher é (ou está) mais perto de Deus. Porque a existência humana é impossível sem a presença da mulher. Esse reino do Congo, como era conhecido na época, é hoje conhecido com três nomes diferentes. O Ocidente descobriu a importância desse reino e não quis que este permanecesse unido, então dividiram esse espaço em três poderes: o sul deste reino foi para Portugal, conhecido hoje como Angola; o centro foi para a Bélgica, hoje conhecido como Zaire, ou República do Congo; o norte do reino foi dado para a França, e é conhecido também como República do Congo. Mais de 40% dos escravos trazidos para as américas vieram desta região particular. É bem infeliz para nós, porque o mercado de escravo destruiu totalmente este reino. Os maiores mestres que existiam nesse reino foram levados. Todos os jovens entre 15 e 25 anos também foram levados, e o pior, quando eles chegaram no Novo Mundo, por causa do tratamento que eles receberam, esses mestres... todos esses mestres que tinham esse conhecimento, tiveram que morrer. Eles morreram durante a travessia do Atlântico; quando chegaram na terra foram submetidos a trabalhos forçados, e os que não queriam se submeter tiveram que lutar. E como eles não tinham armas como os serthores, eles começaram a se organizar de maneira secreta Nessa medida eles começaram a entender os poderes que eles tinham adquirido na África E a mesma capoeira nasceu na América do Sul e no Brasil. Esta mesma prática existiu no norte da América Não conheci pelo mesmo nome. O ensinamento do que nós conhecemos como capoeira foi conhecido por outro nome, mais conhecido pelos seus aspectos de igreja, e se chamava mong. Então são esses dois nomes: capoeira e mong, o que era a capoeira no Congo-Angola Como eu disse mais cedo, Congo-Angola foi a terra da origem da capoeira, e então no caso o Brasil ter conhecido a capoeira não foi errado, não foi mal conduzido. Achou seu camitrho. Temos que entender as crenças e a visão de mundo destes povos. O povo bantu acredita que existem quatro níveis na vida O início de tudo, que nós conhecemos como big bang, é o nível 1, ali embaixo, conhecido como mussoni. Depois do big bang veio o processo de resfriamento, o mundo foi solidificado, e temos o nosso planeta Terra. Esta aí é a etapa 2. É nesta etapa 2 que a vida começa no seu nível mais baixo. E aí vem a etapa 3 onde os animais começam a surgir. É na etapa 4 que os seres humanos surgeim (Anne: eu falei vida no 2, mas eu acredito que seja vida vegetal). Eaí a vida é (se) completa na face da Terra. É nesse esquema que o povo bantu-congo tem como bases os seus ensinamentos, e acreditam que nada na Terra foge dessa base, desse esquema. Biologicamente, nós somos concebidos na etapa 1, nascemos na etapa 2 , amadurecemos na etapa 3 e morremos na etapa 4. E esse processo continua através do Universo. E eles explicam porque a lua é nua para eles. A lua está nua nessa etapa, sem vida nenhuma, porque ela está na etapa 2. Nesse processo nós vamos também descobrir o que é a vida. Todos os ensinamentos seguem o mesmo esquema. O povo bantu, devido o ensinamento nessas quatro partes (etapas), tem um tempo que nós temos que entender a origem da vida, como a vida na Terra é concebida, e o que é o nascimento. O que é também ser maduro e um líder, e o que é morrer. Para os bantu, a morte não é o fim, porque a morte é um processo como qualquer outro processo, e porque é um processo eles veem como música. Nós nascemos sob música e morremos sob música, porque dentro de nós temos uma percussão que é o coração. Então os instrumentos que fazemos fora de nós são iguais, e é por isso que é importante para qualquer pessoa envolvida com capoeira. Para entender o conceito da música dentro da capoeira, esse candidato tem que entender que a música é o seu coração biológico. Vou tentar explicar isso com os slides. Para os bantu, especialmente os congo, viver é um processo emocional, de movimento. Viver é movimentar, e movimentar é aprender. Você avança, você se movimenta para trás, você se movimenta prá esquerda e você se movimenta para a direita, e essas são as quatro direções. Mas, tem mais três. Temos que aprender a se movimentar para cima, temos que movimentar para baixo. São as seis direções. Um candidato à capoeira deve descobrir a sétima direção. E essa direção é muito importante. Temos que entender que dançar e se movimentar é se movimentar dentro de um ovo. O capoeirista se movimentando tenta quebrar essa casca de ovo. O capoeirista (candidato a capoeira) é como um pintinho dentro do ovo, tentando quebrar a casca. Ele tenta bater prá cirna, bater prá esquerda, bater prá direita, bater pra frente, bater pra trás, bater pra baixo, mas a coisa mais importante é bater pra dentro (por dentro). É por isso que o capoeirista quando jogando, não pode perder o centro. É por isso que na vida temos que também ter essa consciência de não perder o centro para ter saúde e riqueza. O Movimento na vida é muito importante, e temos que descobrir o valor da vida Se você prestar atenção aqui, você tem um centro e temos essas direções. E eu falei que se movimentar é aprender. Os movimentos que você faz na capoeira é um movimento, e não é limitado a aula que você está aprendendo (no caso, aprendendo capoeira). É parte da sua própria vida. Você tem que conhecer pessoa fora. Você precisa encontrair (conhecer) as pessoas vivas e as pessoas mortas. Esse conceito não é muito conhecido no Ocidente, e por isso que o Ocidente não entendeu muito bem a cultura africana. Nós aprendemos mais com os mortos do que com os vivos. Isto é muito comum dentro do povo africano. Isto é ilustrado na maneira como os africanos respeitam os mortos. E é verdade também... mas eles não enxergam, não percebem nessa (ordem). Se você for em qualquer livraria, você vai ver mais livros escritos por mortos do que escritos por vivos. E os bantu falam: nós escutamos e aprendemos mais dos mortos. É por isso que os bantu falam: escutem mais os mortos que os vivos, porque os mortos se tornaram pedras, e os vivos são capim. Eles podem ser facilmente pisados, enquanto os mortos, que são pedras, não podem ser destruídos tão facilmente. Então isso aí é muito importante na nossa vida quando descobrimos a.....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daniel Dawson: Alô. Eu acho que muitos de vocês já viram a apresentação de Dr. Fu-Kiau antes, mas certamente vocês podem ouvir isso novamente. Dr. Fu-Kiau é importante como pesquisador, como estudioso, e como um líder de tradição. Ele tem duas formações: uma formação em sistemas tradicionais africanos, tais como LEMBA, e várias outras. Ele também foi educado da forma ocidental. Ele é um doutor em Educação, e tem vários mestrados. Atualmente é o diretor do serviço de biblioteca numa prisão de Boston (USA), onde ele ensina cursos sobre cultura africana. Ele também foi um dos primeiros africanos a abrir um instituto dedicado à cultura africana, e muitos dos mais importantes estudiosos, como Robert F. Tompson..........aprenderam suas informações vindas dele. Pelo fato do Instituto dele ser dedicado ao registro e a discussão da cultura africana, ele é uma enciclopédia dessa cultura Nós deveríamos nos beneficiar de algum dos conhecimentos dele, hoje. Muito deste conhecimento vem do Instituto Lemba. Lemba foi importante em todas as Américas. É importante também no Candomblé de Angola porque existe um nkisi chamado Lemba; é importante no Haiti porque uma parte do seu vodum é chamado vodum Lcmba; é importante também em Cuba. Então Lemba é uma das instituições mais importantes, e vocês vão poder ter contato com isso, porque não só ele é uma pessoa iniciada em Lemba, mas ele tern um estudo ocidental dedicado a isso, e tem o processo iniciatório. Também serão beneficiados pela tradução de Eneida. Dr. Fu-Kiau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. FU-KIAU: É um grande prazer prá mim estar aqui. Esta é a segunda vez, segundo dia que eu experencio algo que me faz chorar. A primeira vez eu fui para uma celebração, e nessa particular celebração eu ouvi canções que não eram em português, mas canções que eram na minha língua. E aqui novamente, eu ouvi algumas canções, não em português, não em inglês, nenhuma outra língua européia, mas em minha língua e em iorubá. E uma dessas canções fez o meu coração bater tão rápido. Essa música era KALUUNGA KULUMUKA. Kaluunga é uma palavra chave na religião congo. A palavra significa o oceano; também significa imensidão; significa também a energia maior que existe. É também a palavra que significa Deus. Então pra mim ouvir Kaluunga Kulumuka, todo o meu corpo mudou. Eu vi os céus descendo entre nós. É uma pena que muitos não tenham essa mesma experiência em particular que eu tive. A segunda canção, foi a canção na qual os cantores estavam tentando enviar suas lágrimas como uma chuva, ao contrário do que acontece conosco quando ela vem dos céus. E depois dessas duas canções, eu disse pra mim, dentro de mim: "se eu tiver algum poder de falar aqui, talvez fosse apenas o fato de eu sentar e ouvir mais. Mas porque me foi pedido prá falar, eu tenho que dizer algumas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil, na minha experiência é o meu país. Porque, em qualquer outro lugar que eu for agora, eu vejo as pessoas retomando prá casa. Mesmo aqui, as canções, os tambores... da mesma forma que são tocados e cantados de volta na minha casa. Uma terceira canção que eu mencionaria aqui, que foi a canção... e nessa canção tem algumas palavras, na verdade são duas palavras, e essa canção foi NGOMA MALEMBE, que significa: "tambores toquem devagar, não nos acelere, não nos façam andar- rápido. Nós não vamos compreender suas vibrações". Essas são coisas profundas prá mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho muito orgulho de ter sido permitido de visitar o Brasil, e eu agradeço a esta senhora chamada SIMBI VALDINA e Mestre Cobrinha. Sem eles eu não poderia estar aqui. Eles são as portas para que eu possa estar aqui. Nós estamos vivendo um tempo diferente agora. Por quatro ou cinco centenas de séculos nós estivemos separados. Nada nos separa agora: nem o oceano, nem a terra, nem inesmo as línguas. Nós somos um, hoje. E pelo fato de termos nós tornado um, nós temos que aprender uns dos outros. Eu vim aprender de vocês, e eu espero que vocês venham aprender de nós. O mundo tornou-se uma única vila (aldeia), uma vila global. E nessa vila, nós teremos as tendas (as barracas) dentro das quais teremos irmãos de sangue, pessoas brancas, pessoas amarelas, pessoas vermelhas e talvez pessoas verdes e amarelas [talvez em referência às cores das bandeirolas verdes e amarelas que decoram o Terreiro Catendê]... a gente ainda não sabe (Risos), porque o universo está se expandindo. Há apenas algumas semanas atrás um homem enviou uma máquina que aterrissou em Marte, e a gente sabe que as máquinas continuarão a ser enviadas para mais outros lugares, e que provavelmente nós encontraremos seres vivos nesses outros planetas. E esses seres também serão aceitos nessa vila global. Nós vamos aprender suas línguas e eles vão aprender as nossas línguas, mas primeiro precisamos encontrar o nosso círculo, a nossa fonte, como a nossa casa Na sua casa você está seguro e você está protegido. Sem o seu próprio centro, sem a sua casa, você não pode está seguro. Você vai estar sempre com medo em qualquer lugar que você esteja. Lá fora, e mesmo dentro do prédio mais bonito. Se você não tem o seu centro dentro desse edifício, você não vai estar seguro. É importante para nós, povo africano, descobrir as nossas próprias raízes. Essas raízes, não necessariamente têm que ser encontradas na África. Existem muitas coisa que estão neste momento faltando na África, da mesma forma que muitas coisas estão faltando no Novo Mundo, pelo lato de que houve um tempo em que muitos Estados na África foram destruídos pelo tráfico de escravos. A maioria dos maiores mestres que existiam realmente naqueles países foram aniquilados. Eles foram capturados e transformados em escravos. Muitos poucos dentre eles chegaram a alcançar o Mundo Novo, e muitos morreram nessa travessia do oceano; e como tal, muitos conhecimentos da África foram tomados, levados da África. É por isso que nós precisamos nos reunir, porque uma parte desse conhecimento var ser encontrado no Mundo Novo [a imagem do caleidoscópio: pedaços que se espalham formando novas configurações se, contudo, perder- o colorido, ou a beleza], e uma outra parte será encontrada no Mundo Antigo, na África. Eu escutei muitas palavras nesse país, que são canções que não existem mais na África hoje, e que nós sabemos que são canções Lemba. E eu sei que são canções Lemba porque eu sou um iniciado Lemba. Quando eu era jovem eu não conhecia essas canções, mas quando eu fui iniciado eu aprendi essas canções. E quando eu cheguei no Mundo Novo, eu encontrei essas mesmas canções, e as palavras chaves mais importantes nos ensinamentos da África, são encontradas aqui também. A minha conversa com vocês vai abarcar muitas coisas, e urna delas será a visão de mundo do bantu; como é que o bantu vê o seu mundo. É muito importante você compreender esse mundo bantu. A palavra bantu foi introduzida no Mundo Novo através de estudos antropológicos, e como tal esta palavra é mal-compreendida. BANTU significa, em primeiro lugar, pessoa. E esse é o plural. O singular disto é MUNIU. Então o bantu, ele não é aperras encontrado na África Eu sou um MUNTU, e vocês todos são bantu. Existe um ditado, quando os homens brancos entraram na África, na área bantu, em todos os lugares ouviam estas palavras: muntu e bantu. Aí o homem branco disse: ah! eles são bantu. E quando os homens bantu descobriram que os homens brancos estavam chamando eles de bantu, eles ficaram surpreendidos e disseram: Bom, se nós somos bantu, então vocês não são bantu. Então nós podemos lhes colocar em qualquer categoria que nós quisermos. Em animais, em árvores, em pássaros, ou até mesmo vocês podem ser uma terra Mesmo assim esse erro foi cometido e a gente não consegue corrigir isso hoje. Mas nós fazemos, precisamos descobrir o centro de nós. E nós podemos ir a qualquer lugar se nós protegemos o nosso centro. Nos tornamos hoje em dia mais doentes porquê estamos perdendo o nosso centro, porquê geralmente as pessoas fora se sentem desprotegidas. Sentem medo quando saem de casa, e protegidas quando estão dentro de casa. Seu poder interior é a chave da sua extensão fora. Nós não podemos ter medo se acaso a capoeira está se expandindo, tão longe, enquanto estiver ligado ao centro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Acordeon: Muito obrigado Dr. Fu-Kiau, é uma analogia muito bonita. Acredito que a música é: ai ai Aidê&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FIM DO LADO A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FITA 3 : LADO A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* Palestra do Dr. FU-KIAU no Terreiro Catendê. Festa de TEEMPO Salvador, 17/08/97&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Macota Valdina Pinto: ... é da cultura bantu, e dar à ela o lugar que ela merece , ao lado da cultura iorubá e da cultura ewê-ewê fon. Entre nós, a cultura tem sido deixada, tem sido transmitida através da oralidade, quando nós nos iniciamos num terreiro. E nós aprendemos com os mais velhos, através dos exemplos, através das repetições, através da participação, traços de culturas tradicionais. O jeito como nós fazemos aqui no Brasil, pode estar distante da África tradicional, mas é o que nos liga e o que nos dá identidade africana, é o que nos é passado através da religião. Então, uma língua africana que foi impedida de se falar, o nome, que dá identidade a um ser humano, e que também foi proibido de se ter, nós resgatamos no candomblé. Então, o candomblé é muito mais do que uma religião pra nós. O candomblé é o espaço onde a gente afirma, onde a gente resgata uma identidade que nos foi tirada. Eu acho que é muito mais... não sei se Mutá, mas muito mais nós estamos aqui hoje prá aprender com nganga Fu-Kiau. Pra mim representa minha ancestralidade aqui presente, e eu estou aqui mais para beber as palavras de Fu-Kiau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FITA 1 : LADO B&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. FU-KIAU: Se você encontrar um ainigo que você não viu há dez anos, o que você faz? Dá uni abraço. Essa aí é a chave da vida. Quando nós encontramos amigos forníamos um V(&amp;lt;), para cumprimentá-lo. Isso significa que a pessoa que você vai encontrar também vai formar um V(&amp;gt;). Então as duas juntas formam um diamante ( &amp;lt;&amp;gt; ). Cada um leva a sua energia paia o centro do diamante, e se tornam um. Hoje a América não é mais só. Tampouco a África. Nos tornamos um, porque nós nos encontramos. Ou pela comida que nós comemos; ou então viajando; ou nos livros que lemos da África e da América; ou porque nos encontramos numa festa... nos tornamos Um. Esta forma (formato), na vida, é a chave principal para a vida e para viver. Temos que tentar viver para formarmos esta forma de diamante. Se podemos tentar proteger esta forma na nossa vida, teremos a capacidade para criar, para formar uma família forte, porque isto aqui é a chave de qualquer casamento. Quem entende essa forma vai conhecer a formação da sociedade africana. Dentro dessa forma temos dois "i" (a letra i). Um i é fêmea e o outro i é macho. Esses dois formam um casamento. Esses dois i criam o nascimento para outros i. Quando um i é nascido desses dois i, temos que ter muito cuidado. Não imporia o que aconteceu, não leva a sua briga para esse terceiro i, porque a vida desse terceiro i depende dos dois primeiros. É importante, como estudantes de capoeira para entender verdadeiramente que um capoeirista é um ser humano dentro de um ovo. Temos que saber como se movimentar. Então não teremos que usar um martelo para quebrar a casca, porque você é poderoso. Você pode não saber disso, mas o poder tá dentro de você. Como capoeirista, pode destruir facilmente se usado de maneira errada. Mas, o poder dentro de você, como capoeirista, se usado de maneira apropriada, você pode construir muito mais do que você acha. Precisamos dessa energia hoje para poder construir uma nova aldeia, uma aldeia global, aonde todo mundo vai (boiar), cada um dentro do seu próprio ovo, sem quebrá-lo, por outros ... (Inaudível) a menos que nós queiramos. Como eu disse, esta foi uma palestra breve... falei demais? Se for o caso eu paro aqui. Se tiverem alguma pergunta, podemos respondê-la aqui ou fora. Muito obrigado. .APLAUSOS.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cobrinha: O Daniel vai apresentar o Dr. Fu-Kiau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daniel Dawlson: O Dr. Fu-Kiau é um tipo raio de estudioso. Ele nasceu em Manianga, Zaire, hoje República do Congo. É um local muito importante para as tradições do Congo. Dr. Fu-Kiau também tem duas educações. Ele tem o doutorado numa universidade ocidental, mas também ele foi educado nos ensinamentos tradicionais africanos. Ele foi iniciado em três academias diferentes, na África. Um que um dos mais importantes capoeiristas cantou sobre. O nome desse local é Lemba. É um local muito importante na África para o conhecimento tradicional. Muito desse material (ensinamentos) que nós vemos agora vem desse... Lemba. Ensinamento Lemba. Ele foi também um dos primeiros africanos a abrir um instituto na África, em 1963, para coletar informações sobre culturas tradicionais na África. Foi a primeira instituição criada por um africano. Muitos destes estudiosos jovens, aprendem destas instituições...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cobrinha: Muitos destes estudiosos jovens aprenderam sobre cultura tradicional através deste instituto, desse material coletado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daniel Dawlson: Ele escreveu seis livros. Ele é considerado escritor predominante sobre a cultura congo. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;DEBATE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Acordeon: Em primeiro lugar, parabéns Dr. Fu-Kiau, aprendi bastante. Obrigado pela palestra, nós temos sempre que aprender, mas eu gostaria de fazer também alguns comentários. Quero pedir a permissão dele, com todo respeito que faço, não somente por ele, pela palestra dele, como também pelo conhecimento que ele tem. Eu tenho morado nos Estados Unidos por 18 anos, e tenho a oportunidade de intervir de alguma forma como nós apresentamos, nós estudamos alguns desses aspectos que se relaciona com a nossa cultura. No específico da capoeira, durante esse tempo nos Estados Unidos, eu recolhi muitas teses de doutorado, de mestrado... eu tenho examinado por algum tempo, e naturalmente capoeira é importante, porque é uma arte africana em essência, e interessa a muita gente, mas eu tenho dificuldades em alguns aspectos. A capoeira tem uma história longa no Brasil, não somente através da tradição oral como também através de registros escritos. Eu tenho examinado que existe uma tendência, nos Estados Unidos, dessas teses, desses trabalhos destes estudiosos, de se classificar a capoeira dentro de uma perspectiva que não leva em consideração essa trajetória histórica da capoeira no Brasil. A maioria desses trabalhos, dessas pessoas, que escrevem, que falam, que estudam capoeira, não conhecem suficientemente da língua portuguesa para examinar essa literatura que nós temos, nem a nossa história. Então o pessoal se baseia dentro da literatura, em inglês, sobre artes africanas, sobre história africana, sobre rituais africanos. Eu acredito que o estudo desta literatura sobre temas africanos, sobre as artes africanas, filosofia e tudo o mais, é de fundamental importância para nós entendermos a... brasileira, para nós entendermos a nossa herança cultural africana, mas na verdade, estes estudos não explicam... Através de a capoeira se apresentou de forma diferente, e foi uma questão de sobrevivência da capoeira (&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;) Então eu pergunto: quanto válido é se aplicar o modelo africano que nós levantamos através do estudo, da literatura e do material desta ...sobre capoeira que é uma arte essencialmente africana, em termos de elementos foimativos, mas que através do tempo mudou tanto, se apresentou com tanta roupagem, se nós já reconhecemos, já registramos, existe, está na literatura, só que não é disponível para (inaudível). Então eu perguntei pro Dr. Fu-Kiau qual é a validade de se aplicar genérico de uma arte, de forma tão mutável, porquê a meu ver é (me esqueci do termo em português...) um erro metodológico de pesquisas, de trabalhos em termos de estudos antropológicos, em termos de deduções analíticas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. Fu-Kiau: Sua questão é muito importante. É uma semente viva que você tá jogando aí. É muito difícil responder esta pergunta, só se Makindê estivesse aqui... o que é uma coisa muito difícil... Mas eu vou tentar responder o que pode fazer parte da minha resposta Porque minha resposta não vai ter só uma parte, não vai se resumir em uma parte só. Alguém aqui está com seu filho ou filha aqui? (....) Isto aí é muito importante, isto aí é que é uma das coisas que eu encontrei em toda a minha vida nos Estados Unidos. Na África, nenhum ensinamento vai ocorrer sem a presença das crianças, porque as crianças são nosso futuro.(....) Esta aí é Vera, e Vera é parte de Gabriel. Gabriel não pode ser sem Vera. Ela até que poderia ter tido este filho com um homem que não visse mais. Talvez o pai não fosse nem reconhecer o filho. Mas este homem, não importa aonde ele esteja, este homem tem uma ligação com Gabriel. Ele aceite esta ligação ou não, ele é parte de Gabriel. Como tal, ele é ligado a Vera. Gabriel não será uma semente inteira dentro da comunidade, sem estas duas forças, estes dois V's, protegendo Gabriel. Eles podem ser separados, mas eles têm as responsabilidades para proteger Gabriel. Este aí é o processo de passar o conhecimento. Temos que reconhecer a fonte, porque todas as fontes são sementes, e todas as sementes podem se tornar árvores. Não importa como são os galhos. Estes galhos têm que ser alimentados pelas raízes do tronco, porque eles são parte desta semente. Essas galhos podem ser grandes e bonitos, e estes podem ser fininhos sem muitas folhas. Mas eles são parte da árvore, fazem parte da árvore. A diversidade é importante na vida humana. Mas não tanto quanto a unidade. É verdade que a capoeira passou por muitas mudanças. Mas todas as capoeiras têm uma semente. E esta semente tem que ser reconhecida. Porque sem ela, capoeira não é. Sabemos, por exemplo, de uma dança conhecida, famosa, no Novo Mundo, o Tango. Todo mundo conhece o tango, sabe o que é, e sabemos que tango é uma palavra africana Tango querendo dizer tanga no singular e matanga no plural. O mundo, por si é uma palavra, e o nome matanga é um segundo funeral. Quando um chefe morre dentro de uma comunidade, a comunidade chama todo mundo, até em comunidades distantes, para fazer um encontro.	&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FIM DO LADO B&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FITA 2 LADO A&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. FU-KIAU: Depois que a comunidade souber o que nós devemos, nós coletamos o dinheiro, e pagamos as pessoas, a quem a pessoa está devendo. Quando o balanço está feito, a dança chamada Matanga é aberta, com muitos instrumentos musicais. Quando os escravos chegaram ao Novo Mundo, eles trouxeram esta dança, que ocorria geralmente aos domingos. O Tango não é uma dança no Novo Mundo como ela era no Congo. O Congo não pode reclamar do Tango como ele é hoje em dia. Mas eles reconhecem. Eles foram os doadores do Tango para o Novo Mundo. É importante para o mundo Ocidental saber de onde vem esta palavra Quando nós chegamos no Novo Mundo, nós mudamos os nomes das localidades. Eu fui visitar, há duas semanas atrás, o Grand Canyon, que é um belo lugar nos Estados Unidos. Antes de ir eu perguntei a muitas pessoas educadas, ninguém podia me dar o nome original deste local. Porque nós pisamos este nome. Nós não sabemos o que Grand Canyon era no passado. Nós não sabemos da História que nós estamos pisando, mesmo, quando nós vamos lá no Grand Canyon, porque perdemos o nome deste local. E eu descobri que o noine deste local significa "Fonte do Sal", porque os índios tinham o costume de ir lá e coletar o sal para as comunidades respectivas. E muito importante pra gente saber de onde nós viemos, para então saber para onde estamos indo. Se nós sabemos que estamos encima (ou debaixo da terra). Nós não vamos destruir a terra Porque nós não prestamos muita atenção aonde nós estamos pisando, então nós destruímos. Nós construímos encima, nós andamos em cima, nós cuspimos em cima, nós fazemos amor em cima, mas ninguém pensa que a terra é mais importante do que qualquer outra coisa que nós temos. Nós a estamos destruindo, porque não temos a consciência do seu valor. Tem uma música que nós estávamos cantando na capoeira, essa música "ia, iê, ia ,iê...", eu não lembro bem da música, mas é um nome congo, em que yanya (iaiá) quer dizer mãe, porque é a terra. Porque o capoeirista não pode se tornar parte se ele não conhece a terra Porque você pode voar em cima, mas você não pode esquecer que vai volta à terra. O que é a fonte. Não importa o que eu estou dizendo prá vocês que nós todos somos bantu. E cada um dentre vocês é um Muntu. É um ser humano. Então agora eu vou falar um pouquinho agora sobre a visão de mundo do bantu. O bantu acredita que o nosso mundo é um ovo. Um ovo que pode expandir. E nós acreditamos que nessa expansão muitos mundos estão sendo criados. E a Terra, de acordo com o bantu, foi o primeiro planeta a ser feito, e que todos os planetas do Universo, de acordo com o bantu, passam por quatro passos principais. O primeiro passo é chamado de MUSSOME, que literalmente quer dizer imprimir. Imprimir códigos genéticos. Dentro das árvores, dentro das pessoas, dos povos... e depois dessa posição que é chamada de Mussome, é também a posição concebida como Big Bang no Ocidente. Aí vem o processo KULINGUI. Esse processo de resfriamento levou muitos e muitos e muitos anos, até que a terra tornou-se sólida. Aí veio o estágio dois. E este estágio chamado KALA, é o estágio de nascimento da terra. É também nesse estágio que a vida sobre a terra, no seu nível mais inicial, no seu nível mais inferior começou. As plantas começaram a crescer. E aí vem o terceiro estágio, que é vermelho, e esse terceiro estágio, a terra testemunha o nascimento dos animais. E aí vem o quarto estágio, que é LUVEMBA, e que eu conheço muito bem, e que PEMBA é muito conhecido aqui no Brasil. Então PEMBA e LUVEMBA são a mesma palavra. Então é nesse estágio que ocorre o Homem ou o ser humano. Com o nascimento do Homem sobre a terra, nós ternos também a morte, FUÁ, ou LUFUÁ, que é morte. E aí o processo se completa. Esse processo, ele ocorre hoje no universo. Para as pessoas bantu, eles vão dizer que a lua está nua porque...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MUTÁ IME: ...Possa pensar que nós temos que nos unir para um novo mundo. Nos prepararmos para um mundo melhor. Eu gostaria de cantar uma canção em comemoração ao término da fala do Dr. Fu-Kiau. Eu repetirei aquela cantiga que o emocionou tanto, e que também significa LEVANTAR, SE ERGUER E CAMINHAR, já que estamos hoje celebrando TEEMPO, MOVIMENTO, CAMINHADA, AÇÃO E PENSAMENTO.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FIM DO LADO B&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1654595074002003755?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1654595074002003755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/palestra-do-dr-fu-kiau-salvador-1997.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1654595074002003755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1654595074002003755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/palestra-do-dr-fu-kiau-salvador-1997.html' title='Palestra do Dr. Fu Kiau (Salvador, 1997)'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-1433795076374532052</id><published>2011-08-19T17:04:00.000-07:00</published><updated>2011-08-19T17:07:17.804-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>Mestre Pastinha - É luta, é dança, é capoeira</title><content type='html'>Entrevista realizada por Roberto Freire e publicada na revista Realidade, em 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois homens vão lutar. Estão acocorados um diante do outro, presos ao ritmo de uma estranha música. Atrás deles, um velho toca berimbau e puxa o canto que será repetido pelos outros cinco instrumentistas. Todos os seus versos terminam com a palavra camarada. O nome do velho é mestre Pastinha. A luta vai se travar em sua Academia, no bairro do Pelourinho em Salvador, na Bahia. Um dos músicos retira o berimbau das mãos do mestre, que estende os braços à procura das cabeças dos lutadores. Ele diz um último verso: é a senha para o início da luta. Os dois homens vão lutar capoeira, e se benzem quando a mão do mestre deixa suas cabeças. Surgem os primeiros golpes. Só mestre Pastinha não os vê. mas parece pressentir. Ele está quase cego, mas sabe tudo sobre capoeira, que lutou, invencível, até os 78 de idade. A história da sua vida alcança quase toda a história da capoeira no Brasil. Ele a conta assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Compreende melhor quem vê a luta. Ela parece uma dança, mas não é não. Capoeira é luta, e luta violenta. Pode matar, já matou. Bonita! Na beleza está contida sua violência. Os meninos estão só mostrando, os golpes passam raspando ou são contidos antes de atingir o adversário. Mas mesmo assim ela é bonita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Tudo o que eu penso de capoeira um dia escrevi naquele quadro que está na porta da Academia. Em cima, só estas três palavras: Angola, capoeira, mãe. E, embaixo, o pensamento: Mandinga de escravo em ânsia de liberdade; Seu princípio não tem método; Seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Mas tem muita história sobre o começo da capoeira que ninguém sabe se é verdadeira ou não. A do jogo da zebra é uma. Diz que em Angola, há muito tempo, séculos mesmo, fazia-se uma festa todo ano em homenagem às meninas que ficavam moças. Primeiro elas eram operadas pelos sacerdotes, ficando igual, assim, com as mulheres casadas. Depois enquanto o povo cantava, os homens lutavam do jeito que fazem as zebras, dando marradas e coices. Os vencedores t inham como prêmio escolher as moças mais bonitas entre as operadas. Pode não ser verdade, mas os capoeiristas de hoje bem gostariam que fosse, desde que suas vitórias tivessem prêmio igual...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Bem, mas de uma coisa ninguém duvida: foram os negros trazidos escravos de Angola que ensinaram capoeira para nós. Pode ser até que fosse bem diferente dessa luta que esses dois homens estão mostrando agora. Me contaram que tem muita coisa escrita provando isso. Acredito. Tudo muda. Mas a que a gente chama de capoeira de Angola, a que aprendi, não deixei mudar aqui na Academia. Essa tem pelo menos 78 anos. E vai passar dos 100, porque meus discípulos zelam por mim. Os olhos deles agora são os meus Eles sabem que devem continuar. Sabem que a lula serve para defender o homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os negros usavam capoeira para defender sua liberdade. Pode ser até que o nome da luta venha justamente disso. Negro fugia era para o mato. Se algum capitão-do-mato o alcançava, se era um a um, numa clareira, numa capoeira - então, ali, o negro era mais livre para se defender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E dizem também que esse jeito de lutar de brincadeira como ainda fazemos hoje, era a maneira do escravo se exercitar, disfarçando de bailarino na frente do feitor. Acho que é até verdade, capoeirista é mesmo muito disfarçado, ladino e malicioso. Contra a força, só isso mesmo. Está certo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Mas o que serve para defesa serve também para o ataque. A capoeira é tão agressiva quanto perigosa. Quem não sabe lutar é sempre apanhado desprevenido. Malandros e gente infeliz descobriram nesses golpes um jeito de assaltar os outros, vingar-se de inimigos e enfrentar a Polícia. Foi um tempo triste da capoeira. Eu conheci, eu vi. Nas bandas das docas... Luta violenta, ninguém a pode conter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Agora que o ritmo está mais apressado, sinto a agilidade desses dois homens e imagino cada um dos seus golpes acertando em cheio o adversário. Imagino raiva, medo, despeito, desespero, empurrando esses pés... Uma vez vi um capoeirista afugentar uma patrulha inteira. Outra coisa: um lugar escuro, uma mulher, chega um cara querendo coisa - homem querendo mulher está sempre desprevenido - então, de repente, ele recebe um golpe, só um e cai ferida desacordado ou morto. Sim senhor, havia capoeirista malandro que se vestia de mulher para roubar os dão- joãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Eu sei que tudo isso é mancha suja na história da capoeira, mas um revólver tem culpa dos crimes que pratica? E a faca? E os canhões? E as bombas? O que eu gosto de lembrar sempre é que a capoeira apareceu no Brasil como luta contra a escravidão. Nas músicas, que ficaram até hoje, se percebe isso. Uma é essa que eles estão cantando e que eu vou cantar junto: "E, valha- me Deus, camarada. / E, água de beber, camarada. / E, que vai fazer, camarada./ E, ele é mandingueiro, camarada. / E, ele é cabeceiro, camarada./ E, faca de ponta, camarada. / E, faca de matar, camarada./ E, o galo cantou, camarada./ E, có-có-ró-có, camarada;/ E, a volta do mundo, camarada./ E, é o que o mundo dá, camarada'.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Entenda quem quiser, está tudo aí nesses versos o que a gente guardou daqueles tempos. Tem brincadeira também; vou fazer uma pra um desses dois lutadores. Minha voz, mesmo baixa e de longe, eles escutam: 'E, valha-me Deus./ valha-me Nossa Senhora da Vitória./ Vi esse menino agora / lá no reino da glória. / Menino se eu quisesse, / (ah, ah, ah) tinha lhe botado fora'. Pois capoeira é luta, sim mas é folclore e tradição bonita também. E a gente conservou ela pura, todos fazendo escola, criando academias e ganhando o respeito do povo, dos artistas, dos estudiosos e do governo. Digo a gente, lembrando os grandes capoeiristas do passado. Já estão mortos. Cada nome destes é uma história: Bigode de Seda, Américo Ciência, Bugalho, Amorzinho, Zé Bom Pé, Chico Três Pedaços, Tibirici da Folha Grossa, Doze Homens, Inimigo Sem Tripa, Zé do U, Vitorino Braço Torto, Zé do Saco, Bené do Correio, Sete Mortes, Chico Me Dá. Só pelos apelidos dá para saber como eram, como lutavam. E tinha duas mulheres também: Júlia Fogareira e Maria Homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Toda essa gente praticava a pura capoeira de Angola como eu até hoje e esses meninos que estão aí. Tem grandes capoeiristas vivos que mudaram a forma de lutar, mas continuam sendo grandes mestres. Falo do Mestre Bimba que pratica a capoeira regional, e de Carlos Senna que inventou a capoeira estilizada. Agora que não luto mais, confio em dois contra-mestres meus para a a conservação da capoeira de Angola: João Oliveira dos Santos e João Pereira dos Santos - João Grande e João Pequeno. É o que tem de melhor, na Bahia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Estes versos eu fiz para homenagear eles: 'Eu tenho dois meninos / que se chamam João / um é cobra mansa / e o outro é gavião. / Um joga no ar (ah, ah, ah) / e o outro se enrosca pelo chão'.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Esses dois aprenderam com a Academia mas eu aprendi com a sorte. Quando tinha uns 10 anos - eu era franzininho - um outro menino mais taludo que eu tomou-se meu rivaL Era só eu sair para a rua - ia na venda fazer compra, por exemplo - e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido, de vergonha e tristeza. Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga da gente. 'Vem cá. meu filho', ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. 'Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia'. Foi isso o que o velho me disse e eu fui. Então ele me ensinou a jogar capoeira, todo dia um pouco, e aprendi tudo. Ele costumava dizer 'Não provoque, menino, vai botando devagarzinho ele sabedor do que você sabe'. Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito. O velho africano chamava-se mestre Benedito, era um grande capoeirista e quando me ensinou o jogo tinha mais idade do que eu hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Aos 12 anos, em 1902, eu fui para a Escola de Aprendiz de Marinheira Lá ensinei capoeira para os colegas. Todos me chama-vam de 110. Saí da Marinha com 20 anos. Vida dura, difícil. Por causa de coisas de gente moça e pobre, tive algumas vezes a polícia em cima de mim. Barulho de rua, presepada. Quando tentavam me pegar eu lembrava de Mestre Benedito e me defendia. Eles sabiam que eu jogava capoeira, então queriam me desmoralizar na frente do povo. Por isso, bati alguma vez em polícia desabusado, mas por defesa de minha moral e do meu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Naquele tempo, de 1910 a 1920. o jogo era livre Passei a tomar conta de casa de jogo. Para manter a ordem. Mas. mesmo sendo capoeirista, eu não me &amp;nbsp;descuidava de um facãozinho de doze polegadas e de dois cortes que sempre trazia comigo. Jogador profissional daquele tempo andava sempre armado. Assim, quem estava no meio deles sem arma nenhuma bancava o besta. Vi muita arruaça, algum sangue, mas não gosto de contar casos de briga minha. Bem, mas só trabalhava quando minha arte negava sustento. Além do jogo, trabalhei de engraxate, vendia gazeta, fiz garimpo, ajudei a construir o porto de Salvador. Tudo passageiro, sempre quis viver de minha arte. Minha arte é ser pintor, artista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Foi em 1941 que minha vida mudou. Foi na Ladeira da Pedra, fim da Liberdade, no bairro da Gingibirra. Um ex-aluno meu, de nome Aberré, bom capoeirista, já morto, me convidou para apreciar uma roda de capoeira. Na roda só tinha mestre. O mais mestre dos mestres era Amorzinho, um guarda civil. No apertar da mão me ofereceu tomar conta de uma Academia. Eu dei uma negativa, mas os mestres todos insistiram. Confirmavam que eu era o melhor para dirigir a Academia e conservar pelo tempo a capoeira de Angola. Fundei então o Centro Esportivo de Capoeira de Angola, em 1941, e registrei a Academia em 1952. Botei carteira para capoeiristas. Meus meninos são diplomados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Saem daqui sabendo tudo. Sabendo que a luta é muito maliciosa e cheia de manhas. Que a gente tem que ter calma. Que não é uma luta atacante, ela espera. Capoeirista bom tem obrigação de chorar no pé do seu agressor. Está chorando, mas os olhos e o espírito estão ativos. Capoeirista não gosta de abraço e aperto de mão. Melhor desconfiar sempre das delicadezas. Capoeirista não dobra uma esquina de peito aberto. Tem de somar dois ou três passos à esquerda ou à direita para observar o inimigo. Não entra pela porta de uma casa onde tem corredor escuro. Ou tem com o que alumiar os esconderijos da sombra ou não entra. Se está na rua e vê que está sendo olhado, disfarça, se volta rasteiro e repara de novo no camarada. Bom, se está olhando ainda, é inimigo e o capoeirista se prepara para o que der e vier.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Capoeira de Angola só pode ser ensinada sem forçar a naturalidade da pessoa, o negócio é aproveitar os gestos livres e próprios de cada qual. Ninguém luta do meu jeito, mas no deles há toda a sabedoria que aprendi. Cada um é cada um.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Não se pode esquecer do berimbau. Berimbau é o primitivo mestre. Ensina pelo som. Dá vibração e ginga no corpo da gente. O conjunto de percussão e com o berimbau não é arranjo moderno, não, é coisa dos princípios. Bom capoeirista, além de jogar, deve saber tocar berimbau e cantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E jogar precisa ser jogado sem sujar a roupa, sem tocar no chão com o corpo. Quando eu jogo, até pensam que o velho está bêbado, porque fico todo mole e desengonçado, parecendo que vou cair. Mas ninguém ainda me botou no chão, nem vai botar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Tenho um lema na vida: gosto de entrar sempre por baixo, para ver como é que saio. Não me casei ainda, já tive muitos filhos mas morreram todos. Tenho agora uma camaradinha que está louca para casar comigo. Dessa, não sei se escapo, não. Mas ainda é muito cedo para decidir. Depois, até agora não arrumei recursos para poder casar. Fome dá margem para muita coisa ruim. Se ao menos eu tivesse uma casa para morar, então eu me casava. Porque casa é o que mais mata o pobre, e mata na cabeça, ela come o pirão que os meninos deviam comer. Por isso não caso e o resto deixo à disposição de Jesus. Não fosse Jesus tava na sarjeta hoje, pedindo esmola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"E tudo isso no Brasil! Brasil que tem pra dar, vender, jogar fora e negar a seus filhos. Mas fica tudo dependendo dos decretos. Saem os decretos e eles vão caducando, caducando, como caducou o grito da Independência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Aprendi só o primeiro livro, mas direito. O resto foi a vida que me ensinou. Ensinou a ver. Tem coisas que a gente vê e que os letrados, os professores, os políticos, não escrevem. Gostaria de ter estudado mais, mas quem não tem pão para levar para casa pode ficar lendo dicionário?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O homem pode falar duas linguagens, mas uma delas é falsa. Não sou católico nem sou de candomblé. Eu creio em Deus, num só. Respeito gente de religião quando há respeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Já viajei bastante pelo Brasil, já fui até na Africa. Em Angola, não, mas quero ir. Só para comparar a capoeira daqui e a de lá. Na hora de elogiar é Pastinha pra cá e pra lá, mas quando é viagem e apoio do governo para a capoeira de Angola, sou esquecido. É sempre assim: o trabalho é do feio para o bonito comer. Eu estou falando assim porque é modo de pensamento. Não é revolta contra a natureza. A natureza não liga para nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Meu livro sobre capoeira de Angola vou vendendo e vou comendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Quem me ajuda mais é Jorge Amado. Jesus lhe dê força e coragem. É muito mal empregado dizer que eu sou amigo de Jorge Amado. Ele é que é meu amigo. Quem precisa de Jorge Amado sou eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Agora só falta dizer uma coisa bonita. O que vai sair na revista eu vou poder ler porque os meninos da Academia estão juntando dinheiro para pagar a operação dos meus olhos. Eles dizem que precisam do que ainda posso ver. Bonito, não?"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1433795076374532052?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1433795076374532052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/e-luta-e-danca-e-capoeira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1433795076374532052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1433795076374532052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/e-luta-e-danca-e-capoeira.html' title='Mestre Pastinha - É luta, é dança, é capoeira'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-6743132102154904656</id><published>2011-08-16T03:28:00.001-07:00</published><updated>2011-08-16T03:28:38.182-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversários'/><title type='text'>Aniversário do Mestre Pastinha</title><content type='html'>Hoje é o 122o aniversário de Vicente Joaquim Ferreira Pastinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve o Mestre Pastinha, e o seu legado - os jogadores leais, que sabem parar o pé, que sabem ser falta usar as mãos no outro camarada, e que não são bobos na mandinga.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6743132102154904656?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6743132102154904656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/aniversario-do-mestre-pastinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6743132102154904656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6743132102154904656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/aniversario-do-mestre-pastinha.html' title='Aniversário do Mestre Pastinha'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2875003965080036701</id><published>2011-08-15T14:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-16T04:52:49.156-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'>Aspectos da influência africana no Brasil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;por Gilberto Freyre&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;publicado originalmente na Revista Cultura, 1976&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que o Brasil começou a ser pré-Brasil como projeção humana e cultural da Europa - especificamente de Portugal - é fato inconfundivelmente histórico. Mas não explica por si só nem o aparecimento do Brasil como nova entidade sócio-cultural no mundo que se considere "moderno" - dando extensão sociológica a adjetivo tão impreciso - nem a sua consolidação em sistema nacional de convivência e de cultura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa consolidação se processaria através da confluência de outras presenças ou de outras contribuições, além da européia. Um processo complexo e abrangente. O lastro de cultura e de população ameríndias não pode ser nunca desprezado. Mesmo porque subsiste. Mas a ele se acrescentaria fortemente outra presença não-européia: a negra africana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A quase imediata, após o descobrimento do Brasil, presença negra africana no mesmo processo daria, paradoxalmente, a um elemento por algum tempo considerado inferior por historiadores e até antropólogos eurocêntricos, categoria, segundo nova e até revolucionária perspectiva, de co-colonizador do europeu ou do português. Daí ser oportuno aplicar-se essa perspectiva — e esse neologismo — à consideração daqueles relacionamentos culturais que, superando os étnicos, vêm resultando numa nação brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de que, ao referir-me em trabalho já remoto à contribuição cultural de negros da África, como valiosíssima para a formação brasileira, provoquei senão protestos, restrições, da parte daqueles intelectuais brasileiros, então ainda pouco inteirados do sentido antropológico ou sociológico da palavra cultura. Cultura negra? Cultura africana? Não havia. Daí protestos contra a tese da importância — importância que fui dos primeiros a procurar sugerir à base da antropologia mais científica — fora discípulo do antropólogo Franz, Boas, na Universidade de Colúmbia — &amp;nbsp;da influência de culturas africanas sobre a formação da cultura que viria a definir-se como brasileira. Curioso é terem vindo algumas dessas restrições de intelectuais, depois eminentes homens públicos; e, como tal, entusiastas da causa — pois é hoje uma causa — da aproximação do Brasil das culturas — pois já são tidas tranqüilamente como culturas — negras, da África, sem que isto signifique repudio à predominância de valores culturais europeus na formação brasileira. Pois o que o Brasil pretende é ser não anti-europeu, mas o contrário de sub-europeu, com as presenças não-européias na sua população e na sua cultura, valorizadas como merecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que motivos, além dos somente emocionais e apenas políticos, de momento, temos para uma maior aproximação do Brasil com a África, à base dessas afinidades culturais é assunto que precisa de ser considerado nas suas bases. E a consideração desses fundamentos leva-nos de início à revisão de conceitos de Homem e de Cultura situados que retifiquem os de Homem Abstrato e de Cultura independente de sua ecologia, como se tal cultura fosse, por sua vez, outra abstração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conceito de Homem Abstrato está hoje, em grande parte, substituído pelo de Homem situado. O do Homem situado no Trópico é um conceito partido do Brasil e proclamado como válido pelos mestres da Sorbonne. O Homem, que o antropólogo estuda, comporta-se, em grande parte, situacionalmente. As instituições, os estilos de vida, as culturas que o Homem, assim situado, cria, conserva, desenvolve são instituições, estilos e culturas também condicionados, quando autênticos, por situações ou por ecologias. Situações de espaço físico que se projetam sobre situações de espaço sócio-cultural, condicionando, em grande parte, não só o caráter de instituições sociais e de culturas como a sua distribuição do espaço; a posição de umas com relação a outras; a maior ou menor cooperação ou a maior ou menor competição entre elas, instituições e entre grupos culturais. Na verdade — quando autênticos — instituições e grupos sócio-culturais inter-relacionados se apresentam psicoculturais. Compreende-se assim que das jovens nações africanas várias venham desenvolvendo, nas suas formas de existir e de coexistir, os chamados socialismos africanos, em vários pontos essenciais, diferentes dos marxismos ortodoxamente russos ou chineses. Do mesmo modo se compreende que o Brasil venha, há anos, experimentalmente se empenhando em desenvolver sua própria forma política de ser democracia, sem ouvir conselhos nem do The New York Times nem de Le Monde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As culturas negras da África, juntamente com negros antropologicamente negros, isto é, através deles, quer como indivíduos biológicos, quer, mais do que isso, como pessoas sociais ou sócio-culturais, passaram, desde o século XVI, a fazer sentir sua presença na formação de um tipo miscigenado de homem paranacional e de uma configuração pré-nacional de cultura. Essa presença foi de tal modo ativa, dinâmica, influente, africanizante, que fez dos negros vindos da África para o Brasil, embora escravos, co-colonizadores - repita-se - desta parte da América, ao lado dos europeus, máximos como fundadores de nova cultura, em face de ameríndios aqui menos culturalmente desenvolvidos que aqueles negros africanos, desde o século XVI tão presentes no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Biologicamente presentes. Culturalmente presentes. Presentes e marcantes, atuantes, influentes, contribuintes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contribuindo, através da mistura física, para a emergência de novos tipos de homens e novas formas de beleza de mulher. E através da mistura cultura para novas combinações culturais, como valores ou traços de origem negra ou de procedência africana colorindo valores e traços de cultura não só indígenas ou ameríndios como vindos criativa germinalmente não só da Europa como de certas áreas culturais da África. Vindos principalmente da Europa ibérica: a mais ativamente colonizadora do Brasil e ela própria já tocada, na Europa, por influências negras ou africanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí justificar-se aquele neologismo criado por sócio-antropólogo brasileiro: co-colonização. Conceito que corresponderia à caracterização do negro africano, a despeito de sua condição de escravo, como co-colonizador do Brasil com considerável influência aculturativa sobre o ameríndio, menos desenvolvido em sua cultura do que o negro africano. Um negro africano mais atuante no processo de formação biocultural brasileira do que o ameríndio de cultura menos desenvolvida que a dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato de virem se formando no Brasil uma sociedade e uma cultura nacionais para as quais vêm concorrendo tão incisivamente o europeu e o negro africano, ao lado do ameríndio, não significa uma sociedade e uma cultura fechadas a outras presenças. Há brasileiros das mais diversas procedências étnicas e culturais. Inclusive, há cerca de meio século, a japonesa, cada dia mais presente na composição da população e no desenvolvimento de uma civilização que, sendo euro-afro-ameríndia nas suas bases e nas suas constantes, não se arreceia das contribuições que lhe possam vir de outras fontes de energia humana e de vigor cultural, antes estima tais contribuições e os seus valores. Que assim é que as civilizações já seguras de suas bases e firmes nas suas constantes se engrandecem e se enriquecem; e não fechando-se nessas bases e nessas constantes e recusando outras presenças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As idéias sobre tropicalismo em geral, e sobre Tropicologia, em particular, que estão partindo do Brasil, acentuam ser o mesmo Brasil parte de uma complexa civilização ecologicamente tropical, espalhada pelo Oriente, pela Africa, pela América, por outras áreas. Uma civilização ao mesmo tempo transnacional e multinacional, tendo por base a ecologia tropical e formada por um conjunto de áreas, todas tropicais ou quase tropicais. E todas marcadas por presenças européias unidas ou apenas justapostas às nativas. Umas e outras viriam, inter-relacionadas, pelas suas comuns condições ecológicas e pelos seus também comuns motivos essenciais de vida, constituindo-se em conjuntos pré-nacionais e depois nacionais, através de processos desenvolvidos num tempo mais que histórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desenvolvidos em espaços tropiais. Em trópicos quer úmidos, quer áridos. Assim viriam se definindo condições sócio-tropicais e motivos predominantemente tropicais de vida e de desenvolvimento social. Estudos de tais situações estão esboçados em vários trabalhos brasileiros, aparecidos recentemente. Pois no Brasil há anos funciona, numa universidade federal, a de Pernambuco, um pioneiro Seminário de Tropicologia, especializado no estudo interdisciplinar de tais problemas. Enquanto o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, pelo seu Departamento de Antropologia e pelo seu Museu Antropológico, é outro centro de estudos socio-tropicais, ao lado do que funciona na Universidade Federal da Bahia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os condicionamentos ecologicamente tropicais de &amp;nbsp;formações sócio-culturais como a do Brasil euro-afro-ameríndio nas suas bases étnico-culturais, incluem, é claro, os que se refletem sobre suas formas de economia ou de governo, ainda em fase, quase todas de experimentação. Tal arrojo experimental não significa, no caso brasileiro, um Brasil anti-europeu e sim um Brasil apercebido de que, em vários aspectos do seu comportamento sócio-cultural, tem que ser extra-europeu. Para o que o advertem há meio século aqueles seus pensadores e cientistas sociais brasileiros, criadores de perspectivas sociológicas e antropológicas que, sem deixarem de ser ecumenicamente científico-sociais, são brasileiras, ecológicas eurotropicais nas suas aplicações ou projeções. E algumas, susceptíveis de ser utilizadas por outras sociedades nacionais em começo de desenvolvimento em espaços tropicais. Espaços onde agora madrugam ou amanhecem várias nações novas, algumas a enfrentarem problemas já enfrentados pelo Brasil euro-afro-ameríndio no seu modo de ser nação situada nos trópicos. No trópico úmido e no trópico árido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São nações, várias das jovens repúblicas da África e do Oriente, ainda inseguras, e, por isto, por vezes anti-européias em suas atitudes e até fazendo, algumas delas, da negritude ou da amarelitude perigosas místicas racistas. A essas, como a outras nações novas, pode aproveitar a experiência de um Brasil há mais de século independente e há quatro séculos em desenvolvimento, primeiro pré-nacional, depois nacional, como civilização a procura de suas próprias formas de expressão dentro de uma ecologia tropical e sem repúdio aos valores europeus ligados incisivamente à sua base nacional. E já com uma arquitetura, com uma música, com uma pintura, com uma culinária, com um cristianismo, com um estilo de convivência, com uma higiene, com um futebol — futebol mais dionisíaco que britanicamente apolíneo — com um samba, em que se exprime, sob esses vários aspectos, um tipo de civilização novo. Novo, sobretudo, por ser mestiço, senão sempre nos sangues, nas interpenetrações de cultura. Interpenetrações que se afirmam em expressões que Blaise Cendras, o viajadíssimo Cendras, considerou tão significativas, ao destacar a cozinha brasileira como uma das três grandes cozinhas do mundo, as outras duas sendo, segundo ele, a chinesa e a francesa. Ora, a presença negra ou africana na cozinha brasileira é marcante: nos gostos como nos odores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sendo especificamente brasileiro, esse novo tipo de civilização é, nas suas características mais amplas, vigorosamente tropical pelo que inclui de valores europeus, quer humanos quer culturais, integrados em ambiente ou em ecologia tropical. Valores europeus desde os começos do Brasil misturados a valores mouros, indianos, ameríndios, africanos. Valores europeus, além dos ibéricos: ingleses, franceses, italianos, alemães, junto com os semitas, judeus, árabes e indianos, também presentes nos começos de civilização tão complexa. Paradoxalmente quase se poderá dizer: tão singularmente plural, além de complexa. Pois a formação do Brasil - singularidade brasileira - tem, desde seus começos, presenças as mais diversas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coexistência, nos começos de uma sociedade e, ao mesmo tempo, de uma cultura que viria a caracterizar-se como uma presença&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;moderna em espaço tropical parece ter predisposto o Brasil a combinar, de forma evidentemente feliz, &amp;nbsp;presenças aparentemente inconciliáveis ou incompatíveis como a européia e, além da ameríndia, a africana. O mito dessa incompatibilidade o Brasil vem destruindo de maneira irrecusável. Tais presenças, a formação &amp;nbsp;brasileira vem demonstrando que podem harmonizar-se sem uma das etnias tornar-se absoluta no seu domínio sobre as outras. Diga-se talvez melhor: com as três tendo oportunidades de se fazerem sentir, quer na formação, pela mistura biológica, de um novo tipo a princípio pré-nacional, depois nacional, de homem, quer no desenvolvimento de uma cultura também caracteristicamente nacional, complexa e abrangente no que a certa altura passou a receber, a admitir, a integrar de contribuições culturais vindas de outras procedências, além das básicas, às quais, com o tempo, se acrescentariam sem a elas se sobreporem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Significativo neologismo antropossociológico brasileiro é, entre outros, metarraça. Significa além-raça. Pretende-se, com a expressão metarraça, definir uma consciência crescentemente típica do brasileiro como homem nacional, que tende a considerar insignificante a condição ou a origem étnica desse homem para só estimar o seu status, além de nacional, ecologicamente tropical e dinamicamente ocidental, de brasileiro. Já há anos os inquéritos oficiais brasileiros não indagam qual a cor ou qual a raça do inquirido: basta saber-se que é brasileiro. Condição - a de brasileiro - que vem sendo crescentemente identificada com a de moreno, embora essa identificação não signifique que todo brasileiro, para ser autêntico, deva ser biologicamente mestiço. O que ele não pode deixar de ser é culturalmente complexo. Moreno por ser negróide, em vários casos. Moreno por ser brunet. Moreno por ser bronzeado pelo sol tropical. Um amorenamento tão procurado pelo brasileiro crescentemente esportivo, ao se expor quase nu ao sol das praias. Procura, essa, tanto da parte de brunets para se amorenarem ainda mais quanto da parte de louros, hoje, no Brasil, como que sob a impressão de serem, como louros não amorenados pelo sol tropical, uns como intrusos na verdadeira natureza ou na verdadeira ecologia do seu país. Que brasileira, hoje, no Brasil, capricha em se conservar, como foi tendência entre suas avós, imune da ação morenizante do sol sobre sua pele de mulher imaculadamente alva? Esse amorenamento estético e ecológico pela ação do sol junta-se à morenidade por efeito da miscigenação cada dia mais extensa e mais generalizada entre os brasileiros. Morenidade mais que valorizada esteticamente, ao mesmo tempo que considerada evidência de integração do moreno, ou do amorenado, na ecologia tropical do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se passa na área biológica também se está verificando na área sociológica. As evidências de presença de valores ou de influencias africanas nessa área o brasileiro de hoje não as considera desprimorosas para a sua gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Note-se, por exemplo, a muita africanização que vem fazendo do catolicismo, no Brasil, um culto repleto de símbolos, ritos, característicos que, sendo oficialmente os romanos, juntam à sua origem européia influências recebidas de crenças e de práticas religiosas do mais puro sabor africano. O culto da Virgem Maria que o diga, com suas assimilações do africano, de Iemanjá. Há, no Brasil, Nossas Senhoras, para os seus devotos, negras como a do Rosário ou pardas escuras como a de Guadalupe; e às quais se fazem promessas através de ex-votos que se constituíram, no Brasil, numa arte rústica de escultura em madeira e em barro, na sua maior parte muito mais africana do que européia no seu modo de ser brasileira. Também essas promessas envolvem, na sua sacralização de cores, significados simbólicos dessas cores que serão, vários deles, mais africanos nas suas implicações do que europeus. Ou do que ortodoxamente cristãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O maracatu é uma dança aparentemente recreativa e até carnavalesca que nos seus significados mais íntimos, representa toda uma complexa infiltração africana na religiosidade brasileira. Essas infiltrações se encontram, através dos chamados sincretismos, em não poucos dos cultos de santos que caracterizam o catolicismo praticado no Brasil: o culto de São Jorge, por exemplo. O de Santa Bárbara. O dos Santos Cosme e Damião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os puristas da ortodoxia católica como um conjunto de crenças e ritos que deveriam conservar-se no Brasil rigorosamente fiéis a origens européias, tais infiltrações africanas representam degradação da religião cristã, tão presente na formação brasileira desde os seus começos. Desde aquela Primeira Missa celebrada em plena selva, com indígenas como testemunhas, por um franciscano, logo que o Brasil foi oficialmente descoberto por um almirante português devotamente católico. A verdade, porém, é que para a grande mairoia dos católicos brasileiros, seu catolicismo, com o tempo, se consolidaria, tendo infiltrações místicas e rituais de origem africana, como parte existencialmente válida do seu modo de ser religioso. Ou de ser católico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois tais brasileiros não se consideram menos católicos por seguirem, nas suas práticas religiosas, assimilações de cultos ou de crenças negras ou africanas que vem colorindo, tropicalizando, deseuropeizando seu catolicismo sem que para eles, devotos brasileiros assim penetrados de influências africanas na sua religiosidade cristã, tais infiltrações venham descristianizando ou degradando o seu cristianismo. &amp;nbsp;As infiltrações africanas na religião, como na culinária, na música, na escultura, na pintura de origem européia, representam não uma degradação desses valores mas um seu enriquecimento. Uma sua harmonização com a ambiência, a natureza, e a ecologia tropicais, de que aquele brasielrio de origem africana, ou de cultura tão africana quanto européia, estaria mais próximo do que o preso a heranças exclusivamente européias tanto de sangue como de cultura. Isto não só quando, atualmente, católico no seu modo de ser religioso como quando adepto de cultos afro-brasileiros, predominantemente africanos nos seus ritos sem deixarem de ser católicos em parte considerável nas suas crenças. Evidências da muita interpenetração cultural que em vários setores vêm ocorrendo no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os exemplos aqui apresentados de influências ou presenças africanas ou negras na biologia e na cultura do brasileiro parecem indicar quanto essas presenças ou essas influências vêm sendo fortes no Brasil. Seria inexato dizer-se que o Brasil é uma África americana, pela preopnderância em grande número de brasileiros de sangues e de heranças culturais africanas. E sendo inexata tal africanidade da gente e da cultura brasileiras, resulta artificial a pretensão de estender-se a esta parte da América a mística de uma negritude rígida que fizesse de numeroso brasileiros simples transplantes de africanos, a espera de reintegração numa espécia de África maternalmente negra que estendesse até a América brasileira direitos de posse. Que estendesse esses direitos maternalmente. Imperialmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que existe de antropológica e sociologicamente válido é uma presença africana no que, no Brasil de hoje, é tanto sociedade como cultura - cultura no seu sentido antropossociológico - impossível de ser subestimada. Impossível de deixar de ser considerada como efeito biossocial do que se admita ter sido uma co-colonização africana desta parte da América, ao lado da européia. Ou da ibérica. Ou da especificamente portuguesa. Quase rival dessa colonização, tais os seus lastros biológicos e culturais, lançados desde o século XVI, para que sobre eles se desenvolvesse, como vem se desenvolvendo, um novo tipo de cultura nacional: a sociedade e a cultura brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É evidente que a colonização européia deu a esse novo tipo de sociedade e a esse novo tipo de cultura um instrumento de intercomunicação que só uma nação européia já unificada e já literariamente desenvolvida lhe poderia ter dado: a língua. No caso, a referida língua portuguesa herdeira da nobremente, prestigiosamente, latina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é também evidente que nenhuma língua européia, das trazidas para os trópicos por europeus, vem se tropicalizando tanto como a portuguesa, no Brasil. Isto pela ação, sobre ela, que não se deve deixar de reconhecer, das línguas indígenas que a paciente erudição dos jesuítas unificou numa língua geral. E essa língua geral, por algum tempo quase tão utilizada, em certas áreas do futuro Brasil, como a própria língua portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a tropicalizaçào que a língua portuguesa vem sofrendo no Brasil - tropicalização e, em parte, deseuropeização - vem resultando principalmente de infiltrações africanas. Só secundariamente das ameríndias. E essas infiltrações africanas na língua portuguesa do Brasil vêm se projetando no desenvolvimento de uma língua literária que já não é uma sublíngua literária com relação à consagrada como academicamente castiça pelos puristas portugueses mais intransigentes. Nela cada dia se afirmam com mais desenvoltura extra-acadêmica ritmos novos ao lado de expressões novas. E esses ritmos e essas expressões, quer na sua musicalidade, quer na sua expressividade, marcados pelo que neles são origens africanas até há algum tempo de uso limitado à chamada boca do povo: plebéias; vulgares; "dizeres de negros"; restos de dizeres de escravos; sobejos de senzalas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com os brasileirismos em ascensão na língua literária do Brasil, começa a afirmar-se, na literatura brasileira, uma presença africana que &amp;nbsp;vinha se limitando a aparecer na literatura oral. No folclore. Em sublínguas regionais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Intensificada a ascensão que aqui se assinala, importará numa maior africanização da língua portuguesa escrita por brasileiros, sem que tal africanização venha a necessariamente importar na substituição da língua essencialmente portuguesa por outra preponderantemente africana. Apenas na maior presença africana numa língua em que os escritores, à proporção que se aprofunda sua identificação com a ecologia tropical, tendem a sentir maior necessidade de recorrerem a vocábulos vindos de línguas tropicais. Vindos de línguas africanas. Isto sem se ter que admitir prejuízo para a língua portuguesa como língua transnacional e não apenas nacional do Brasil ou de Portugal. Pois é lícito admitir-se que venham a tornar a desenvolver-se, no antigo Ultramar Português, línguas literárias estruturalmente portuguesas, grandemente penetradas de tropicalismos. Especialmente de africanismos. E muito particularmente — se tal vier a ocorrer — de brasileirismos cada vez mais presentes na língua portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao que nos levam as considerações aqui esboçadas em torno da importância da presença negra ou africana na sociedade e na cultura brasileiras e na língua portuguesa do Brasil? Levam-nos a sugerir que tal presença vem resultando na formação, entre os brasileiros, quer de uma gente crescentemente, embora não exclusivamente, morena nos seus característicos cromáticos, quer crescentemente extra-européia, sem prejuízo do essencial de sua europeidade, na sua cultura. A místicas como a de um arianismo segregador ou a de uma negritude também segregadora opõe-se, no Brasil, a tendência para sínteses, quer biológicas através da miscigenação, quer sociológicas, através da interpenetração de culturas, nas quais as presenças não-européias são, em certos setores, já tão marcantes como as européias. O Brasil de hoje tende, cada dia mais, a orgulhar-se da presença africana, ou negra, na biologia e na cultura da sua gente. Tende a reconhecer no negro ou no africano um seu co-colonizador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tende, mais, a considerar sua independência, quer política, em particular, ou apenas econômica, quer sócio-cultural, em geral, o resultado menos de uma súbita descolonização que de uma precoce autocolonização: autocoIonização sendo outro neologismo sociológico criado por brasileiro. Tal autocolonização ter-se-ia processado em face de um poder europeu colonizador menos forte ou menos tentacular, nas suas expressões oficiais, que os demais poderes europeus colonizadores. Menos capaz de impor sua vontade e seus cânones à gente colonizada. Mais inclinado a transigir com essa gente, deixando-a sabiamente autocolonizar-se. Deixando o africano agir a seu lado como co-colonizador do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Função — a de colonizar — a que ao português já se associara, por vezes superando o europeu puro, o mestiço euro-ameríndio: daí a grande ação bandeirante na formação brasileira. A do negro já ladino, ou abrasileirado, não seria menor, quer ao lado do português, quer, sob vários aspectos, superando-o, dada aquela sua fácil adaptação de nativo do trópico africano ao trópico brasileiro notada pelo inglês Bates. Adaptação que lhe permitiu, em terras palustres do Brasil, uma atividade ou um esforço difícil de ser desenvolvido pelo europeu colonizador, quando puramente europeu. É o que procuro demonstrar ter sucedido no interior mais remoto do Brasil — Mato Grosso — nas páginas em que recordo — em livro publicado em Lisboa e pouco conhecido entre nós, sobre a incorporação ao sistema lusotropical de sociedade e de cultura de tão importante área a ação colonizadora, nesse trecho de ainda áspero território brasileiro, do Governador Luís de Albuquerque de Mello e Cáceres. O qual, para tanto, se serviu grandemente não só de ameríndios como, de modo notável, de negros africanos. Esses negros africanos desempenharam aí função co-colonizadora, tendo realizado trabalhos contínuos e sistemáticos de que os ameríndios, ainda nômades e sem constância nos seus esforços, mostraram-se quase de todo incapazes. Em alguns casos, até negros fugidos — ou quilombolas — revelaram-se co-colonizadores do Brasil, raptando mulheres de tribos indígenas e cristianizando essas mulheres e os filhos afro-ameríndios. E com eles co-colonizando espaços virgens de terras tropicais que se tornariam nacionalmente brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por aí se explicam certos característicos da formação brasileira que a distinguem das de outras populações que de coloniais passaram a nacionais. Que lhe permitiram ser mais criativamente extra-européia quando ainda, sob todos os aspectos oficiais, colônia. Mas que, paradoxalmente, por isto mesmo, nunca deixaram que o brasileiro se extremasse em gente violentamente antieuropéia, por lhe faltarem de todo oportunidades para aquela, desde os séculos coloniais, gradual, porém incessante, autocolonização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A qual se exprimiu de modo tão veemente na escultura do chamado Aleijadinho: uma escultura ecológica e, no seu estilo, mais extra-européia que passivamente subeuropéia. Com arrojos esteticamente tropicais. Arrojos esteticamente brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Brasileiros e africanos negros, têm, neste setor — o estético — especialíssimas afinidades que os situam à parte do comum das relações que prendem latino-americanos - mesmo os das regiões tropicais da América: as mais marcadas pela presença africana — à África negra. Lembremo-nos de que chegou a haver na Nigéria - por exemplo — um estilo brasileiro não só de arquitetura como de decoração com figuras de bichos e de plantas tropicais brasileiras, sem considerarmos os brasileirismos que ali se comunicaram à culinária, às danças, aos folguedos, às devoções religiosas, ao folclore. Esse contágio não foi apenas um episódio no tempo histórico: o abrasileiramento de umas tantas formas de vida e de arte na Nigéria foi profundo. Sobrevive. Vive. Vive em criações em que a espontaneidade africana se tem servido de sugestões brasileiras para se afirmar ou reafirmar de um modo em que as duas forças — a brasileira e a africana — se têm encontrado como fontes da mesma tropical idade além de essencial, existencial. Assunto que o autor deste ensaio tem procurado versar em ensaios e até em livros: no intitulado "Problemas Brasileiros de Antropologia", por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É singularmente significativo da capacidade brasileira de elaborar cultura nacional valorizadora de contribuições de outras procedências além da européia — no caso a africana — o fato de ex-escravos já abrasileirados na sua cultura ou seus descendentes, terem se tornado, de regresso à África, uma presença culturalmente abrasileirante na mesma África, através do reencontro de ex-africanos com uma terra de origem cuja cultura passariam a modificar, a alterar, a abrasileirar, orgulhosos dos seus brasileirismos culturais. Como significativo é o fato de produtos caracteristicamente brasileiros como a mandioca e o caju terem se integrado, graças à mediação não só portuguesa como, em vários casos, à de africanos abrasileirados de volta à África, noutras culturas situadas em áreas tropicais e africanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desses reencontros, têm resultado expressões nigerianas de arte em que ao brasileiro é fácil descobrir alguma coisa que, para ele, não é exótico: é, senão ancestralmente, colateralmente brasileiro. Por outro lado, parece quase certo do artista nigeriano de hoje que, em grande parte da arte brasileira mais autêntica, encontre alguma coisa de familiar, de fraterno, de aparentado com o que, para ele, é arte. Caso talvez único tanto no relacionamento da cultura africana com a já brasileira como no relacionamento da cultura já brasileira com as negras ou africanas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em certo artista jovem da Nigéria, de hoje, Jacob Afolabi, críticos estrangeiros têm encontrado parentesco com o espanhol Miró. Amor com amor se paga — poderia dizer-se. Pois não é exato de outro grande da pintura espanhola, Picasso, que desenvolveu sugestões de arte africana, comunicando-as a outros artistas europeus e de outras partes do mundo? Mas não só com os Picassos serão, por sua vez, as afinidades desse e de outros artistas africanos: também com artistas brasileiros a seu modo Picassos pela sua sensibilidade a sugestões africanas ou negras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A esse propósito é curioso não ter se verificado no Brasil, tão impregnado de influência africana, mas no Uruguai apenas tocado, como aliás a Argentina, dessa influência, a primeira explosão em pintura nacional de país íbero-americano de temas africanos tratados com arte ao mesmo tempo que com amor. Esse pintor — anterior aos Di Cavalcanti, aos Cíceros Dias, a outros brasileiros voltados para assuntos afro-brasileiros, em constraste com a quase relutância do insigne Cândido Portinari — arianismo? — em abordá-los, foi Figari. Um Figari que dificilmente se compreende ter sido, nesse seu pioneirismo, um uruguaio e não um brasileiro. Em compensação, quando Di Cavalcanti se rendeu à magia de temas afro-brasileiros, o fez com o ardor de quem pretendesse recuperar tempos perdidos não só por ele, em particular, como coletivamente, nacionalmente, por toda a pintura brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que, entretanto, os brasileiros, de modo especialíssimo, têm sido sempre uns predispostos à compreensão intuitiva e à assimilação amorosa de valores africanos; e, mais que outros não-africanos, inclinados a ser mediadores, também amorosos e intuitivos, entre o Ocidente lógico (e de que nós próprios não nos sentimos inteiramente parte) e a África e a Ásia antes intuitivas do que lógicas, quer nas suas artes, quer nos seus saberes. A essa afinidade geral, é que, no caso das relações do Brasil com as Áfricas negras e da receptividade brasileira a influências africanas, acrescentam-se outras que, através de uma série de contactos específicos, poderão aprofundar, particularizar, aprimorar a afinidade geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa altura, observe-se a vantagem que vem sendo para o Brasil a presença, na sua população e na sua cultura, da iletrados e até analfabetos, em parte descendentes de escravos africanos dos velhos dias patriarcais que, como reserva de gente intuitiva, espontânea, telúrica em sua adaptação ao trópico, vêm retardando uma demasiadamente rápida, além de absorvente, europeização e racionalização da gente brasileira, com sacrifício de suas aptidões mágicas. Aptidões mágicas comunicadas a tantos brasileiros e até portugueses de gênio ou talento artístico ou literário — um deles o português Eça de Queirós e, entre os brasileiros, um Sílvio Romero, um José Lins do Rego, um Jorge de Lima — pela "bá" negra já abrasileirada e pessoa íntima da família nas antigas casas-grandes. É ainda tema para estudo específico de um aspecto nada insignificante da influência negra ou africana, no Brasil, o estudo da figura da "bá" de sua influência na criação de meninos brasileiros a vida toda sob essa influência analfabética e neutralizante de convencionalismos lógicos de sua alfabetização ou do seu aburguesamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explica-se pela ação dessas heranças psicoculturais sobre não poucos brasileiros, que artistas negros africanos, como atualmente Afolabi, tenham, para esses brasileiros, mais ainda que semelhanças com Mirós espanhóis, parentesco com os brasileiríssimos Cíceros dos Santos Dias, Emilianos Di Cavalcanti, Lulas Cardoso Ayres. Daí encontrar-se num Adebisi — que deliberadamente revive na sua arte o chamado estilo brasilo-nigeriano — semelhança também com a cerâmica brasileira pintada: a Francisco Brennand, por exemplo. Isto sem nos esquecermos do que vibra de africano — um africano abrasileirado ou pernambucanizado — em pinturas de vários brasileiros, além das já célebres de Di Cavalcanti: um Di Cavalcanti famoso pela glorificação de belezas de mulher brasileiramente negróides. Africanos conhecedores das artes da África, isto é, das formas autenticamente africanas de representação, interpretação e simbolização da figura humana, de animais e de plantas dos trópicos, parecem sentir essa africanidade nesses e noutros artistas brasileiros: quer nos já consagrados, quer em vários dos mais jovens e já notáveis como, dentre os modernos. Adão Pinheiro. Brasileiros, também com algum conhecimento das artes antigas e atuais do seu país, sentem de imediato o que há de brasileiro em artistas africanos da África.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A afinidade entre duas artes — a brasileira e a africana — mostras de desenhos de negros africanos no Brasil só fazem confirmá-la. Já o recordei, aliás, a propósito de uma dessas mostras. São, por isto, exposições em que, ao interesse puramente estético, se junta o psicocultural ou sócio-cultural. Justifica-se assim que um antropólogo cultural, ou um sociólogo, sem pretensão alguma a crítico profissional de arte ou, específico, de pintura, se interesse por tais exposições. O que faz como sapateiro que não sai do seu ofício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que é preciso, em casos dessa natureza, é que os críticos, mais especificamente críticos de arte, não se considerem donos absolutos do que se apresente como pintura, escultura ou arquitetura, pretendendo &amp;nbsp;negar a outros especialistas o direito de comentarern essas artes, sob outros critérios e de outros pontos de vista, de modo a poderem ampliar os apenas estéticos e até aprofundar as implicações dos estéticos. O critério antropológico-cultural é decerto um desses critérios e sob ele é que principalmente deve ser considerada a influência africana sobre o Brasil num setor — o estético — que se comunica com outras áreas psicoculturais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recorde-se desse critério que foi sob tal critério que se iniciou, no Brasil, a moderna valorização da presença africana na cultura brasileira, em geral, e em algumas das artes — uma delas, a pintura — em particular, sem nos esquecermos de datar daí a defesa sistemática do exercício dos cultos afro-brasileiros como cultos legitimamente religiosos e não "bruxaria" ou, "feitiçaria" ou "atentado à moral e aos bons costumes". Defesa de que se tornou lúcido campeão o psiquiatra pioneiramente social Ulysses Pernambucano de Mello, discípulo do brasileiro fidalgamente negro que foi no Rio de Janeiro, o mestre de psiquiatria Juliano Moreira e fundador — Ulysses — de uma Escola Brasileira de Psiquiatria de valor reconhecido e proclamado pela Sorbonne. Se hoje é livre o exercício desses cultos e também o da um tanto sofisticada "umbanda", deve-se essa liberdade religiosa de interesse para o relacionamento cultural do Brasil com a África ao pioneiríssimo Congresso Afro-Brasileiro reunido no Recife, no histórico Teatro Santa Isabel, em 1934. Dele resultaram dois volumes contendo os significativos estudos então apresentados: "Estudos Afro-Brasileiros" e "Novos Estudos Afro-Brasileiros". Teve o Congresso do Recife o aplauso do antropólogo Franz Boas, a participação do norte-americano Melville J. Herskovits, o da inglesa Nancy Cunard e foi noticiado em primeira página pelo The New York Times como importante iniciativa brasileira de interesse cultural. Também empolgou sociólogos e antropólogos franceses. Tornou-se grande entusiasta dessa iniciativa recifense, retificadora da africanologia de Nina Rodrigues - para quem o negro africano era biológica e sociologicamente inferior - o professor Roger Bastide, podendo-se atribuir ao seu contacto com africanologistas do Recife seu interesse por assuntos afro-brasileiros, o ter produzido estudos como o que consagrou "a psicologia do cafuné", mostrando-se senhor de subtilezas afro-brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte do Congresso Afro-Brasileiro que se reuniu no Recife em 1934 foi uma exposição, sob a direção dopintor Cícero Dias, no Teatro Santa Isabel, não só de trabalhos de arte afro-brasileira como de evidências da semelhança entre várias expressões artísticas brasileiras — na música, na culinária, no traje popular de algumas regiões, nas jóias e adornos pessoais e não apenas na pintura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa exposição organizada — acentue-se — pelo pintor Cícero Dias e por mim teve a colaboração de então estudantes universitários como Clarival Valadares e Mário Gibson Barbosa: o Mário Gibson Barbosa que, como Chanceler do Brasil, se notabilizaria pelo seu empenho em aproximar culturas negras ou africanas da brasileira. Dela — exposição — resultou que se interessassem pela arte africana, como fonte de arte lusotropical -como diríamos hoje — vários artistas brasileiros, então jovens. Um deles, o hoje consagrado Lula Cardoso Ayres. Note-se que data do Congresso Afro-Brasileiro do Recife a mais efetiva retificação da perspectiva da estudo da influência africana no Brasil em que se notabilizara na Bahia o sábio Nina Rodrigues, para quem, entretanto — repita-se — o negro africano, tão presente na formação brasileira, teria sido um inferior biológico. Erro em que também incorreu o insigne Euclides da Cunha. Em que incorreram outros brasileiros ilustres. Note-se mais que, do mesmo Congresso, data o maior pendor de Mestre Emiliano, que dele participou, por assuntos afro-brasileiros em contraste com a quase indiferença por tais assuntos de Cândido Portinari: o Portinari das virgens e anjos sempre nordicamente louros e róseos. O Portinari incapaz de compreender o Cristo negro do "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna: pioneirismo também partido do Recife, algum tempo depois daquele Congresso no qual s influência africana no Brasil foi considerada em vários dos seus aspectos. O Recife à pioneiridade do congresso de 34 acrescenta o fato atualíssimo de vários dos seus artistas mais jovens e mais vibrantemente renovadores serem pintores e escultores que, sensíveis às raízes africanas das artes plásticas brasileiras, vêm exprimindo essa sensibilidade em muitas das suas produções, o mesmo sendo certo das produções de compositores recifenses, de renome hoje nacional, como Capiba e Nelson Ferreira; e dos empenhos de quantos vêm animando no carnaval pernambucano as suas inspirações em grande parte africanas: maracatu, frevo, passo. Ainda o mesmo se pode dizer do que vem ocorrendo, nesses setores, na Bahia e no Rio de Janeiro: este, centro do afro-brasileiríssimo samba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ambiente, o dessa sensibilidade de modernos artistas brasileiros às raízes africanas das artes brasileiras de pintura, de escultura, de música — para não falarmos na culinária — favorável a uma "negritude" que viesse separar, no Brasil de hoje, aquele brasileiro que seja descendente, principalmente de negro africano, dos brasileiros de outras origens étnicas e culturais, tornando-o um "negro brasileiro" semelhante ao "negro americano"? Significativamente, de modo algum. Apenas, da parte de uns poucos, retoricamente. Insista-se em que aumenta no brasileiro esta consciência: a de ser um povo, quase todo, moreno — a palavra moreno, para designar nuances de cor escura de pele, tendo hoje, entre os brasileiros, uma elasticidade tal de sentido, que inclui os próprios pretos. Além do que, não são raros — repita-se — os alvos e louros que se deixam queimar pelo sol quente das praias brasileiras para se tornarem, por esse meio, antes ecológico do que biológico, morenos. Daí o também brasileiro conceito de metarraça, ou de além-raça, segundo o qual não interessa ao brasileiro, como tipo nacional de homem, apurar exatidões de origem ou de situação étnica, dado o fato de tais exatidões não afetarem nele sua condição nacional. O que não significa que não se valorizem projeções, quer de tipo físico, quer culturais, africanas ou negras, sobre característicos estéticos de figura física do homem ou, principalmente, da mulher brasileira, ou sobre sua cultura: suas artes, suas preferências de paladar, seus modos de sorrir, de rir, de andar. Pois em todos eles se observam, no Brasil, influências africanas ou negras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para um antropólogo ou sociólogo, tais casos são interessantíssimos: ilustram a realidade de não ser a raça nem a cor que fazem, especificamente, de um homem, isto ou aquilo, mas o que há de íntimo nos gostos, nas tendências, nas motivações — inclusive as artísticas — desse indivíduo, seja ele branco ou preto, africano ou europeu de origem. O contrário é também verdadeiro: o caso de Cruz e Sousa que o diga. Foi ele uma vocação para europeu surgida no Brasil, sob a pele de negro. Realizou-se através do "simbolismo" europeu, exaltando névoas, brumas e alvuras de paisagem, como na Nigéria atual, a pintora Georgina, nascida na Europa com vocação africana, está se realizando através de símbolos negro-africanos por ela empregados na sua arte empática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Note-se que são numerosos os símbolos de origem africana ou negra que se abrasileiraram. Entre eles, a figa. O balangandã. Símbolos com seus sentidos místicos. Ou com atrativos estéticos sobrepostos a tais sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também, peças de vestuário de mulher além de — como já foi recordado — adornos: brincos, colares, pulseiras. E ainda preferências por cores que, de litúrgicas ou místicas, vêm passando a estéticas e vêm sendo assimiladas pelos brasileiros e até estilizadas por modistas elegantes: a chinelinha baiana, o turbante, o cabeção picado de rendas, o xale. Notem-se também preferências por cores vindas de ligações dessas cores com motivos religiosos. O caso também de ervas, plantas, frutos, a alguns dos quais certa mística afro-brasileira vem atribuindo virtudes afrodisíacas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto ao folclore brasileiro não faltam idealizações ou caracterizações de figuras africanas, das que se incorporaram à sociedade patriarcal brasileira — principal chave para a interpretação do ethos e da formação brasileira — como a "mãe preta", a "bá", a mucama, a "baiana", a "mulata inzoneira", o "negro velho", o malungo, o "moleque", o "crioulo", o "negrinho do pastoreio": inspiração, esse negrinho do pastoreio, de uma das obras-primas da literatura brasileira. Como inspirações de obras-primas da literatura foram a "escrava Isaura" (Bernardo Guimarães), "o mulato" (Aluísio de Azevedo), "o bom crioulo" (Isaias Caminha), o "moleque Ricardo" (José Lins do Rego), "o Balduíno" (Jorge Amado), 'essa negra Fulô" (Jorge de Lima). Isto sem nos esquecermos das já recordadas "mulatas" — por vezes negras das chamadas puras, tão raras há anos no Brasil sempre miscigenado - do pintor Emiliano Di Cavalcanti que, como artista múltiplo, as sentia como artista literário e não somente como artista plástico. Mais de uma vez conversamos sobre o assunto, Di Cavalcanti e eu, devendo ser sempre notado que seu interesse pelos tipos afro-brasileiros de mulher veio de sua participação num congresso afro-brasileiro do Recife, em 1934, quase tão revolucionário da cultura brasileira como a Semana de Arte Moderna de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da presença africana na música brasileira — presença que se constituiu numa influência tão atuante — já muito se tem dito. Mais do que de qualquer outra influência africana sobre expressões brasileiras de sensibilidade e de arte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se faz sentir apenas sobre a música popular — na qual viriam a se notabilizar, nos nossos dias, o pretíssimo Patrício, Donga e Pixinguinha, - mas sobre a erudita em alguns dos seus mais altos aspectos. Sobre Heiton Villa-Lobos sugestões ou inspirações musicais africanas se projetaram; ao lado daquelas ameríndias por ele tão valorizadas como germinalmente brasileiras, nas suas criações. Menos, talvez, no seu caso, atuaram as sugestões africanas que as inspirações ameríndias, mas de modo algum foram as africanas recusadas por ele, como parece as ter recusado o aliás negróide no sangue, Carlos Gomes, de "O Guarani". A romantização de origens ameríndias de valores brasileiros se extremou, a certa altura, no Brasil, em prejuízo do reconhecimento de ancestralidades negras ou africanas tanto culturais como biológicas. O que parece ter se verificado em virtude da presença do negro africano ter coincidido, no Brasil, com a sua presença sob a condição socialmente degradante de escravo, formando-se, em torno do ameríndio, o mito de se ter revelado demasiadamente altivo e, nessa atitude, superior ao negro, para conformar-se com a condição servil. A verdade sociológica a esse respeito é a ter o negro africano vindo para o Brasil, como escravo, procedido, em grande parte, e em alguns casos de modo notável, de áreas ou de condições de cultura superiores às dos ameríndios. Mais capazes, portanto, que ameríndios apenas nômades e pouco mais que caçadores ou pescadores, de trabalho contínuo e sistemático na agricultura, como se revelaria o africano sob aquela forma dê mãos e pés" de lavouras ou de agro-indústrias, como a da cana-de-açúcar: lavouras e agroindústrias que sem eles não teriam florescido, permitindo a consolidação sócio-econômica do Brasil. Ainda aqui o negro africano agiu como co-colonizador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem para negritudes nem para branquitudes tem havido, no Brasil, ambientes ou condições. As vocações têm procurado, livremente, entre os brasileiros, meios ideais para se expressarem e sem realizarem conforme suas tendências, dentro de culturas flexíveis e à revelia de etnias rígidas, É por afinidades psicoculturais que o Brasil e a África apresentam semelhanças em várias expressões de cultura que as caracterizam. Isto sem nos esquecermos de que vem favorecendo essas semelhanças, além de experiências históricas, tanto de brasileiros como de africanos — e o mesmo se poderia dizer de goeses e de outros luso-orientais situados em áreas tropicais e como tal merecedores de atenções brasileiras — sua comum ecologia a tropical. São uns e outros, gentes situadas em áreas tropicais hoje sob impactos modernizantes. De modo geral vêm sabendo conciliar, africanos e brasileiros, através de configurações nacionais diversas, a ecologia tropical - sob tantos aspectos condicionante do modo de brasileiros como africanos e orientais tropicais já serem ou estarem se tornando, em suas culturas, além de nacionais, modernos — e a modernização em que se vêm empenhando. é preciso que a modernização não os torne antiecológicos, separando-os das fontes naturais das suas culturas nacionais — inclusive dos seus desenvolvimentos — ou artificializando suas expressões nacionais de cultura em puros arremedos de modernismos triunfantes em áreas econômica e tecnologicamente avançadas e inclinadas a dominarem culturas ainda em desenvolvimento. Nada de se repelirem europeísmos e até ianquismos culturais susceptíveis de ser adaptados a condições não-européias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas nada de se tornarem brasileiros de origens tanto européias como não-européias, em sua culturas, subeuropeus ou subianques. Orientação particularmente válida, também, para as novas nações africanas que porventura encontrem em antecipações brasileiras exemplos a ser aproveitados nas suas novas situações sócio-culturais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O autor deste ensaio, escrito especialmente para um número de "Cultura", dedicado à África, embora em alguns trechos se repita — tanto tem escrito sobre o assunto — já foi acusado de negrófilo como de um feio pecado: o de dar relevo, segundo seus acusadores, exagerado, à presença negra na população e na cultura brasileiras. Não lhe parece ter resvalado em tal exagero e sim procurado restituir a justas proporções o que, naquela presença, vinha sendo, por não poucos "arianistas", ocultado ou diminuído. Isto sob uma como mística arianista, por algum tempo tão proeminente, em alguns meios, no nosso país; e tão empenhada em negar ou diminuir a importância da contribuição negra ou africana para o desenvolvimento do Brasil em novo tipo de sociedade e de cultura, desviado de obsessões subeuropéias. Tanto que eminente sociólogo, talvez, senão dominado, afetado, por essa mística, chegou a anunciar um livro que daria, ao que parece, o Brasil como crescentemente "ariano", isto é, crescentemente e triunfalmente caucasóide, considerando-se insignificante a presença africana ou negra em sua população ou em sua cultura. Para o que teria que processar-se um tal aumento de europeus brancos na população brasileira e de impactos europeizantes sobre a nossa cultura que os remanescentes de brasileiros de sangue negro se reduziriam a insignificâncias desprezíveis. Além do que, para deixar-se de reconher a influência negra sobre a formação brasileira seria preciso desconhecer a presença em altas expressões brasileiras de inteligência e de saber, de distinção nas artes e nos esportes, de descendentes de negros africanos como os Josés do Patrocínio, os Cruz e Sousa, os Lima Barreto, os Rebouças, os Teodoro Sampaio, os Julianos Moreira, os Pelés, para não falar nos Aleijadinhos, nos Josés Maurício, nos Machado de Assis, nos Cotejipe, nos Nilo Peçanha, nos Tobias Barreto, nos Antônios Torres, nos Dom Silvério.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estudos no sentido de uma sistemática reabilitação da presença negra no Brasil terão contribuído para que aquele ilustre autor não viesse a publicar tão anticientífico quanto antibrasileiro pronunciamento, impressionado como teria ficado com a revelação, por esses estudos — inclusive os dos antropólogos Roquete Pinto e Fróis da Fonseca — de certas deficiências na sua apologia, talvez mais retórica que antropológica, do arianismo, num país como o nosso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Intelectualmente honesto, como era, esse mestre brasileiro de ciência social, se ainda vivesse, renunciaria ao seu arianismo quase místico e aceitaria, senão totalmente, em parte, a realidade de ser o Brasil uma sociedade que opõe a fantasias como a arianista — tanto como a da negritude — a consciência de sua morenidade metarracial: uma situação concreta para a qual vêm concorrençlo tanto a presença do negro, ao lado da do ameríndio, como a do europeu, na crescente formação de uma complexa população nacional profundamente miscigenada. E tão enriquecida de qualquer coisa como "vigor híbrido" por essa generalizada mistura de sangues como por uma igualmente complexa interpenetração de culturas — entre elas, as de origem africana — a formarem, no espaço brasileiro, novas combinações e estas a se constituírem numa já inconfundível civilização nacionalmente brasileira tanto quanto arrojadamente moderna, situada em trópicos tanto úmidos como áridos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2875003965080036701?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2875003965080036701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/aspectos-da-influencia-africana-no.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2875003965080036701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2875003965080036701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/aspectos-da-influencia-africana-no.html' title='Aspectos da influência africana no Brasil'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3641261646629379663</id><published>2011-08-15T07:46:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:46:46.338-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Pisando cascalho grosso&lt;br /&gt;Vou andando no caminho&lt;br /&gt;Estrada de sol a sol&lt;br /&gt;Eu caço o rumo do ninho&lt;br /&gt;Correndo praia ou ladeira&lt;br /&gt;Mas vejo que a capoeira&lt;br /&gt;Não me deixa ir sozinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;A mão que bate a beriba&lt;br /&gt;Também puxa da navalha&lt;br /&gt;Ando sozinho, sem medo&lt;br /&gt;O meu breve não me falha&lt;br /&gt;Sujeito se diz valentão&lt;br /&gt;Cão que ladra, morde não&lt;br /&gt;É sempre fogo de palha&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3641261646629379663?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3641261646629379663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/pisando-cascalho-grosso-vou-andando-no.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3641261646629379663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3641261646629379663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/pisando-cascalho-grosso-vou-andando-no.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3450852625673605926</id><published>2011-08-15T07:45:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:45:29.960-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Abelha amarela e preta&lt;br /&gt;É com certeza angoleira&lt;br /&gt;Traz segredo em sua obra&lt;br /&gt;Fabricando mel e cera&lt;br /&gt;Prá quem bulir, tem ferrão&lt;br /&gt;Se não bulir, não tem não&lt;br /&gt;Zum zum zum na capoeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Besouro preto brilhante&lt;br /&gt;Angoleiro sei que é&lt;br /&gt;Não tem a cor de Pastinha&lt;br /&gt;Mas tem espinho no pé&lt;br /&gt;Parece fraco e é forte&lt;br /&gt;Não teme a dor nem a morte&lt;br /&gt;E voa prá onde quer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperança verde claro&lt;br /&gt;É boa jogando angola&lt;br /&gt;Parece boba, é esperta&lt;br /&gt;Tem miolo na cachola&lt;br /&gt;Parece lenta, é ligeira&lt;br /&gt;Prá mostrar, basta que queira&lt;br /&gt;E é bamba na viola&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3450852625673605926?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3450852625673605926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/abelha-amarela-e-preta-e-com-certeza.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3450852625673605926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3450852625673605926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/abelha-amarela-e-preta-e-com-certeza.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4500901830992528635</id><published>2011-08-15T07:44:00.003-07:00</published><updated>2011-08-15T07:44:30.386-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;A minha verdade é minha&lt;br /&gt;Tu tenha a tua prá lá&lt;br /&gt;Fale tu o que quiser&lt;br /&gt;Mas não queira me provar&lt;br /&gt;Que o que penso é errado&lt;br /&gt;Que vale mais o seu lado&lt;br /&gt;Não venha me enganar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4500901830992528635?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4500901830992528635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/minha-verdade-e-minha-tu-tenha-tua-pra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4500901830992528635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4500901830992528635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/minha-verdade-e-minha-tu-tenha-tua-pra.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4410013719408646966</id><published>2011-08-15T07:44:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:44:04.218-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Na volta que o mundo dá&lt;br /&gt;A noite pois vira dia&lt;br /&gt;O calor da madrugada&lt;br /&gt;Vira manhã muito fria&lt;br /&gt;Marinheiro acorda calado&lt;br /&gt;Anzol na linha enrolado&lt;br /&gt;Vai pescar na maresia&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4410013719408646966?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4410013719408646966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/na-volta-que-o-mundo-da-noite-pois-vira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4410013719408646966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4410013719408646966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/na-volta-que-o-mundo-da-noite-pois-vira.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-6312168071711444477</id><published>2011-08-15T07:43:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:43:23.498-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;A vida é só uma só&lt;br /&gt;Quem desperdiça, bobo é&lt;br /&gt;Correndo atrás de fumaça&lt;br /&gt;Dando chance a quem não quer&lt;br /&gt;Pois a vida é prato cheio&lt;br /&gt;Quem não se lambuza, faz feio&lt;br /&gt;Lamba o dedo e a colher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver assim essa vida&lt;br /&gt;É comer em fina louça&lt;br /&gt;O meu conselho é de graça&lt;br /&gt;Eu ofereço a quem ouça&lt;br /&gt;Quem avisa, amigo é&lt;br /&gt;Cuidado, seu jacaré !&lt;br /&gt;Que parado, vira bolsa&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6312168071711444477?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6312168071711444477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/vida-e-so-uma-so-quem-desperdica-bobo-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6312168071711444477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6312168071711444477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/vida-e-so-uma-so-quem-desperdica-bobo-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8977060194762575609</id><published>2011-08-15T07:41:00.003-07:00</published><updated>2011-08-15T07:41:41.147-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;A todos que se apresentam&lt;br /&gt;Pra cantar nesse terreiro&lt;br /&gt;Conselho meu me pai dava&lt;br /&gt;"O tempo corre ligeiro&lt;br /&gt;Faça na vida o melhor&lt;br /&gt;Não tenha de si, pena ou dó&lt;br /&gt;Não pense em fama, ou dinheiro"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo escoa depressa&lt;br /&gt;Feito água no sifão&lt;br /&gt;Quem tenta segurar água&lt;br /&gt;Só faz molhar é a mão&lt;br /&gt;Violeiro é quem dizia&lt;br /&gt;"Na vida, viola e folia&lt;br /&gt;Amor, dinheiro não"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a camaradagem&lt;br /&gt;À vida, que é minha escola&lt;br /&gt;Aos amigos que fiz&lt;br /&gt;Ao jogo do embola-embola&lt;br /&gt;A fuga da lida rotineira&lt;br /&gt;Essa, devo à capoeira&lt;br /&gt;Agradeço ao jogo de angola&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8977060194762575609?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8977060194762575609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/todos-que-se-apresentam-pra-cantar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8977060194762575609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8977060194762575609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/todos-que-se-apresentam-pra-cantar.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4910392886225874334</id><published>2011-08-15T07:41:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:41:11.291-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Por pouco, eu era baiano&lt;br /&gt;Mas sou nascido mineiro&lt;br /&gt;Na casa em que vim ao mundo&lt;br /&gt;Tinha pomar e terreiro&lt;br /&gt;Macaco deu pulo alto&lt;br /&gt;O gato escapou no salto&lt;br /&gt;Galo cantou no terreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escolher o meu nome&lt;br /&gt;"Teimosia" foi o cunho&lt;br /&gt;Nasci careca e franzino&lt;br /&gt;Mas tinha força no punho&lt;br /&gt;Cheguei no mundo pelado&lt;br /&gt;Tudo que ganhei foi suado&lt;br /&gt;Nasci a 28 de junho&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4910392886225874334?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4910392886225874334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/por-pouco-eu-era-baiano-mas-sou-nascido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4910392886225874334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4910392886225874334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/por-pouco-eu-era-baiano-mas-sou-nascido.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4827503660547463572</id><published>2011-08-15T07:40:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:40:27.571-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;O mundo que roda e que doido volteia&lt;br /&gt;É pião maluco na palma da mão&lt;br /&gt;Que roda sem fim, lá no ar e no chão&lt;br /&gt;É de noite no céu que se vê lua cheia&lt;br /&gt;Parece que cai, mas no céu não bambeia&lt;br /&gt;Por mais que eu tente, não posso pegar&lt;br /&gt;Estico meu braço, não posso alcançar&lt;br /&gt;Ela paradinha, pregada no vento&lt;br /&gt;Uma roda branca no céu ao relento&lt;br /&gt;Que vi refletida nas ondas do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4827503660547463572?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4827503660547463572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/o-mundo-que-roda-e-que-doido-volteia-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4827503660547463572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4827503660547463572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/o-mundo-que-roda-e-que-doido-volteia-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4478908171831638826</id><published>2011-08-15T07:39:00.002-07:00</published><updated>2011-08-15T07:39:49.863-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Rasteira de fraco põe forte no chão&lt;br /&gt;É isso que a vida nos tem a mostrar&lt;br /&gt;O vento que sopra aqui sopra lá&lt;br /&gt;O forte é que acha que pega de mão&lt;br /&gt;Na boca de calça ou no arrastão&lt;br /&gt;Achando que a força é que vai derrubar&lt;br /&gt;Não sabe do jeito que o corpo dá&lt;br /&gt;E nem o que pode fazer esse nego&lt;br /&gt;Que é fraco e mirrado mas não dá sossego&lt;br /&gt;E lhe bota deitado na beira do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4478908171831638826?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4478908171831638826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/rasteira-de-fraco-poe-forte-no-chao-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4478908171831638826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4478908171831638826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/rasteira-de-fraco-poe-forte-no-chao-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8472532875751810864</id><published>2011-08-15T07:39:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T07:39:16.195-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Mais um que se achega, galope cantando&lt;br /&gt;E me desafia a sua boca calar&lt;br /&gt;Lhe digo, moleque, que vou lhe tapar&lt;br /&gt;A boca com verso que faço brincando&lt;br /&gt;Quem brinca com fogo acaba se queimando&lt;br /&gt;Essa é a verdade que a vida nos dá&lt;br /&gt;Receita que uso é só costurar&lt;br /&gt;A boca de bobo com agulha e linha&lt;br /&gt;Antes de fechar, encho de farinha&lt;br /&gt;Branquinha que nem a areia do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8472532875751810864?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8472532875751810864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/mais-um-que-se-achega-galope-cantando-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8472532875751810864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8472532875751810864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/mais-um-que-se-achega-galope-cantando-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8369850831295909949</id><published>2011-08-15T07:38:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:38:11.585-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Em riba do espinhaço vaqueiro era rei&lt;br /&gt;Dentro do cangaço ele era doutor&lt;br /&gt;Do gibão, do punhal, da peixeira, o senhor&lt;br /&gt;Fuzil papo-amarelo, madeira de lei&lt;br /&gt;Acaba com a festa gritando "cheguei"&lt;br /&gt;Ele rasga de faca quem queira tretar&lt;br /&gt;Com o gado que é sua função levar&lt;br /&gt;Pras bandas depois das fazendas do leste&lt;br /&gt;Não perde uma rês, esse cabra da peste&lt;br /&gt;Tocando a boiada prá beira do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8369850831295909949?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8369850831295909949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/em-riba-do-espinhaco-vaqueiro-era-rei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8369850831295909949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8369850831295909949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/em-riba-do-espinhaco-vaqueiro-era-rei.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-5551112618757870957</id><published>2011-08-15T07:37:00.003-07:00</published><updated>2011-08-15T07:37:44.631-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;E vem Samuel, de Deus o Querido&lt;br /&gt;Desce da jangada, entra na função&lt;br /&gt;No meio da roda, chamada de mão&lt;br /&gt;Em volta o coro, que canta florido&lt;br /&gt;Um olho no céu, ele faz seu pedido&lt;br /&gt;O outro no cabra na roda a gingar&lt;br /&gt;Pede proteção ao santo prá jogar&lt;br /&gt;Com esse caboclo que está sua frente&lt;br /&gt;Não teme general, soldado ou tenente&lt;br /&gt;Lá na capoeira na beira do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-5551112618757870957?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/5551112618757870957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/e-vem-samuel-de-deus-o-querido-desce-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5551112618757870957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5551112618757870957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/e-vem-samuel-de-deus-o-querido-desce-da.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3139392502312733879</id><published>2011-08-15T07:37:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:37:16.798-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: blue; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Berimbau que bate pra la da Ribeira&lt;br /&gt;E traz a morena para vir olhar&lt;br /&gt;Ela vem sorridente, pára no lugar&lt;br /&gt;E vê o jangadeiro jogar capoeira&lt;br /&gt;Subindo de aú, puxando rasteira&lt;br /&gt;Fazer bananeira, parado no ar&lt;br /&gt;O brilho no olho reflete o luar&lt;br /&gt;O brinco na orelha, marca de valente&lt;br /&gt;Sorriso na boca, mostra branco dente&lt;br /&gt;Lá na capoeira na beira do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3139392502312733879?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3139392502312733879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/berimbau-que-bate-pra-la-da-ribeira-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3139392502312733879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3139392502312733879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/berimbau-que-bate-pra-la-da-ribeira-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8557453724274797779</id><published>2011-08-15T07:36:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:36:38.252-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='martelo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Caboclo danado que entra na roda&lt;br /&gt;Que pula e que gira, tem parte com o cão&lt;br /&gt;Que faz pirueta no pé e na mão&lt;br /&gt;Com chapéu quebrado e com roupa da moda&lt;br /&gt;Tem gente que gosta e tem quem discorda&lt;br /&gt;Do jeito que o homem chega pra jogar&lt;br /&gt;Do balanço mexido que seu corpo dá&lt;br /&gt;Do riso, da graça, do ar de canalha&lt;br /&gt;Do lenço de seda, do fio da navalha&lt;br /&gt;Lá na capoeira na beira do mar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8557453724274797779?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8557453724274797779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/caboclo-danado-que-entra-na-roda-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8557453724274797779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8557453724274797779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/caboclo-danado-que-entra-na-roda-que.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2344208230408093584</id><published>2011-08-15T07:29:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T15:16:22.121-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'>João Mina quer ver Muleque Bimba na boa capoeiragem</title><content type='html'>Publicado originalmente no jornal Estado da Bahia, em 15 de março de 1948&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia divulgada pelo Diários Associados de que o mais famoso capoeirista baiano, Muleque Bimba, que dirige uma escola dessa briga, tornada nacional, pretende vir ao Rio fazer exibições públicas dos nove cortes que inventou, causou sensação entre os profissionais da defesa pessoal. Existe mesmo urn movimento para que se efetive a vinda de Muleque Bimba, o sexagenário que ensina a muitos moços de sua terra os golpes sinistros da capoeiragem, sabendo-se até que já foi seu aluno o hoje deputado Juracy Magalhães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre nós, João Mina é o mais velho dos três últimos remanescentes da já remota época das batucadas e capoeiragens que até o primeiro quartel deste século pertubaram a ordem e a tranqüilidade públicas. Tem mais de sessenta anos o preto velho e arrasta seus atuais pesados dias ali pelo Estácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está aqui neste seu criado, diz João Mina para o repórter numa tendinha do morro. Um negro que fazia batuque e capoeira no morro da Favela, que é o lugar que nasceu o samba no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batuque quem fazia era negro de macumba, negro bom de santo, bom de garganta e, principalmente, bom de perna para tirar outro da roda. Tinha batuque todo dia na favela, com a negrada metendo a perna e jogando parceiro no chão, até a polícia chegar. Aí, então, como num passe de mágica, a batucada virava samba, entrando as mulheres dos batuqueiros na roda. Homem não dançava samba. Samba é nome de filha de santo, mas todo mundo de fora que subia o morro procurando mulher, dizia que ia ver samba e por samba ficou a dança que elas dançavam e que era batuque mais mole e bem remexido. Era coco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que apolícia saía, o batuque continuava e os batuqueiros entravam duro na capoeiragem. Pobre do moleque que cochichasse quando o batuqueiro cantasse: &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha a banda &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;Olha a banda &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;Negro da ronda &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia contar que ia levar uma banda jogada, quer dizer, uma rápida e violenta pernada que o atirava fora da roda, principalmente se tivesse mulher boa perto dele. Mas se o muleque saísse dessa, o batuqueiro sem perder o ritmo do batuque emendava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batuqueiro novo &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;Dava um baú&lt;br /&gt;Pra não perder o amô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda jogada passava pra banda de frente e o batuque soltava logo um baú no parceiro, atirando o muleque no chão, pelas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro corte ruim de defender, pra batuqueiro novo, era a tiririca, quando o mestre cantava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiririca é faca de cortar &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; I&lt;br /&gt;Quem não pode não intimida&lt;br /&gt;Deixa quem pode intimar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pé ficava no chão e outro subia virando com força no pé do ouvido do parceiro. Mas a capoeiragem tinha muitos cortes ruins. Tinha o dourado, a encruzilhada, tinha o rabo de arraia....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, João Mina, o fulminante rabo de arraia...&lt;br /&gt;- Pois é, meu filho, o rabo de arraia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros que ouviam, reverentes, a palestra do velho João Mina, fizeram um sinal negativo para o repórter. O homem da tendinha serviu umas doses de cachaça e João Mina continou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Batuqueiro bom brincava na frente do fandango e caninha verde, no Carnaval, abrindo ala como se faz hoje diretor de corda de escola de samba. Batuqueiro bom brincava de noite na Praça Onze de Junho, que já foi reduto enfezado de gente do morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, os batuqueiros da Favela tiveram uma arrelia. Houve então, uma separação. Os grandes ficaram na Favela e os outros foram para o morro de Santo Antônio. Casaca de Bronze, capoeira de respeito e capanga de político, uma noite, ninguém sabe porque, nem por ordem de quem, botou fogo em tudo quanto era barracão do morro de Santo Antônio e fugiu, fugiu que até hoje não se sabe notícias dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negrada que ficou sem barraco no morro de Santo Antônio foi toda para o morro da Mangueira, os homens fazendo batuque e as mulheres sambando. O lugar onde eles levantaram os barracos ficou sendo chamado o Santantoinho de Mangueira. Depois é que vieram para a Estação, Querosene, Salgueiro. Apareceu o samba mesmo, quando Epitácio Pessoa mandou mudar o mulherio da Glória e da Lapa para a Cidade Nova. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por aí, Sampaio Ferraz e Alfredo Pinto tinham dado cabo de muito batuqueiro, de muito moleque de capoeiragem. Isso de escola de samba é coisa nova, coisa boa, de preto, político trabalhador, que não quer mais saber de malandragem, nem de pernada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mina rematou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é menino, eu tinha vontade de ver esse tal Muleque Bimba, para me lembrar dos velhos cortes do meu tempo... Será que ele briga mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos o morro e Tancredo Silva, que apesar de moço, é o terceiro dos remanescentes, disse-nos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bernardo Sapateiro faltou ao encontro. Ele, que é daquele tempo, ia contar porque João Mina não quis falar do rabo-de-arraia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não sabe ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizem que numa batucada na Praça Onze, num carnaval, João Mina deu um rabo de arraia num sujeito e ele morreu ali mesmo. João Mina foi para a detenção e ficou na sombra uns anos. Quando voltou, trouxe a cuíca e nunca mais quis saber de batucada. Era só cuíca. E a batucada virou samba. Depois, Edgard trouxe o tamborim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua do Estácio, Tancredo Silva ainda disse:&lt;br /&gt;- Olha, menino, João não falou que, quando o batuque enfezava, os batuqueiros cantavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ordem do Rei pra matar.&lt;br /&gt;É ordem do Rei pra matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o rabo de arraia comia solto até morrer o parceiro que estava condenado pela negrada. Essa ordem do Rei entre os batuqueiros vem do tempo em que o Brasil era Reinado, e que a capangada tinha ordem para acabar com os pretos que conspiravam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2344208230408093584?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2344208230408093584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/joao-mina-quer-ver-muleque-bimba-na-boa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2344208230408093584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2344208230408093584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2011/08/joao-mina-quer-ver-muleque-bimba-na-boa.html' title='João Mina quer ver Muleque Bimba na boa capoeiragem'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7416003487056792301</id><published>2010-12-12T13:14:00.000-08:00</published><updated>2010-12-12T13:19:58.556-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 27px; line-height: 37px;"&gt;Depoimento do Mestre Caiçara - Parte 6 de 6&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;O depoimento do Mestre Caiçara foi tomado pelo Mestre Matiole, durante o Encontro Nacional de Capoeira de Ouro Preto, promovido em 1987 pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga (de Belo Horizonte).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 27px; line-height: 37px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;O símbolo [???] indica um trecho do áudio que não consegui transcrever. Entendimentos e sugestões são bem-vindos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 27px; line-height: 37px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9p0xSRCoodc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9p0xSRCoodc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Mestre&amp;nbsp;Caiçara: Os mestres da Bahia não agradou,&amp;nbsp;[???] de mim. Ah, é. Ele não bota roda de capoeira depois que&amp;nbsp;[???]&amp;nbsp;a mim nem a polícia. Eu boto é cinquenta conto nas pedras de lá, e com outros eu quebro o boné. O meu filho saiu com o outro boné meu, quebro o boné, boto a bengala assim. Aí quando eu chego, aí pode entrar, ficar na roda. Eu tenho uma corda que eu boto, e o pessoal não fica. Nem a polícia acaba. Ave Maria, a roda grande. Ninguém joga dinheiro em roda de capoeira. Ninguém joga. Dinheiro, não. Agora, trabalho, de canto. Tudo é trabalho, antes de vadiar. Vou ali dentro dar uma palavra...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;Mestre Matiole: Amanhã vai ter mais oportunidade...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;MC: É... Já pode acabar com essa parte de acobracia da capoeira, da capoeira acobracia. Negócio de acobracia não existe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red; font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;MM: Não gosta não, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;MC: Não, acobracia não. Gosto de ver sabe o quê ? É autenticidade. Ciência, destreza, malícia, agilidade. Acobracia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif, Verdana; font-size: 12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;MM: O senhor fala que a capoeira é uma só..&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;MC: É, angola ! Autêntica. A capoeira só existe uma, angola é angola. Não brinque que eu meto a bengala em você. Não dê risada não, rapaz. Você é feio e eu sou bonito. Hehehe.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;[conversa inaudível]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Entendeu agora o&amp;nbsp;[???]&amp;nbsp;? Mas nem que fosse mestre de capoeira. Então&amp;nbsp;[???]&amp;nbsp;não ensinaram ele como mestre, vamos apoiar. Mas não que ele fosse mestre.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;[Mestre&amp;nbsp;Caiçara&amp;nbsp;cantando]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7416003487056792301?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7416003487056792301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2010/12/mestre-os-mestres-da-bahia-nao-agradou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7416003487056792301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7416003487056792301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2010/12/mestre-os-mestres-da-bahia-nao-agradou.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-6687687328410795615</id><published>2010-11-11T14:44:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T14:44:58.691-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'>A Capoeira e o Navio de Teseu</title><content type='html'>Conta uma lenda grega que após derrotar o Minotauro, monstro com corpo de homem e cabeça de boi, o herói Teseu saiu da ilha de Creta em um navio, levando os jovens atenienses que teriam sido devorados pela fera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o historiador grego Plutarco, "o navio com que Teseu e os jovens de Atenas retornaram de Creta tinha trinta remos, e foi preservado pelos&amp;nbsp;atenienses até o tempo de Demétrio de Falero, porque eles removiam as partes velhas que apodreciam e colocavam partes novas, de forma que o navio se&amp;nbsp;tornou motivo de discussão entre os filósofos a respeito de coisas que crescem: alguns dizendo que o navio era o mesmo e outros dizendo que não era."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma questão se traduziu em diversos outros momentos da história da humanidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Heráclito, é impossível que um homem entre duas vezes em um mesmo rio - porquê o rio nunca é o mesmo, está sempre mudando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão descreveu uma situação em que hipoteticamente, ele e Sócrates começaram a trocar partes de suas carruagens. A cada dia, Platão pegava uma parte de sua carruagem, e substituía por uma parte da carruagem de Sócrates. Sócrates fazia o mesmo com a sua. Em dado momento, todas as peças da carruagem de Platão estavam na carruagem de Sócrates, e vice-versa. Eles trocaram de carruagem, ou não ? Se sim, a partir de que ponto a troca aconteceu ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Locke falou sobre a meia que tem um furo. A meia é remendada com um pedaço de tecido. Mais adiante, aparece outro furo, que é remendado com outro pedaço. Ao longo do tempo, todo o material do qual é feito a meia, é trocado por pedaços de outros tecidos. Ainda é a mesma meia ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fala-se sobre o machado de George Washington. A ferramenta teve o cabo substituído três vezes, e a lâmina duas - e ainda assim, era o machado de George Washington...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a capoeira ? Cada mestre, cada praticante, acrescenta um pouco de si à capoeira ? Ele troca um nome de um golpe ? Ele canta uma música um pouco diferente ? Ele tem uma crença um pouco diferente da do seu mestre, e a passa para a próxima geração ? Isso pode ser considerado "trocar as tábuas do navio" ? Não que essa parte da capoeira estivesse podre, mas um novo conhecimento foi agregado, uma nova versão da tábua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o sistema filosófico de Aristóteles e seus sequidores, há quatro &lt;b&gt;causas&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;razões&lt;/b&gt; que descrevem uma coisa; estas causas podem ser analisadas para conseguir uma solução ao paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;causa formal&lt;/b&gt;&amp;nbsp;diz respeito à forma da coisa, enquanto a &lt;b&gt;causa material&lt;/b&gt;&amp;nbsp;se refere à matéria da qual a coisa é feita. O "o que é isso" de uma coisa, segundo Aristóteles, é sua causa formal. Então o Navio de Teseu é o mesmo navio, porque sua causa formal não mudou, ainda que que o material usado para construí-lo tenha variado ao longo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma maneira, para o paradoxo de Heráclito, um rio tem a mesma causa formal, apesar de a causa material (a água do rio) mudar com o tempo, e consequentemente mudar para a pessoa que entra no rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra das causas de Aristóteles é a &lt;b&gt;causa final&lt;/b&gt;, entendida como o propósito da coisa. Todas as "versões" do navio de Teseu teriam o mesmo significado mítico (de terem transportado Teseu) e político (de convencerem os atenienses de que Teseu existiu realmente), ainda que que a sua causa material mudasse com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;causa eficiente&lt;/b&gt;&amp;nbsp;é dada por como e por quem uma coisa é feita. Por exemplo, como os artesãos fabricam e montam alguma coisa. No caso do navio de Teseu, os trabalhadores que construíram o navio pela primeira vez, poderiam ter usado as mesmas ferramentas e técnicas para trocar todas as tábuas do navio, e ele ainda seria o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outras abordagens ao problema, mas eu gostaria de tomar a aristotélica para derivar o meu raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a causa formal da capoeira - a forma da arte é corporificada por nós, jogadores. Mas cada jogador é único, e manifesta a capoeira de um jeito só seu. Quando um mestre ensina a alguém a gingar, ele usa o seu jeito de gingar, e o aluno desenvolve o jeito dele. Por mais que vejamos gente "gingando igualzinho", "jogando igualzinho", e digamos que existem "robôs" e "clones" na capoeira, na prática nenhum jogador joga igual a outro. Vai haver sempre um trejeito diferente, algo que ele aprendeu com fulano, outro algo que aprendeu com beltrano, e quando tudo isso é cozido junto, sai um jogo só dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, se aprendermos de ver, de treinar, e principalmente de jogar, não estamos trocando as tábuas da nossa capoeira ? Quem viu o vídeo do Mestre Pastinha jogando, percebe que o jogo dele era só dele - e nenhum dos alunos joga sequer parecido. Para onde foi esse jogo ? Hoje em dia, nas rodas, vê-se muito o "pula sela" ou "pula carniça": o jogador salta por cima do outro, como na brincadeira infantil de mesmo nome. O movimento não era comum até alguns anos atrás, mas a tábua foi trocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a causa material, a capoeira é "feita" de pessoas. E cada pessoa é mutável, passageira. As nossas opiniões variam de dia para dia, de hora para hora - não somos feitos de pedra. Pessoas morrem, e outras pessoas assumem seus lugares no navio da capoeira - alguns são tábua de proa, outros são tábua de popa, alguns são remos. Mas todos são substituídos com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a causa final, e provavelmente a que mais mudou e muda. A capoeira foi arma de libertação de um sistema escravagista explícito. Foi mecanismo de ascenção social para os capangas de políticos. Foi massa de manobra da monarquia contra a república. Foi demonstração de virilidade e valentia. Foi ferramenta para a definição do Estado Novo por Getúlio Vargas. Foi definidora do alicerce do movimento de resistência da cultura negra. Foi embaixadora do Brasil para o mundo. Foi âncora para tirar pessoas do crime. Foi academizada. Foi alvo de repressão. Foi utilizada para educação de portadores de necessidades especiais. Foi instrumento de reintegração de idosos. &lt;b&gt;Foi ?&lt;/b&gt;&amp;nbsp;Na média, pode-se dizer que &lt;b&gt;ainda é&lt;/b&gt;, para muitas das características listadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a causa eficiente, talvez seja a mais complexa de se definir nesse contexto - e ao mesmo tempo a mais simples. A capoeira não é estática, como manifestação cultural alguma o é. Ela não está pronta, encontra-se em constante construção. Por mais que se conceba uma capoeira cristalizada, cujos movimentos e/ou seqüências são conhecidos, se analisarmos friamente, tudo o que o corpo consegue fazer, num &lt;b&gt;contexto&lt;/b&gt;&amp;nbsp;de jogo/roda, pode ser visto como capoeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo capoeirista é um dos artesãos que construiu e constrói a capoeira diariamente. O que se chama de "tradição", também muda diariamente - às vezes devagar, às vezes depressa. O conhecimento transmitido oralmente tende a crescer, se estender: mesmo que lendas antigas não desapareçam, novas lendas surgem. Capoeiristas viram lendas, pequenas lendas que seja, ao vencerem essa ou aquela demanda. E a história deles é mais uma tábua no navio - sequer substitui uma tábua velha, ela é simplesmente &lt;b&gt;mais uma&lt;/b&gt;&amp;nbsp;tábua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O navio da capoeira teve (e tem) suas tábuas trocadas e re-trocadas conforme convém a alguns, ou ao período histórico. Ou mesmo involuntariamente.... Ela é ainda o mesmo navio ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar, um trecho do livro "Last chance to see", de Douglas Adams:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;Eu me lembro de uma vez, no Japão, ter ido visitar o Templo do Pavilhão Dourado em Kyoto, e ficar surpreso em como ele tinha resistido bem à passagem do tempo desde que fora construído no século XIV. Me disseram que ele não tinha resistido bem de jeito nenhum, e que tinha de fato sido queimado até o chão duas vezes só neste século.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Então este não é o prédio original ? - Perguntei ao meu guia japonês.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Sim, claro que é - ele insistiu, surpreso com a minha pergunta&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Mas ele não foi queimado até o chão ?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Sim&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Duas vezes&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Muitas vezes&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- E reconstruído&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Claro que sim. Ele tinha sido queimado.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Então como pode ser o mesmo prédio ?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;- Ele é sempre o mesmo prédio.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;Eu tive que admitir para mim mesmo que esse era de fato um ponto de vista perfeitamente racional - apenas partia de uma premissa inesperada. A idéia do prédio, a intenção dele, seu projeto, todos são imutáveis e são a essência do prédio. A intenção dos construtores originais é que sobrevive. A madeira da qual o projeto é construído apodrece e é trocada quando necessário. Ficar preocupado demais com os materiais originais, que são meras lembranças sentimentais do passado, é falhar em ver o prédio vivo em si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Axé,&lt;br /&gt;T.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6687687328410795615?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6687687328410795615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2010/11/capoeira-e-o-navio-de-teseu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6687687328410795615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6687687328410795615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2010/11/capoeira-e-o-navio-de-teseu.html' title='A Capoeira e o Navio de Teseu'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2742375183415070046</id><published>2009-10-29T16:55:00.000-07:00</published><updated>2010-11-22T13:52:25.232-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O ABC de Pedro Cem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou narrar agora um fato&lt;br /&gt;Que há cinco séculos se deu&lt;br /&gt;De um grande capitalista&lt;br /&gt;Do continente europeu,&lt;br /&gt;Fortuna que como aquela,&lt;br /&gt;Ainda não apareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem era o mais rico,&lt;br /&gt;Que nasceu em Portugal,&lt;br /&gt;Sua fama enchia o mundo&lt;br /&gt;Seu nome anda em geral,&lt;br /&gt;Não casou-se com rainha&lt;br /&gt;Por não ter sangue real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada rua ele tinha&lt;br /&gt;Cem casas para alugar,&lt;br /&gt;Tinha cem botes no porto&lt;br /&gt;E cem navios no mar,&lt;br /&gt;Cem lanchas e cem barcaças,&lt;br /&gt;Tudo isto a navegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha cem fábricas de vinho&lt;br /&gt;E cem alfaiatarias,&lt;br /&gt;Cem depósitos de fazendas&lt;br /&gt;Cem moinhos e cem padarias&lt;br /&gt;E tinha dentro do mar,&lt;br /&gt;Cem currais de pescarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em prédios, dinheiro e bens&lt;br /&gt;Era o mais que havia,&lt;br /&gt;Nunca deveu a ninguém&lt;br /&gt;Todo mundo lhe devia,&lt;br /&gt;Balanço em sua fortuna&lt;br /&gt;Querendo dar não podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada país do mundo&lt;br /&gt;Possuía cem sobrados,&lt;br /&gt;Em cada banco ele tinha&lt;br /&gt;Cem contos depositados,&lt;br /&gt;Ocupava mensalmente,&lt;br /&gt;Dezesseis mil empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a história aonde eu li&lt;br /&gt;O todo desse passado,&lt;br /&gt;Que Pedro Cem nunca deu&lt;br /&gt;Uma esmola a um desgraçado&lt;br /&gt;Não olhava para um pobre,&lt;br /&gt;Nem falava com criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite teve um sonho&lt;br /&gt;Um rapaz o avisava&lt;br /&gt;Que aquele orgulho dele&lt;br /&gt;Era quem o castigava&lt;br /&gt;Aquela grande fortuna&lt;br /&gt;Assim como veio voltava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele acordou agitado&lt;br /&gt;Pelo sonho que tinha tido,&lt;br /&gt;Que rapaz seria aquele?&lt;br /&gt;Que lhe tinha aparecido.&lt;br /&gt;Depois pensou, oral sonho,&lt;br /&gt;E devaneio do sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, no meio da praça&lt;br /&gt;Ele a uma moça encontrou,&lt;br /&gt;Essa vinha quase nua,&lt;br /&gt;Aos pés se ajoelhou&lt;br /&gt;Dizendo: senhor? olhai!&lt;br /&gt;O estado em que estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele torceu para um lado&lt;br /&gt;E disse: minha senhora?&lt;br /&gt;Olhe sua posição!&lt;br /&gt;E veja o que faz agora&lt;br /&gt;Reconheça seu lugar,&lt;br /&gt;Levante-se e vá embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh! senhor por esse sol&lt;br /&gt;Que de tão alto flutua,&lt;br /&gt;Lembrai-vos que tenho fome&lt;br /&gt;Estou aqui quase nua,&lt;br /&gt;Sou obrigada a passar,&lt;br /&gt;Nesse estado em plena rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele repleto de orgulho&lt;br /&gt;Não deu ouvido, saiu,&lt;br /&gt;A pobre ergue-se chorando&lt;br /&gt;Chegou adiante caiu,&lt;br /&gt;Vinha passando uma dama&lt;br /&gt;Que com o manto a cobriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a marquesa de Évora&lt;br /&gt;Uma alma lapidada,&lt;br /&gt;Tirando o seu rico manto&lt;br /&gt;Cobriu essa desgraçada,&lt;br /&gt;Ali conheceu que a pobre,&lt;br /&gt;Foi pela fome prostrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levante-se minha filha&lt;br /&gt;E pegando-lhe pela mão,&lt;br /&gt;Dizendo a criada a ela:&lt;br /&gt;Vá ali comprar um pão&lt;br /&gt;Que a essa pobre infeliz,&lt;br /&gt;Falta alimentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregando-lhe uma bolsa&lt;br /&gt;Com quarenta e dois mil réis.&lt;br /&gt;Apenas tirou dali&lt;br /&gt;Um diploma e uns papéis&lt;br /&gt;Não consentindo que a moça&lt;br /&gt;Se ajoelhasse aos seus pés:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com aquela quantia&lt;br /&gt;Ela comprou um tear,&lt;br /&gt;Tinha mais duas irmãs&lt;br /&gt;Foram as três trabalhar&lt;br /&gt;Dali em diante mais nunca,&lt;br /&gt;Faltou-lhe com que passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos agora tratar&lt;br /&gt;Pedro Cem como ficou&lt;br /&gt;E o nervoso que sentiu&lt;br /&gt;Uma noite que sonhou&lt;br /&gt;Que um homem lhe apareceu&lt;br /&gt;E disse Ume bem quem eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tens feito do dinheiro&lt;br /&gt;Que tomaste emprestado?&lt;br /&gt;Meu senhor mandou saber&lt;br /&gt;Em que o tens empregado?&lt;br /&gt;E por qual razão cumpriu&lt;br /&gt;As ordens que ele tem dado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele perguntou no sonho&lt;br /&gt;Mas que dinheiro eu tomei,&lt;br /&gt;Até aos próprios monarcas&lt;br /&gt;Dinheiro muito emprestei,&lt;br /&gt;O vulto zombando dele,&lt;br /&gt;Disse: quem tu és eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que capital tinhas tu&lt;br /&gt;Quando chegastes ao mundo?&lt;br /&gt;Chegastes nu e descalço&lt;br /&gt;Como o bicho mais imundo&lt;br /&gt;Hoje queres ser tão nobre,&lt;br /&gt;Sendo um simples vagabundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E metendo a mão no bolso&lt;br /&gt;Tirou dele uma mochila,&lt;br /&gt;Dizendo é esta a fortuna&lt;br /&gt;Que tu hás de possuí-la,&lt;br /&gt;Farás dela profissão,&lt;br /&gt;Pedindo de vila em vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem sonhando disse:&lt;br /&gt;Ave agoureira te some&lt;br /&gt;Tua presença me perturba&lt;br /&gt;Tua frase me consome&lt;br /&gt;De qual mundo tu viestes?&lt;br /&gt;Diz-me por favor teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome, disse-lhe o vulto&lt;br /&gt;Es indigno de saber,&lt;br /&gt;Meu grande superior&lt;br /&gt;Proibiu-me de dizer&lt;br /&gt;Apenas faço o serviço&lt;br /&gt;Que ele me manda fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertando Pedro Cem&lt;br /&gt;Daquilo contrariado,&lt;br /&gt;Ter dois sonhos quase iguais&lt;br /&gt;Ficou impressionado,&lt;br /&gt;Resolveu contrafazer,&lt;br /&gt;E ficar reconcentrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou em tirar por ano&lt;br /&gt;Daquela grande riqueza&lt;br /&gt;Sessenta contos de réis&lt;br /&gt;E dar de esmola à pobreza&lt;br /&gt;Depois refletindo, disse:&lt;br /&gt;Não me dá maior franqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ainda mesmo Deus&lt;br /&gt;Querendo me castigar,&lt;br /&gt;Não afundará num dia&lt;br /&gt;Meus cem navios no mar,&lt;br /&gt;As cem fazendas de gado,&lt;br /&gt;Custarão a se acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cem fábricas de tecidos&lt;br /&gt;Que tenho funcionando,&lt;br /&gt;Os parreirais de uvas&lt;br /&gt;Que estão todos safregando,&lt;br /&gt;Cem botes que tenho no porto&lt;br /&gt;Todo dia trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem armazéns de fazendas&lt;br /&gt;As cem alfaiatarias,&lt;br /&gt;As cem fundições de ferro&lt;br /&gt;Cem currais de pescarias&lt;br /&gt;Os cem moinhos, cem padarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as centenas de contos&lt;br /&gt;Nos bancos depositados,&lt;br /&gt;E tudo isso em poder&lt;br /&gt;De homens acreditados&lt;br /&gt;Ainda Deus querendo isso&lt;br /&gt;Seus planos eram errados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem naquela hora&lt;br /&gt;Estava impressionado,&lt;br /&gt;Quando aproximou-se dele&lt;br /&gt;O seu primo criado,&lt;br /&gt;E disse aí tem um homem,&lt;br /&gt;Diz vos trazer um recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manda que entre a pessoa&lt;br /&gt;Ele ao criado ordenou:&lt;br /&gt;Era um marinheiro velho&lt;br /&gt;Chegando ali o saudou,&lt;br /&gt;Que novas traz, meu amigo?&lt;br /&gt;Pedro Cem lhe perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o velho marinheiro:&lt;br /&gt;Venho-vos, participar,&lt;br /&gt;Que dez navios dos vossos&lt;br /&gt;Ontem afundaram no mar&lt;br /&gt;Morreram as tripulações,&lt;br /&gt;Só eu me pude salvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que navios foram esses?&lt;br /&gt;Perguntou-lhe Pedro Cem,&lt;br /&gt;Respondeu o marinheiro:&lt;br /&gt;Foi “Tejo” e “Jerusalém”&lt;br /&gt;E “Douro” e “Penafiel”&lt;br /&gt;Os outros eu não sei bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele inda estava ali&lt;br /&gt;Outro portador bateu,&lt;br /&gt;O empregado das vacas&lt;br /&gt;Contou o que sucedeu;&lt;br /&gt;Incendiaram os cercados&lt;br /&gt;E todo o gado morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem nada dizia&lt;br /&gt;Ficando silencioso,&lt;br /&gt;Apenas disse: na terra&lt;br /&gt;Não há homem venturoso,&lt;br /&gt;Quem se julga mais feliz&lt;br /&gt;E pior que cão leproso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou outro portador&lt;br /&gt;O empregado da vinha,&lt;br /&gt;Disse o depósito estourou&lt;br /&gt;Vazou o vinho que tinha&lt;br /&gt;Pedro Cem disse: meu Deus!…&lt;br /&gt;Que sorte triste esta minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu aquele entrou outro&lt;br /&gt;Era um coronel norueguês,&lt;br /&gt;Disse nos mares do norte&lt;br /&gt;Andava um pirata inglês,&lt;br /&gt;Noventa navios vossos&lt;br /&gt;Tomou ele de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus!… Meu Deus!… que fiz eu&lt;br /&gt;Exclamava Pedro Cem&lt;br /&gt;Não há homem nesse mundo&lt;br /&gt;Que possa dizer vou bem,&lt;br /&gt;Quando menos ele espera&lt;br /&gt;A negra desgraça vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos cem navios que tinha&lt;br /&gt;Alguns foram afundados&lt;br /&gt;E outros pelos piratas&lt;br /&gt;Nos mares foram tomados&lt;br /&gt;Acrescentou a pessoa:&lt;br /&gt;Vinham todos carregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali mesmo veio o mestre&lt;br /&gt;Da barca “Flor do Mundo”&lt;br /&gt;Esse fitou Pedro Cem&lt;br /&gt;Com silêncio profundo&lt;br /&gt;Depois disse: senhor marquês?&lt;br /&gt;Dez barcaças foram ao fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro vinham carregadas&lt;br /&gt;Com bacalhau e azeite,&lt;br /&gt;Duas vinham da Suécia&lt;br /&gt;Com queijo, manteiga e leite,&lt;br /&gt;De todas as mercadorias&lt;br /&gt;Não tem uma que se aproveite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro das dez que afundaram&lt;br /&gt;Traziam pérola e metal,&lt;br /&gt;Só da Ilha da Madeira&lt;br /&gt;Vinha um milhão em coral&lt;br /&gt;Topázio, rubi, brilhante,&lt;br /&gt;Ouro, esmeralda e cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem baixou a vista&lt;br /&gt;Nada pôde refletir,&lt;br /&gt;Exclamou que faço eu?&lt;br /&gt;Devo deixar de existir,&lt;br /&gt;Mas matando-me não vejo,&lt;br /&gt;Isso até onde pode ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou o moço de campo&lt;br /&gt;Tremendo e muito assustado&lt;br /&gt;E disse: senhor marquês&lt;br /&gt;Venho aqui horrorizado&lt;br /&gt;Deu murrinha nas ovelhas&lt;br /&gt;E mal triste em todo gado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento entrou&lt;br /&gt;Um rapaz auxiliar,&lt;br /&gt;Esse puxando um papel&lt;br /&gt;Disse: venho procurar,&lt;br /&gt;Tudo quanto se perdeu&lt;br /&gt;Na barca “Ares de Mar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem perguntou quanto&lt;br /&gt;Tirou o moço uns papéis&lt;br /&gt;Que se lia entre brilhantes&lt;br /&gt;Pulseiras, colares, anéis,&lt;br /&gt;Um milhão e quatrocentos&lt;br /&gt;E vinte contos de réis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou outro auxiliar&lt;br /&gt;Disse eu quero pagamento,&lt;br /&gt;Por tudo que se perdeu&lt;br /&gt;No navio “Chave do Vento”&lt;br /&gt;Que vinha da América do Norte&lt;br /&gt;Com grande carregamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou um tabelião&lt;br /&gt;Dá licença sr. Marquês&lt;br /&gt;Venho lhe participar&lt;br /&gt;Que o grande Banco Francês,&lt;br /&gt;Dois Alemães, três Suíços,&lt;br /&gt;Quebraram todos de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá se foi minha fortuna&lt;br /&gt;Exclamava Pedro Cem,&lt;br /&gt;Ontem fui milionário&lt;br /&gt;Hoje não tenho um vintém&lt;br /&gt;Só mesmo na campa fria,&lt;br /&gt;Eu hoje estaria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando balanço nos bens&lt;br /&gt;Que até desesperam.&lt;br /&gt;Tudo quanto possuía&lt;br /&gt;Não dava para pagar&lt;br /&gt;Nem pela décima parte&lt;br /&gt;Os prejuízos do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exclamava: oh! Pedro Cem&lt;br /&gt;Que será de ti agora!&lt;br /&gt;No pouco que me restava&lt;br /&gt;A justiça fez penhora,&lt;br /&gt;Pedro Cem de agora em diante&lt;br /&gt;Vai errar de mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carpir esta sorte dura&lt;br /&gt;Que a desventura me deu,&lt;br /&gt;Talvez muitas vezes vendo&lt;br /&gt;Aquilo que já foi meu.&lt;br /&gt;Em lugar que não se saiba&lt;br /&gt;Quem neste mundo fui eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali no terraço mesmo&lt;br /&gt;Forrando o chão se deitou&lt;br /&gt;As onze e meia da noite&lt;br /&gt;O sono conciliou&lt;br /&gt;No sono sonhando viu,&lt;br /&gt;O rapaz que lhe falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele perguntou, Pedro&lt;br /&gt;Como te foste de empresa,&lt;br /&gt;Já estás conhecendo agora&lt;br /&gt;Quanto é grande a natureza?&lt;br /&gt;Conheceste que teu orgulho&lt;br /&gt;Foi quem te fez a surpresa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metendo a mão na algibeira&lt;br /&gt;Dali um quadro tirou&lt;br /&gt;Onde havia dois retratos&lt;br /&gt;Que a Pedro Cem os mostrou&lt;br /&gt;Conheces esses retratos?&lt;br /&gt;O rapaz lhe perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via-se naquele quadro&lt;br /&gt;Uma dama bem vestida&lt;br /&gt;Pedro Cem disse por sonho:&lt;br /&gt;Essa é minha conhecida&lt;br /&gt;A outra uma moça pobre&lt;br /&gt;Com fome no chão caída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntava-lhe o rapaz:&lt;br /&gt;Quem é esta conhecida?&lt;br /&gt;E a marquesa de Evora&lt;br /&gt;E esta que está caída?&lt;br /&gt;Essa? é uma miseravel,&lt;br /&gt;Dessa classe desvalida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz puxa outro quadro&lt;br /&gt;Verde cor de esperança,&lt;br /&gt;Onde via-se uma monarca&lt;br /&gt;Suspendendo uma balança&lt;br /&gt;Estava pesando nela&lt;br /&gt;Caridade e esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrou-lhe mais quatro quadros&lt;br /&gt;Que Pedro Cem conheceu,&lt;br /&gt;Tinha a marquesa de Évora&lt;br /&gt;Quando a bolsa à pobre deu&lt;br /&gt;Que estirou a mão dizendo:&lt;br /&gt;Toma este dinheiro que é teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quadro via-se um anjo&lt;br /&gt;Assim nos diz a história,&lt;br /&gt;Com uma flor onde se lia:&lt;br /&gt;Jardim da eterna glória,&lt;br /&gt;Presenteado por Deus,&lt;br /&gt;Esta palma de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem planta flores tem flores&lt;br /&gt;Quem planta espinho tem espinho&lt;br /&gt;Deus mostra ao espírito fraco&lt;br /&gt;O que nega ao mesquinho,&lt;br /&gt;A virtude é um negócio&lt;br /&gt;A boa ação um pergaminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que ele acordou&lt;br /&gt;Triste impressionado,&lt;br /&gt;Interrogava a si próprio&lt;br /&gt;Por que sou tão desgraçado?&lt;br /&gt;Achou na cama a mochila,&lt;br /&gt;Com que tinha sonhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será esta a tal mochila&lt;br /&gt;Que o fantasma me mostrou;&lt;br /&gt;E esta que o homem em sonho&lt;br /&gt;Em desespero exclamou:&lt;br /&gt;Na noite em que a cruel sina,&lt;br /&gt;Por sonho me visitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo restava apenas&lt;br /&gt;A casa de moradia,&lt;br /&gt;Essa mesmo embargaram&lt;br /&gt;Antes de findar-se o dia&lt;br /&gt;Então disse Pedro Cem,&lt;br /&gt;Cumpriu-se a profecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançando a mão na mochila&lt;br /&gt;Saiu no mundo a vagar&lt;br /&gt;Implorando a caridade&lt;br /&gt;Sem alguém nada lhe dar,&lt;br /&gt;Por umas cinco ou seis vezes&lt;br /&gt;Tentou se suicidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dizia nas portas:&lt;br /&gt;Uma esmola a Pedro Cem,&lt;br /&gt;Que já foi capitalista&lt;br /&gt;Ontem teve, hoje não tem&lt;br /&gt;Á quem já neguei esmola&lt;br /&gt;Hoje a mim nega também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ele cair com fome&lt;br /&gt;Em casa daquela moça,&lt;br /&gt;Quando foi à porta dela&lt;br /&gt;Com fome, frio e sem força,&lt;br /&gt;Que ele não quis olhá-la&lt;br /&gt;A marquesa deu-lhe a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criada o viu cair&lt;br /&gt;Exclamou: minha senhora!&lt;br /&gt;Ande ver um miserável&lt;br /&gt;Que caiu de fome agora,&lt;br /&gt;Onde? perguntou a moça&lt;br /&gt;Ama disse: ali fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça disse à criada:&lt;br /&gt;Que trouxesse leite e pão&lt;br /&gt;Aproximando-se dele&lt;br /&gt;Disse: o que tens meu irmão&lt;br /&gt;Bateste em todas as portas&lt;br /&gt;Não encontraste cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora se vós soubésseis&lt;br /&gt;Quem é esse desgraçado,&lt;br /&gt;Não abrirás a porta&lt;br /&gt;Nem me davas esse bocado.&lt;br /&gt;Respondeu ela: conheço,&lt;br /&gt;Mas eu esqueço o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me recordo que a marquesa&lt;br /&gt;Fez minha felicidade,&lt;br /&gt;Viu-me caída com fome&lt;br /&gt;Teve de mim piedade,&lt;br /&gt;Deu-me com que comprar pão&lt;br /&gt;E esta propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Cem se levantou&lt;br /&gt;Disse obrigado e saiu,&lt;br /&gt;Andando duzentos passos&lt;br /&gt;Tombou por terra, caiu&lt;br /&gt;E umas frases tocantes,&lt;br /&gt;Em alta voz proferiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vai unir-se à terra fria&lt;br /&gt;O que não soube viver&lt;br /&gt;Soube ganhar a fortuna&lt;br /&gt;Mas não soube perder&lt;br /&gt;Se tenho estudado a vida&lt;br /&gt;Tinha aprendido a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como a corrente d'água&lt;br /&gt;Que pela serra desceu,&lt;br /&gt;Chegou o verão e secou&lt;br /&gt;Ela desapareceu,&lt;br /&gt;Ficando só os escombros&lt;br /&gt;Por onde a água correu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tive tanta fortuna&lt;br /&gt;Não socorria a ninguém,&lt;br /&gt;A todos que me pediram&lt;br /&gt;Eu nunca dei vintém,&lt;br /&gt;Hoje preciso pedir,&lt;br /&gt;Não há quem me dê também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desespero, pois sei&lt;br /&gt;Que grandes rimas hoje expio,&lt;br /&gt;Nasci em berços dourados&lt;br /&gt;Dormi em colchão macio&lt;br /&gt;Hoje morro como os brutos&lt;br /&gt;Neste chão sujo e frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram as últimas palavras&lt;br /&gt;Que ele ali pronunciou,&lt;br /&gt;Margarida aquela moça,&lt;br /&gt;Que a marquesa embrulhou&lt;br /&gt;Botou-lhe a vela na mão&lt;br /&gt;Ele ali mesmo expirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justiça examinando&lt;br /&gt;Os bolsos de Pedro Cem,&lt;br /&gt;Encontrou uma mochila&lt;br /&gt;E dentro dela um vintém&lt;br /&gt;E um letreiro que dizia:&lt;br /&gt;Ontem teve e hoje não tem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2742375183415070046?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2742375183415070046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/o-abc-de-pedro-cem-vou-narrar-agora-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2742375183415070046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2742375183415070046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/o-abc-de-pedro-cem-vou-narrar-agora-um.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7041804823451716746</id><published>2009-10-29T16:48:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T16:57:34.371-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Peleja de Riachão com o Diabo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Autor: Leandro Gomes de Barros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão estava cantando&lt;br /&gt;Na cidade de Açu,&lt;br /&gt;Quando apareceu um negro&lt;br /&gt;Da espécie de urubu,&lt;br /&gt;Tinha a camisa de sola&lt;br /&gt;E as calças de couro cru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beiços grossos e virados&lt;br /&gt;Como a sola de um chinelo&lt;br /&gt;Um olho muito encarnado&lt;br /&gt;O outro muito amarelo,&lt;br /&gt;Este chamou Riachão&lt;br /&gt;Para cantar um martelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão disse: eu não canto&lt;br /&gt;Com negro desconhecido,&lt;br /&gt;Porque pode ser escravo,&lt;br /&gt;E anda por aqui fugido&lt;br /&gt;Isso é dar cauda a nambu&lt;br /&gt;E entrada a negro enxerido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negro - Eu sou livre como o vento&lt;br /&gt;A minha linhagem é nobre,&lt;br /&gt;Eu sou um dos mais ilustres&lt;br /&gt;Que o sol deste mundo cobre&lt;br /&gt;Nasci dentro da grandeza&lt;br /&gt;Não saí de raça pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão - Você nega porque quer&lt;br /&gt;Está conhecido demais,&lt;br /&gt;Você anda aqui fugido&lt;br /&gt;Me diga que tempo faz&lt;br /&gt;Se você não foi cativo,&lt;br /&gt;Obras desmentem sinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Seja livre ou seja escravo&lt;br /&gt;Eu quero é cantar martelo,&lt;br /&gt;Afine a sua viola&lt;br /&gt;Vamos bater-se em duelo&lt;br /&gt;Só com a minha presença&lt;br /&gt;O senhor está amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Vejo um vulto tão pequeno&lt;br /&gt;Que nem o posso enxergar,&lt;br /&gt;Julgo que nem é preciso&lt;br /&gt;Minha viola afinar&lt;br /&gt;Pela ramagem da árvore&lt;br /&gt;Vê-se o fruto que ela dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Riachão isto são frases&lt;br /&gt;De homem muito atrasado,&lt;br /&gt;Porque são vistos fenômenos&lt;br /&gt;Que na terra têm se dado&lt;br /&gt;Uma cobra tão pequena&lt;br /&gt;Mata um boi agigantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - M eu riacho pela seca&lt;br /&gt;Dá cheias descomunais&lt;br /&gt;Na correnteza das águas&lt;br /&gt;Descem grandes animais&lt;br /&gt;Jibóias, surucujubas,&lt;br /&gt;E monstruosos "Jaguais"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - O Jaguar rende-me culto&lt;br /&gt;A serpente aos meus pés morre&lt;br /&gt;No que chegar minha ira&lt;br /&gt;Só um poder o socorre&lt;br /&gt;Eu digo ao rio, pare aí!&lt;br /&gt;A água pára e não corre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Você não é Josué&lt;br /&gt;Que mandou o sol parar&lt;br /&gt;E esse parou três dias&lt;br /&gt;Para a guerra se acabar&lt;br /&gt;Nem Moisés que com a vara&lt;br /&gt;Fez o mar também secar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Faço tudo que eu quiser&lt;br /&gt;Minha força não tem limite&lt;br /&gt;Os feitos por mim obrados&lt;br /&gt;Não vejo homem que imite&lt;br /&gt;Eu determino uma coisa&lt;br /&gt;Não há força que a evite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Salomão também fazia&lt;br /&gt;O que queria fazer&lt;br /&gt;Por meio de mágica ou química&lt;br /&gt;Quis segunda vez nascer&lt;br /&gt;Mas em vez do nascimento&lt;br /&gt;Conseguiu ele morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Salomão facilitou&lt;br /&gt;Confiado na ciência&lt;br /&gt;Encaminhou tudo bem&lt;br /&gt;Mas faltou-lhe a paciência&lt;br /&gt;Se não fosse aquele erro&lt;br /&gt;Tinha tido outra existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Eu necessito saber&lt;br /&gt;onde é seu natural&lt;br /&gt;Porque não sei se o senhor&lt;br /&gt;Tem nascimento legal&lt;br /&gt;De qual nação é que vem&lt;br /&gt;Se procede bem ou mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Você vem interrogar-me&lt;br /&gt;Eu lhe interrogo também,&lt;br /&gt;Diga para onde vai&lt;br /&gt;E de qual parte é que vem&lt;br /&gt;Se é solteiro, ou casado&lt;br /&gt;Diga que profissão tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R Não tenho superior&lt;br /&gt;Sou filho da liberdade&lt;br /&gt;E não conto a minha vida&lt;br /&gt;Pois não há necessidade&lt;br /&gt;Porque não sou foragido&lt;br /&gt;Nem você é autoridade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - É preciso advertir-lhe,&lt;br /&gt;Fazer-,lhe observação&lt;br /&gt;M e trate com muito jeito,&lt;br /&gt;Cante com mais atenção!&lt;br /&gt;Veja que não se descuide&lt;br /&gt;E passe o pé pela mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Eu, para cantar repente,&lt;br /&gt;Já estou muito habilitado:&lt;br /&gt;Conheço algumas matérias,&lt;br /&gt;Sou um pouco adiantado&lt;br /&gt;Tive estudo quatro anos,&lt;br /&gt;Me considero letrado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Sou professor de matérias&lt;br /&gt;Que sábio não as conhece;&lt;br /&gt;A lei que dito no mundo,&lt;br /&gt;O próprio rei obedece&lt;br /&gt;Meus feitos são conhecidos,&lt;br /&gt;A fama se estende e cresce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Você diz que tem ciência,&lt;br /&gt;Dê-m e um a explicação:&lt;br /&gt;Se a Terra faz movimento&lt;br /&gt;De quem é a rotação?&lt;br /&gt;Porque é que em 12 horas&lt;br /&gt;Há um a transformação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Não é o Sol quem se move,&lt;br /&gt;Este é fixo em seu lugar,&lt;br /&gt;A Terra está sobre os eixos,&lt;br /&gt;Os eixos a fazem rodar,&lt;br /&gt;Que, por essa rotação&lt;br /&gt;Faz a luz do Sol faltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Descreva o grande mistério&lt;br /&gt;Que entre nós a Terra tem:&lt;br /&gt;De que é formada a chuva?&lt;br /&gt;Em que estado ela vem?&lt;br /&gt;Se é criada aqui perto&lt;br /&gt;Ou noutro lugar além?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - A água em estado líquido&lt;br /&gt;Por meio de abaixamento&lt;br /&gt;Que há na temperatura,&lt;br /&gt;E pelo resfriamento&lt;br /&gt;Essa água é condensada,&lt;br /&gt;Ajudada pelo vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrente atmosférica&lt;br /&gt;De um a montanha elevada,&lt;br /&gt;Que ajuda a temperatura,&lt;br /&gt;Forma nuvem condensada.&lt;br /&gt;Do vento movendo as nuvens&lt;br /&gt;É disso a chuva formada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que essa chuva, depois&lt;br /&gt;Que toda a Terra ensopar,&lt;br /&gt;Por meio da evaporação&lt;br /&gt;Torna ao espaço voltar,&lt;br /&gt;Reproduzindo, o processo&lt;br /&gt;Que acabei de lhe tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - O senhor conhece bem&lt;br /&gt;Este país brasileiro?&lt;br /&gt;Ora, respondeu o Negro:&lt;br /&gt;N - Eu conheço o estrangeiro&lt;br /&gt;Desde o córrego mais pequeno&lt;br /&gt;Até o maior ribeiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o Amazonas,&lt;br /&gt;Que extrema com o Pará;&lt;br /&gt;O Pará com o Maranhão,&lt;br /&gt;Piauí com o Ceará,&lt;br /&gt;E assim todos os outros&lt;br /&gt;Se alguém duvida, vá lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se qualquer um daqui;&lt;br /&gt;Pretendendo viajar&lt;br /&gt;Até o Rio de Janeiro&lt;br /&gt;E não querendo ir por mar,&lt;br /&gt;Eu lhe ensino o caminho&lt;br /&gt;Ele vai sem se vexar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Como faz essa viagem?&lt;br /&gt;Onde se encontra o caminho?&lt;br /&gt;Lugar de uma só morada,&lt;br /&gt;Sem haver mais um vizinho&lt;br /&gt;Tanto que, em muitos lugares&lt;br /&gt;Não anda um homem sozinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Pode qualquer um sair&lt;br /&gt;Do Açu ao Mossoró;&lt;br /&gt;Querendo pode passar&lt;br /&gt;Na cidade Caicó,&lt;br /&gt;Subir pela margem esquerda&lt;br /&gt;Do rio de Seridó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão disse consigo:&lt;br /&gt;- Esse negro é um danado!&lt;br /&gt;Esse saiu do Inferno,&lt;br /&gt;Pelo Demônio mandado,&lt;br /&gt;E para enganar-me veio&lt;br /&gt;Em um negro transformado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o negro: - Meu amigo,&lt;br /&gt;não queira desconfiar,&lt;br /&gt;Garanto que o senhor&lt;br /&gt;Não ouviu bem eu cantar,&lt;br /&gt;Na altura que eu canto&lt;br /&gt;outro não pode chegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Vá na altura em quer for!&lt;br /&gt;Riachão lhe respondeu.&lt;br /&gt;Remexa todos os livros&lt;br /&gt;Que o senhor aprendeu&lt;br /&gt;Eu não conheço esse ente&lt;br /&gt;Que cante m ais do que eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Você ficará sabendo&lt;br /&gt;O peso de um cantador&lt;br /&gt;Quando me ver outra vez&lt;br /&gt;Me trate de professor,&lt;br /&gt;Render-me-á obediência,&lt;br /&gt;Conhecerá meu valor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - O senhor diga o seu nome,&lt;br /&gt;Eu quero lhe conhecer,&lt;br /&gt;Pois só assim posso dar-lhe&lt;br /&gt;O valor que merecer,&lt;br /&gt;Em tudo que você diz&lt;br /&gt;A inda não posso crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Você, sabendo quem sou&lt;br /&gt;Talvez que fique assombrado,&lt;br /&gt;Superior a você&lt;br /&gt;Comigo tem se espantado&lt;br /&gt;Os grandes da sua Terra&lt;br /&gt;Eu tenho subjugado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Eu canto há dezoito anos,&lt;br /&gt;Há vinte toco viola,&lt;br /&gt;Sempre encontro cantador&lt;br /&gt;Que só tem fama e parola&lt;br /&gt;Quando canta meio dia,&lt;br /&gt;Cai nos meus pés, no chão rola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Eu já canto há muitos anos,&lt;br /&gt;Não vou em toda função,&lt;br /&gt;Arranco pontas de touro,&lt;br /&gt;Quebro o furor do leão,&lt;br /&gt;Nunca achei esse duro&lt;br /&gt;Que para mim tenha ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Garanto que de hoje em diante,&lt;br /&gt;O senhor tem que encontrar&lt;br /&gt;A força superior&lt;br /&gt;Que o obrigue a se calar,&lt;br /&gt;Porque eu boto o cerco,&lt;br /&gt;Quem vai não pode voltar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Manoel, tu és criança,&lt;br /&gt;Só tens mesmo é pabulagem!&lt;br /&gt;Vejo que falar é fôlego,&lt;br /&gt;Porém obrar é coragem&lt;br /&gt;Juro que' de agora em diante&lt;br /&gt;Não contarás mais vantagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Meu pai chamava-se Antônio,&lt;br /&gt;Seu apelido era Rio;&lt;br /&gt;De uma enxurrada que dava&lt;br /&gt;Cobria todo o baixio&lt;br /&gt;Secava em tempo de inverno&lt;br /&gt;Enchia em tempo de estio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Conheci muito seu pai,&lt;br /&gt;Que vivia de pescar,&lt;br /&gt;Sua mãe era tão pobre,&lt;br /&gt;Que vivia de um tear&lt;br /&gt;Seu padrinho tomou você&lt;br /&gt;E levou-o para criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Onde mora o senhor,&lt;br /&gt;Que meu avô conheceu?&lt;br /&gt;Que eu nem me lembro mais&lt;br /&gt;Do tempo que ele morreu&lt;br /&gt;E você está parecendo&lt;br /&gt;Muito mais moço que eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Eu sei do dia e da hora&lt;br /&gt;Que nasceu seu bisavô,&lt;br /&gt;Chamava-se Ana Mendes&lt;br /&gt;A parteira que o pegou&lt;br /&gt;E conheci muito o frade&lt;br /&gt;E o vi quando o batizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Bote sua maca abaixo&lt;br /&gt;Conte essa história direito,&lt;br /&gt;Da forma que você conta&lt;br /&gt;Eu não fico satisfeito&lt;br /&gt;Como ver-se um objeto&lt;br /&gt;Antes daquilo ser feito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Seu bisavô se chamava&lt;br /&gt;Apolinário Cancão&lt;br /&gt;Era filho de um ferreiro&lt;br /&gt;Que o chamavam Gavião&lt;br /&gt;Sua bisavó Lourença&lt;br /&gt;Filha de Amaro Assunção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Mas que idade tem você,&lt;br /&gt;Que me faz admirar?&lt;br /&gt;Conheceu meu bisavô&lt;br /&gt;Eu não posso acreditar,&lt;br /&gt;Assim destas condições&lt;br /&gt;Faz até desconfiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Seu bisavô e o avô&lt;br /&gt;Foram por mim conhecidos,&lt;br /&gt;Seu pai, sua mãe, você&lt;br /&gt;Antes de serem nascidos&lt;br /&gt;Já estavam em minha nota&lt;br /&gt;Para serem protegidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Que proteção tem você&lt;br /&gt;Para proteger alguém?&lt;br /&gt;Sua pessoa e os trajes&lt;br /&gt;Mostram o que você tem&lt;br /&gt;A sua cor e aspecto&lt;br /&gt;Esclarecem muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Eu protejo você tanto,&lt;br /&gt;Que o defendi de morrer&lt;br /&gt;Você se lembra da onça&lt;br /&gt;que um a vez quis lhe comer&lt;br /&gt;Que apareceu um cachorro&lt;br /&gt;E fez a onça correr?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Me lembro perfeitamente&lt;br /&gt;Quando a onça m e emboscou&lt;br /&gt;Já ia marcando o salto&lt;br /&gt;Quando um cachorro chegou&lt;br /&gt;A onça correu com medo,&lt;br /&gt;Eu não sei quem me salvou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Pois foi este seu criado&lt;br /&gt;Que viu a onça emboscá-lo&lt;br /&gt;Eu chamei por meu cachorro&lt;br /&gt;Para da onça livrá-lo&lt;br /&gt;Se lembra quando você&lt;br /&gt;Ouviu o canto dum galo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Eu me lembro disso tudo&lt;br /&gt;Porque assim foi passado;&lt;br /&gt;Mas que idade tinha eu&lt;br /&gt;Quando esse caso foi dado?&lt;br /&gt;Eu era tão pequenino&lt;br /&gt;Que m eu pai teve cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Você tinha nove anos&lt;br /&gt;Foi caçar um novilhote&lt;br /&gt;Se entreteu com umas flores&lt;br /&gt;Que tinha lá no serrote&lt;br /&gt;A onça foi esperá-lo&lt;br /&gt;Para sangrá-lo no bote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão disse consigo:&lt;br /&gt;- De onde veio esse ente,&lt;br /&gt;Que de toda minha vida&lt;br /&gt;Conhece perfeitamente?&lt;br /&gt;Este, será que é o Diabo&lt;br /&gt;Que está figurado em gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - O senhor pergunta assim&lt;br /&gt;De que parte venho eu...&lt;br /&gt;Eu venho de onde não vai&lt;br /&gt;Pensamento como o seu&lt;br /&gt;E saí do ideal&lt;br /&gt;Primeiro que apareceu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Agora acabei de crer&lt;br /&gt;Que tu és o inimigo!&lt;br /&gt;Te transformaste em homem,&lt;br /&gt;Para vir cantar comigo,&lt;br /&gt;Mas eu acredito em Deus&lt;br /&gt;Não posso correr perigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Ainda não, lhe ameacei,&lt;br /&gt;Nem pretendo ameaçá-lo!&lt;br /&gt;Estou pronto a defendê-lo,&lt;br /&gt;Se alguém quiser atacá-lo&lt;br /&gt;Em minha humilde pessoa,&lt;br /&gt;Tem um pequeno vassalo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Não quero saber de ti,&lt;br /&gt;Porque tu és traidor:&lt;br /&gt;Desobedeceste a Deus,&lt;br /&gt;Sendo Ele o Criador!&lt;br /&gt;Fizeste traição a Ele&lt;br /&gt;Quanto mais a um pecador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Riachão, amas a Deus&lt;br /&gt;Sendo mal recompensado!&lt;br /&gt;Deus fez de Paulo um Monarca&lt;br /&gt;De Pedro um simples soldado&lt;br /&gt;Fez um com tanta saúde,&lt;br /&gt;Outro cego e aleijado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - Se Deus fez de Paulo um rei,&lt;br /&gt;Porque Paulo merecia&lt;br /&gt;Se fez de Pedro um soldado,&lt;br /&gt;Era o que a Pedro cabia:&lt;br /&gt;Se não fosse necessário,&lt;br /&gt;O grande Deus não fazia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - O teu vizinho e parente&lt;br /&gt;Enricou sem trabalhar;&lt;br /&gt;Teu pai trabalhava tanto&lt;br /&gt;E nunca pode enricar&lt;br /&gt;Não se deitava uma noite&lt;br /&gt;Que deixasse de rezar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - M eu pai morreu na pobreza,&lt;br /&gt;Foi fiel ao seu Senhor!&lt;br /&gt;Executou toda ordem&lt;br /&gt;Que lhe deu o Criador&lt;br /&gt;E foi um a das ovelhas&lt;br /&gt;Que deu mais gosto ao pastor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N - Arre lá! Lhe disse o Negro.&lt;br /&gt;Você é caso sem jeito!&lt;br /&gt;Eu com tanta paciência,&lt;br /&gt;Estou lhe ensinando direito&lt;br /&gt;Você vê que está errado,&lt;br /&gt;Faz que não vê o defeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R - É muito feliz o homem&lt;br /&gt;Que com tudo se consola!&lt;br /&gt;posso morrer na pobreza,&lt;br /&gt;Me achar pedindo esmola&lt;br /&gt;Deus me dá para passar&lt;br /&gt;Ciência e esta viola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negro olhou Riachão&lt;br /&gt;Com os olhos de cão danado,&lt;br /&gt;Riachão gritou: - Jésus,&lt;br /&gt;Homem Deus Sacramentado!&lt;br /&gt;Valha-me a Virgem Maria,&lt;br /&gt;A Mãe do Verbo Encarnado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o negro, soltando um grito,&lt;br /&gt;Dali desapareceu.&lt;br /&gt;De uma catinga de enxofre&lt;br /&gt;A casa toda se encheu,&lt;br /&gt;Os cães uivaram na rua,&lt;br /&gt;O chão da casa tremeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riachão ficou cismado&lt;br /&gt;Com cantor desconhecido,&lt;br /&gt;Que, quando encontrava um,&lt;br /&gt;Tomava logo sentido&lt;br /&gt;O seu primeiro repente&lt;br /&gt;Era a Deus oferecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história que escrevi&lt;br /&gt;Não foi por mim inventada:&lt;br /&gt;Um velho daquela época&lt;br /&gt;Tem ainda decorada.&lt;br /&gt;Minha aqui só são as rimas&lt;br /&gt;Exceto elas, mais nada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7041804823451716746?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7041804823451716746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/peleja-de-riachao-com-o-diabo-autor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7041804823451716746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7041804823451716746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/peleja-de-riachao-com-o-diabo-autor.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8007430569898369833</id><published>2009-10-19T16:26:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T07:35:35.615-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='repente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cordel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='septilha'/><title type='text'>Vejo capoeira em tudo</title><content type='html'>&lt;span style="color: blue;"&gt;Vejo capoeira em tudo&lt;br /&gt;Que vivo no dia a dia&lt;br /&gt;O peixe nada gingando&lt;br /&gt;No riacho de água fria&lt;br /&gt;A nuvem que negaceia&lt;br /&gt;Jogando no céu, passeia&lt;br /&gt;Gato cantando, é que mia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capoeira está aí&lt;br /&gt;Pra quem quiser reparar&lt;br /&gt;Sirene gritando avisa&lt;br /&gt;Cavalaria a passar&lt;br /&gt;Cachorro faz desafio&lt;br /&gt;Latindo horas a fio&lt;br /&gt;Convidando pra jogar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dentro da mata verde&lt;br /&gt;Vejo ipê fazer lambança&lt;br /&gt;A sua chamada pro céu&lt;br /&gt;Com o galho que balança&lt;br /&gt;Responda com atenção&lt;br /&gt;Se subir, cair no chão&lt;br /&gt;Não vá querendo vingança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo capoeira em tudo&lt;br /&gt;No jeito do galo cantar&lt;br /&gt;Em vovó limpando couve&lt;br /&gt;Na cozinha pro jantar&lt;br /&gt;Cada folha escolhida&lt;br /&gt;É uma escolha que a vida&lt;br /&gt;Na roda nos faz jogar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ônibus que pego às seis&lt;br /&gt;Capoeira me ensina&lt;br /&gt;Sem espaço prá mexer&lt;br /&gt;Aperto não me amofina&lt;br /&gt;Andando pra todo rumo&lt;br /&gt;Ele balança, eu me aprumo&lt;br /&gt;Cumprindo com minha sina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fio esticado no poste&lt;br /&gt;É corda de berimbau&lt;br /&gt;O arco não se enverga&lt;br /&gt;Mas o som sai, bem ou mal&lt;br /&gt;O vento é quem tira o som&lt;br /&gt;E é tocador do bom&lt;br /&gt;Que assobia no quintal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo capoeira em tudo&lt;br /&gt;No dia em que nasci&lt;br /&gt;Aqui o meu obrigado&lt;br /&gt;Deixo aos que conheci&lt;br /&gt;Faço a volta do mundo&lt;br /&gt;Olho no olho, no fundo&lt;br /&gt;E deixo a boca sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha mãe agradeço&lt;br /&gt;Por ter me posto na Terra&lt;br /&gt;Ao meu pai, muito obrigado&lt;br /&gt;Meu sentimento encerra&lt;br /&gt;Gratidão e liberdade&lt;br /&gt;Meu pai se foi, que saudade !&lt;br /&gt;Eu continuo na guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus irmãos, obrigado&lt;br /&gt;Por brigarem, por sorrirem&lt;br /&gt;Por ensinarem amizade&lt;br /&gt;Por falarem, por mentirem&lt;br /&gt;Por mostrarem que o ninho&lt;br /&gt;Tem mais de um passarinho&lt;br /&gt;Por vocês quatro existirem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos amigos, obrigado&lt;br /&gt;Pelas mãos para apertar&lt;br /&gt;Pelas cervejas caídas&lt;br /&gt;Pelos ombros de apoiar&lt;br /&gt;Pelas palavras de apoio&lt;br /&gt;O trigo separa do joio&lt;br /&gt;Respiro amizade no ar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amor, muito obrigado&lt;br /&gt;Pelas horas divididas&lt;br /&gt;Na saúde, na doença&lt;br /&gt;As risadas repartidas&lt;br /&gt;Pelo frescor na noite quente&lt;br /&gt;Na noite fria, ardente&lt;br /&gt;Pelas vindas, pelas idas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Aos mestres que me ensinaram&lt;br /&gt;Não tenho como pagar&lt;br /&gt;Não se paga uma vida&lt;br /&gt;Não se paga o caminhar&lt;br /&gt;Agradeço a essas pessoas&lt;br /&gt;Para mim, mais do que boas&lt;br /&gt;João, Capacete, KK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo capoeira em tudo&lt;br /&gt;Dia, noite, madrugada&lt;br /&gt;Aqui o meu obrigado&lt;br /&gt;Aos que vejo na jornada&lt;br /&gt;Dou na roda uma volta só&lt;br /&gt;Vou calado, que é melhor&lt;br /&gt;E solto no vento a risada&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8007430569898369833?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8007430569898369833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/vejo-capoeira-em-tudo-que-vivo-no-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8007430569898369833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8007430569898369833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/vejo-capoeira-em-tudo-que-vivo-no-dia.html' title='Vejo capoeira em tudo'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2944791813381093424</id><published>2009-10-05T09:31:00.000-07:00</published><updated>2010-12-12T13:18:04.024-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;Depoimento do Mestre Caiçara - Parte 5 de 6&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O depoimento do Mestre Caiçara foi tomado pelo Mestre Matiole, durante o Encontro Nacional de Capoeira de Ouro Preto, promovido em 1987 pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga (de Belo Horizonte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;O símbolo [???] indica um trecho do áudio que não consegui transcrever. Entendimentos e sugestões são bem-vindos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XHZq9qpvFZ0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/XHZq9qpvFZ0?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Caiçara: Bahia... Dos meus cantos, das minhas horas, dos meus trabalhos... Tem que tá contigo. As minhas oração. [???] a minha paz, o meu silêncio. Eu trabalho muito com ebó, faço muito ebó, viu ? Trabalho com Deus, com santo, com o diabo e com Maria Padilha. Hahahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mestre Matiole: Ô mestre... Falando de religião, esta parte do candomblé... É que a população não entende muito o que é isso... Muitas vezes o cara pensa que está mexendo é com o diabo, mexendo com essas coisas. E justamente também por causa disso que o senhor falou, que o senhor parou porquê tem muita gente ruim mexendo nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Muita falsidade...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Muita falsidade. Mas existe a oportunidade do candomblé autêntico. E existe a oportunidade do candomblé para turista. E existe a oportunidade do candomblé de cachaça, o candomblé de ilusão do povo. Mas o candomblé original, autêntico e histórico do afro-brasileiro, existe. Eu mesmo, dou os dados do senhor. Já um qualquer, [???] numa hora particular... Então eu exprico como é a origem do candomblé, o fundamento do candomblé, os cantos do candomblé, o toque de Exu a Olorum. Em suas encruzilhadas. Olorum é Deus. Os orixás. Os babá e os eguns. Os orixás é Ogum, é Tempo, é Ossaim. Você não pode falar demais dos orixás... Daqui a pouco você vai até abrir uma casa de candomblé. Hahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Quem sou eu, mestre... Ô mestre, o senhor falou para a gente do maculelê...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: O maculelê, foi criado pelo... Um moço, ele hoje é falecido. De Santo Amaro, de nome Popó. É a dancinha dos pauzinho. Aquilo não tem fundamento não... É coisa que... Foi criado outro dia. Agora, o candomblé e a capoeira autêntica, não. Porquê é uma coisa...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mais séria...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Ô mestre, o senhor aceita um refrigerante, ou água ? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Uma aguinha, um pouquinho de água... Não... Um refrigerante.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Um refrigerante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Você viu a porrada que eu dei ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Senhor ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Você viu a porrada que eu dei ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Aonde ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Você não viu eu falando não ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Vi...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Gostou das minhas opiniões ? Por causa que hoje em dia tem mais mestres do que aluno... Fazendo daquilo um comércio ! Que não pode fazer... [???] Fazer alguma coisa com permissão. Mostrar autenticidade. Então você cria. É como você plantar feijão em cima da terra... da pedra. Esse limpar a terra, para poder plantar feijão. Quem é que vai colher com permissão, é você ou ele ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: É ele, né ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É ele, porquê limpou a terra ! Quem plantou, quer dizer, você não. Você vai bater com a cabeça. É como se dá com os capoeiristas que estão aí [???] gravando a todos. Suspendeu a perna, deu uma meia-lua, é mestre de capoeira. Porra... Não pode ser... Não sabe os fundamentos... Não conhece os toques, não conhece os cantos, a origem da capoeira. Não é porque você suspendeu a perna, você ??? Não, vamos ver lá o que é que é. Então pronto, eu não discordo que você saiba suspender a perna. [???] Aprender a brigar na rua. Tá procurando brigar [???] Não tá procurando criar uma coisa que você pode, amanhã ou depois, se apresentar. Uma coisa original. Uma coisa autêntica, uma coisa que você, quando nasceu, e depois você ouviu falar. E tinha raiz. Então vamos procurar voltar, descobrir a raiz... Daquilo que é nosso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: [???]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Aprendi a [???] Só dentro de casa. Saia para fora de casa para se livrar [???]&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: [???&lt;/span&gt;]&lt;br /&gt;MC: [???] Não dá não, que foi comprado na rua... Dois anos, onze meses e três dias. Uma dormia com a cabeça aqui, outra cá. E eu no meio. Hahahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: E dava conta das duas, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Hein ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: E dava conta das duas, mestre ? Toda noite ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Toda noite ! Dava uma cipoada com uma, ia tomar um banho. Daí a pouco, dava uma cipoada com a outra e ia tomar banho. Aí vinha dormir. Hahahaha. De manhã cedo, era um fecha-casa. Hahahaha. A mulher disse que precisava aprender quem era mais inteligente, para derrubar o mastro. Hahahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mas elas não se pegavam não ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Não... Era tudo na boa. Procure saber, e se for mentira minha, me chame de cínico ! Procure saber lá na Bahia... Mestre Caiçara morou com duas mulheres. Morava no São Cristóvão, na ladeira do São Cristóvão. Eu era magarefe no Retiro, tinha açougue [???] Era chiquezinha, toda bonitinha. Porra... E as muié brigava, e [???] mestre de capoeira, batia nesses moleque, entrava nas roda, acabava com as roda [???] Hahahaha. Já briguei muito. Procê... Hein ? Beleza...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Já brigou muito, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Já briguei muito...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Na roda também ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Na roda, não... Fora da roda.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Hein ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Casa de jogo, cabaré... [???] Sou todo baleado. Capoeira eu brigava, acabava com as roda.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Acabava com as rodas ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Até na casa do... na academia do Mestre Bimba, eu invadi e meti o pau nele por lá. Daí a pouco ele quebrou a minha boca. Eu era abusado como uma porra, chapéu de veludo, a sola no bolso, calça diagonal, sapato [???] branco. E é vem Caiçara, corre ! Até no matadouro onde eu matava boi. Meus colega tinha medo, iam para dentro do mato jogar baralho. Todo mundo melado de sangue, açougueiro.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: O senhor mexeu com açougue muitos anos, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Hum ?&lt;br /&gt;MM: O senhor mexeu com açougue muitos anos ?&lt;br /&gt;MC: Açougue ? Eu era magarefe, matava boi, tinha açougue, aquela coisa toda. [???] como uma pinóia.&lt;br /&gt;MM: [???], mestre ?&lt;br /&gt;MC: Eu era...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Dava marretada ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Era... Matava com... Tinha uma machadinha desse tamanho. Batia aqui, ele caia. Tinha dia que eu tava zangado, matava o boi, sangrava e bebia o sangue. Alucinado. É... Eu era malvado como uma porra. [???] não foi... Tem alguns deles por aí, não é só na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mestre, alunos do senhor... O senhor teve algum assim, bom ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Ah, tem um bocado... Tanto aqui como no exterior... É. Esses mestres de São Paulo, tudo respeita meus aluno... que tenho em São Paulo. Até hoje eu tenho um lá, chamado Silvestre.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Silvestre é aluno do senhor ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É. Que eles tudo respeita. Tinha Nego Dimola, tinha o Gajé, essa turma toda, o Paulo Limão, cê lembra ? Ah, veio mais o Moraes, aqui no Rio... o finado... Zeca. Zeca Dez Conto. Ah, sim... Tinha Sina, tinha Waldemar, tinha aquele menino chamado.. Acaçá, neguinho Acaçá.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2944791813381093424?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2944791813381093424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/depoimento-do-mestre-caicara-parte-5-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2944791813381093424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2944791813381093424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/10/depoimento-do-mestre-caicara-parte-5-de.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-584263790077982316</id><published>2009-08-20T09:55:00.000-07:00</published><updated>2009-08-20T09:56:02.582-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/o51d3ILayiPYD6hgQK-NpQ?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRN08IiDI/AAAAAAAABOw/epFGSvXWfHk/s144/004_desenho18.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 maldoso&lt;br /&gt;as possiçães&lt;br /&gt;é bem visível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a maldade no&lt;br /&gt;jogo em baixo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anum não canta em gaiola&lt;br /&gt;Nem bem dentro nem bem fora&lt;br /&gt;So cana no formigueiro&lt;br /&gt;Quando vê formiga fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-584263790077982316?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/584263790077982316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/2-maldoso-as-possicaes-e-bem-visivel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/584263790077982316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/584263790077982316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/2-maldoso-as-possicaes-e-bem-visivel.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRN08IiDI/AAAAAAAABOw/epFGSvXWfHk/s72-c/004_desenho18.jpg' height='72' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6569435539386937799?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6569435539386937799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/eu-nao-sou-folha-de-flande-nem-prato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6569435539386937799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6569435539386937799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/eu-nao-sou-folha-de-flande-nem-prato.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRMU8IiCI/AAAAAAAABOo/oqWDJOgiwBY/s72-c/004_desenho17.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-2999652039783094600</id><published>2009-08-20T09:51:00.000-07:00</published><updated>2009-08-20T09:52:15.224-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/kR_Bt3hlTNiFGcBmJk7MPg?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRKk8IiBI/AAAAAAAABOg/q6_Ngz8Mu2w/s144/004_desenho16.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2999652039783094600?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2999652039783094600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2999652039783094600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/_eAspc4xpx_gUguS7CPj2A?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRKE8IiAI/AAAAAAAABOY/tvO-pd9Qu20/s144/004_desenho15.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inicio, ou&lt;br /&gt;maldade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8984167603767817866?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8984167603767817866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/inicio-ou-maldade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link 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href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/UKQVLbexahUkzy1wqSBX4A?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRF08Ih-I/AAAAAAAABOI/xVVIgYUQq8o/s144/004_desenho14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino você leia&lt;br /&gt;minha ladainha&lt;br /&gt;O Centro perciza&lt;br /&gt;É de uma madrinha&lt;br /&gt;Amanhã um reinado&lt;br /&gt;Com sua rainha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1893068629936539828?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1893068629936539828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/menino-voce-leia-minha-ladainha-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2191568437932164782?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2191568437932164782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/capital-de-assunsao-fortaleza-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2191568437932164782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2191568437932164782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/capital-de-assunsao-fortaleza-e.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRFU8Ih9I/AAAAAAAABOA/vbMxq741SLw/s72-c/004_desenho13.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8701953824050317131</id><published>2009-08-20T09:42:00.000-07:00</published><updated>2009-08-20T09:43:17.433-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/C_11yP6cpK_lcluRk4ARMQ?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspREk8Ih8I/AAAAAAAABN4/x0LUkhu32Vs/s144/004_desenho12b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ja me perguntaram&lt;br /&gt;Qual dos dois é o melhor&lt;br /&gt;Se é o mestre Olampio&lt;br /&gt;Ou o mestre corior&lt;br /&gt;No meu Centro&lt;br /&gt;Cada qual é melhor&lt;br /&gt;Quem tever mena prezencia&lt;br /&gt;Este, leva a pior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8701953824050317131?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8701953824050317131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/ja-me-perguntaram-qual-dos-dois-e-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8701953824050317131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8701953824050317131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/ja-me-perguntaram-qual-dos-dois-e-o.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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/&gt;Um é cobra mança, e o outro é gavião&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-5274927481191863990?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/5274927481191863990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/muito-povo-as-centenas-ve-capoeira-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5274927481191863990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/5274927481191863990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/muito-povo-as-centenas-ve-capoeira-em.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspREE8Ih7I/AAAAAAAABNw/Z20-5Mfi5R4/s72-c/004_desenho12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-9142247191304883734</id><published>2009-08-19T09:32:00.001-07:00</published><updated>2009-08-19T09:32:20.029-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrido'/><title type='text'></title><content type='html'>Genti qui vem di Lisbôa&lt;br /&gt;Genti qui vem lá du má&lt;br /&gt;Laçu di fita'marela&lt;br /&gt;Na ponta da vela, nu meio du má&lt;br /&gt;Ei nóis&lt;br /&gt;Qui viemo d'ôtas terra&lt;br /&gt;D'ôtos má&lt;br /&gt;Temo pórva, chumbu i bala&lt;br /&gt;Nói viemo é guerriá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samba nu má, samba nu má marinhêro&lt;br /&gt;Samba nu má marinhêro, samba nu má istrangêro&lt;br /&gt;Samba nu má, samba nu má marinhêro&lt;br /&gt;Samba nu má marinhêro, vai apanhá istrangêro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-9142247191304883734?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/9142247191304883734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/genti-qui-vem-di-lisboa-genti-qui-vem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9142247191304883734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9142247191304883734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/genti-qui-vem-di-lisboa-genti-qui-vem.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-9029612314254876731</id><published>2009-08-06T13:25:00.001-07:00</published><updated>2009-08-06T13:25:49.462-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrido'/><title type='text'></title><content type='html'>U fi da faca'molada&lt;br /&gt;Quano passa dói nu osso&lt;br /&gt;Corta carni, corta nervu&lt;br /&gt;Corta véio, corta moço&lt;br /&gt;Faca'fiad'é pirigo&lt;br /&gt;Cascavé di bot'armadu&lt;br /&gt;Corta dia, corta noite&lt;br /&gt;Corta seco i moiadu&lt;br /&gt;U ferru bem afiado&lt;br /&gt;Corta reto, corta tortu&lt;br /&gt;Corta piquenin i grandi&lt;br /&gt;Corta vivo, corta mortu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai jogá&lt;br /&gt;Mulequin di sinhá&lt;br /&gt;Vai jogá&lt;br /&gt;Mulequin di sinhá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-9029612314254876731?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/9029612314254876731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/u-fi-da-facamolada-quano-passa-doi-nu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9029612314254876731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9029612314254876731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/u-fi-da-facamolada-quano-passa-doi-nu.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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As mais usadas são as pentatônicas menores e as maiores, que podem ser ouvidas em estilos musicais como o blues, o rock e a música popular. Muitos músicos denominam-na simplesmente de "penta".&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Escalas pentatônicas são muito comuns, e encontradas por todo o mundo, incluindo mas não limitadas a: música tradicional celta, música tradicional húngara, música do oeste da África, cânticos espirituais afro-americanos, jazz, blues, rock, canto sami joik, músicas infantis, músicas tradicionais gregas de Epirus, noroeste da Grécia e sul da Albânia, afinação do instrumento etíope krar, afinação do instrumento indonésio gamelan, do kulintang filipino, melodias da Coréia, Japão, China e Vietnam (incluindo músicas populares destes países), tradição afro-caribenha, montanheses da Polônia e compositores clássicos como o francês Claude Debussy. A escala pentatônica é também utilizada nas gaitas de fole escocesas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Bacana, né ? Agora &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ne6tB2KiZuk"&gt;veja o vídeo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ao final, o sujeito (Bobby McFerrin) comenta que &lt;span style="color: rgb(0, 0, 255);"&gt;"ele já fez esse tipo de performance em diversos lugares do mundo, e em qualquer deles a platéia "pega" a idéia do mesmo jeito"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É como se o nosso cérebro humano estivesse "programado" de nascença a entender escalas pentatônicas. A música unindo o mundão sem porteira...&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;E falando nisso, sinta o peso desse som aqui (projeto "&lt;a href="http://www.playingforchange.com/"&gt;Playing for change&lt;/a&gt;" - uma única música gravada por gente do mundo todo, tudo-ao-mesmo-tempo-agora):&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Us-TVg40ExM"&gt;Stand by me&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fgWFxFg7-GU"&gt;War, No more trouble&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4xjPODksI08"&gt;One love&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-1127031118592974402?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/1127031118592974402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/o-poder-da-escala-pentatonica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1127031118592974402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/1127031118592974402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/o-poder-da-escala-pentatonica.html' title='O poder da escala pentatônica'/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7244341716137376243</id><published>2009-08-04T14:38:00.001-07:00</published><updated>2009-08-04T14:38:46.681-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>Gunga bateu ! O povo da rua se achega, as crianças vem brincando pelas esquinas - balançando matos e revirando papéis velhos. Pássaros nos beirais se olham intrigados, sem saber de onde vem o chamado. O gato velho levanta as orelhas, sem ter certeza se ouviu seu nome. Gunga bateu ! A cachorrada se assanha, aqueles presos em coleiras invejando os que correm soltos na direção do som. Os cavalos vão se aproximando para vadiar. O arame segue falando, abrindo as portas e trazendo todos para perto. O arco é colorido, arco-íris entre céu e terra, chamando os de longe para perto. Gunga firmado, chega o roseiro, e vai contrapondo seu som - um gemido não tão sério quanto o de seu irmão mais velho, mas ainda assim fazendo com que os viventes tentem entender de onde vem cada arrepio. O toque tem cadência, é pesado - quase sólido, e segue batendo. Dim-dom-dim, dim-dom-dim, berimbaus bateram ! Quem está prestando atenção, mal levanta os olhos, tal a indolência ritmada. Viola chega por último, magrelinho e risonho. É uma verguinha, uma cabacinha, um fiozinho de arame. Mas da boca só lhe sai o que tem nas entranhas, e é alegria pura... Para quebrar o siso dos mais velhos, para impor um pouco de caos à ordem. E vai gritando - hora que sim, hora que não. Dim-dom-dim, dim-dom-dim, tríade formada, berimbaus bateram ! Pandeiro abre um olho, depois o outro. Vê o povo da rua em volta, gatos, cães, pombos, cavalos à espera. Vê cada morceguinho que observa de cabeça para baixo, escondidinho na sombra da mangueira. Pandeiro fala, e cada joelho da praça se balança. Cutuca seu irmão, também pandeiro, e lá vão os dois candongando. Tum-tá, dim-dom-dim - velhos conhecidos se reencontram, e lembram dos tempos antigos. Ingoma acorda mal-humorado. O couro de boi quer correr de novo em savana, e se deleita no lambuzo de dendê. Ingoma é atabaque, tambor que lembra do tempo da chegada, e tem saudade. TUM-TÁ-TUM, fala alto e um ou outro passarinho tem saudade de casa e voa para longe. Um cachorro se lembra do quintal onde cresceu, e gane baixinho. TUM-TÁ-TUM, tum-tá, dim-dom-dim, a bola de neve vai descendo o morro. Reco-reco vem de fininho, e começa a se esfregar, e é de uma quentura tão quente que os pés de todos se esfregam no chão, saltitando. O gato velho tem certeza de que alguém lhe chamou, e chega mais perto. O ferro observa a tudo, a tudo vê. Uma boca fala, outra boca fala, dim-dim-dom-dom-dom-dim-dim. O sol parece tremer por um segundo, enquanto o ritmo oscila para cima e para baixo - cavalo corcoveando no pasto, a espera de cavaleiro. O ferro segue gritando, falando da mina, da terra, do escuro do fundo do chão, do barro que fez homem e faz casa. Rei vindo de longe, agogô é ferro, e chama quem ainda não veio. E chega um, para comer antes de todos. E depois do um, outros, muitos outros. Dim-dom-dim, TUM-TÁ-TUM, tum-tá !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7244341716137376243?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7244341716137376243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/gunga-bateu-o-povo-da-rua-se-achega-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7244341716137376243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7244341716137376243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/gunga-bateu-o-povo-da-rua-se-achega-as.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-6251753658384026151</id><published>2009-08-02T12:51:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T12:53:48.977-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensando alto'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Maré, braço de mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Laurindo das Neves começou a jogar capoeira em 1918. Segundo palavras dele mesmo, "aprendeu a tocar e a jogar observando os outros" (ouça a entrevista aqui &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_EQbRlEzAOk" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=_EQbRlEz&lt;wbr&gt;AOk&lt;/a&gt; ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Laurindo das Neves cresceu para se tornar o Mestre Totonho de Maré, celebrado até os nossos dias como um dos grandes da capoeira. Quem nunca ouviu "Eu conheci Canjiquinha, também Mestre Bimba, &lt;b&gt;também seu Maré&lt;/b&gt;" ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e hoje em dia, um capoeirista aprende a jogar só de olhar e ouvir ? Há quem diga "se o Mestre Maré não teve mestre, por que eu preciso ter ?" Não posso freqüentar rodas, observar e aprender ? Não posso comprar DVDs e CDs de capoeira, e também ser bamba ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondendo a minha própria chamada, resumo a problemática numa palavra: &lt;b&gt;contexto&lt;/b&gt;. Maré via e ouvia, mas provavelmente também conversava com os capoeiras, respirava ares cheios de informação e mandinga. Será que freqüentava as docas e as áreas da malandragem, da cafetinagem ? Será que se envolvia em "barulhos" onde precisava se por à prova ? Na entrevista citada acima, ele menciona uma briga com um companheiro, por causa de um revólver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo que Antônio Laurindo das Neves não teve um mestre - teve vários. E o maior deles, a própria vida num ambiente de malandragem (como diz o Mestre Toni Vargas, "&lt;i&gt;se não fosse malandro, nem crescia&lt;/i&gt;"). Talvez daí o seu nome: Maré, ilha da Baia de Todos os Santos. Um baiano cercado de capoeira por todos os lados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6251753658384026151?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6251753658384026151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/mare-braco-de-mar-antonio-laurindo-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6251753658384026151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6251753658384026151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/mare-braco-de-mar-antonio-laurindo-das.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3996147549607770549</id><published>2009-08-02T12:31:00.000-07:00</published><updated>2010-12-12T13:20:51.172-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;Depoimento do Mestre Caiçara - Parte 4 de 6&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O depoimento do Mestre Caiçara foi tomado pelo Mestre Matiole, durante o Encontro Nacional de Capoeira de Ouro Preto, promovido em 1987 pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga (de Belo Horizonte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xv25WuXOuNM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xv25WuXOuNM?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O símbolo [???] indica um trecho do áudio que não consegui transcrever. Entendimentos e sugestões são bem-vindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mestre Matiole: Ô mestre, o senhor falou que a cobra mordeu o senhor e ela morreu, né ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mestre Caiçara: É, se morder, morre. Por causa do veneno. Cobra mordeu Caiçara e morreu, cobra mordeu Caiçara e morreu. Aí diz "Ai ai, aidê ! Joga bonito que eu quero aprender", quando tu tá querendo dizer que eles são burros. Tu diz assim: diz "Ai ai, aidê ! Joga bonito que eu quero aprender". Tá dizendo que ele é burro, né ?... [???] Tô aqui esses dias, agoniado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: De saudade...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Ih...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: O senhor tem muito neto ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Filho... Trinta filhos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: E os netos ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Vinte e dois.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Vinte e dois netos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: E doze bisnetos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Doze bisnetos... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: [???] Eu tenho uma filha [???] Ela não tem comido mesmo. Eu como assim mas... meu pensamento é nela.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Dois anos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É. Quando... De manhã cedo eu acordo, eu tenho uns passarinhos. Tenho um pássaro-preto, tenho um [???] bicudo, curió, tenho cardeal, tenho cabocolinho, tenho chorão, tenho um papagaio, tenho um papa-capim, tenho um... um pracinha, tenho um azulão. Mas quando chega de manhã que eu acordo para poder... Para [???], eu acordo, ela acorda e fica assim... Tem dois anos ! "Papai, papai, papai"&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Dois anos ela tem ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É. "Papai!", e me toma a bênção. Eu aí que posso limpar os passarinhos. Aí pronto. Dali, ninguém, ela nem que ponha o [???] dela, fazer xixi, e aí "Papai, xixi!". Aí fica mostrando assim a máquina, e aí [???]. E eu limpando os passarinhos. Não gosto nem de falar...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Passarinho então, o senhor gosta de passarinhos, mestre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Gosto... Sou louco por passarinho.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mestre, e na música da capoeira, o senhor tem músicas do senhor mesmo ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: O senhor tem músicas que o senhor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Todas que eu canto, é minha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Todas, do senhor. Aquele disco, por exemplo, que nós conhecemos, da academia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É. É todas nossa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: É "Unidos..." Como é o nome do disco, mesmo ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É... Academia de Capoeira Angola São Jorge dos Irmãos Unidos do Mestre Caiçara. Agora mesmo eu vou gravar outro disco, depois do carnaval.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Músicas do senhor, né ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: O senhor mesmo faz as letras...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;fotógrafa&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Então aquelas músicas, grande parte é do senhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É. Não ! Grande, não ! Todas ! Até a que a mulher canta, eu que mandei ela cantar. Porquê sempre tem que botar mulher no meio... Eu tava limpo, sem dinheiro, ela me botou na gravadora lá em São Paulo. É... Aquela gravação da "Mangueira"... "Alô, Bahia..."&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Os discos... Zé Maria pinta muito na casa dele, ao som daquele disco do senhor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mestre, e as mulheres ? Fala para a gente das mulheres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Ah, mulher... Para que coisa melhor de que mulher ? Só duas. Eu gosto tanto de mulher, que eu gosto da vida. Que a vida é fêmea. Hahaha. Para que melhor que mulher ? Só duas ! Tem um sambinha que eu fiz que diz assim: "Emburané, emburaná, imbigada batida, jatobá ! Imbigada batida, só no imbigo, homem com homem, mulher comigo ! Botão de ceroula que faz o [???], no bulir das cadeiras, que mata nós !" Ele gosta... Hahaha. Ê menino relaxado, vem com o mestre. Hahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Ê, mestre... Bom demais !&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Para mim, eu vou para a Bahia...&lt;/fotógrafa&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3996147549607770549?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3996147549607770549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/depoimento-do-mestre-caicara-parte-4-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3996147549607770549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3996147549607770549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/08/depoimento-do-mestre-caicara-parte-4-de.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3180895469991006326</id><published>2009-07-30T09:27:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T09:28:51.977-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/gsjmvefeAXaF-PnDjClsSA?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRCk8Ih6I/AAAAAAAABNo/7Szq06eBxps/s144/004_desenho11.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camarada vamos para o mangue&lt;br /&gt;No mangue tem caranguejo&lt;br /&gt;Camarada vamos para cama&lt;br /&gt;Que na cama tem pesevejo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3180895469991006326?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3180895469991006326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/camarada-vamos-para-o-mangue-no-mangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3180895469991006326'/><link rel='self' 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scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/ERBSvx9xnK4FoPqC6UMtgQ?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspRCE8Ih5I/AAAAAAAABNg/RYOabsxzglQ/s144/004_desenho10b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil nosso Brasil&lt;br /&gt;Ó Patria do amor&lt;br /&gt;Do teus filhos és mãe gentil&lt;br /&gt;Nasci em Salvador&lt;br /&gt;A capoeira por todo Brasil&lt;br /&gt;No momento de festa, ou de dor&lt;br /&gt;Capoeira aos mil&lt;br /&gt;Encontra-se em Salvador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-2614129027650545147?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/2614129027650545147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/brasil-nosso-brasil-o-patria-do-amor-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2614129027650545147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/2614129027650545147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/brasil-nosso-brasil-o-patria-do-amor-do.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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/&gt;&lt;br /&gt;Brasil nosso Brasil&lt;br /&gt;Pavilhão do nosso amor&lt;br /&gt;Eu ja fui juvenil&lt;br /&gt;E masci no Salvador&lt;br /&gt;A capoeira por todo Brasil&lt;br /&gt;No momento de festa, ou de dor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7252044788295545577?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7252044788295545577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/brasil-nosso-brasil-pavilhao-do-nosso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7252044788295545577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-257866269805172834?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/257866269805172834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/sinhazinha-que-vende-ai-vendo-arroz-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/257866269805172834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/257866269805172834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/sinhazinha-que-vende-ai-vendo-arroz-do.html' 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A equipe do projeto agradece ao Mestre Lua, e deseja melhoras ao Mestre Bigodinho !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações sobre o projeto &lt;a href="http://campodemandinga.googlepages.com/mestrewaldemar"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SnHELyJDo8I/AAAAAAAADFU/UjDOA-Oldco/s1600-h/recibo+-+1a+fornada.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 291px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SnHELyJDo8I/AAAAAAAADFU/UjDOA-Oldco/s400/recibo+-+1a+fornada.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364284337892336578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3794104728064454368?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' 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/&gt;&lt;br /&gt;Quebra milho como gente&lt;br /&gt;Macaco.&lt;br /&gt;Macaco que quebra dendê&lt;br /&gt;Macaco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4258596530059457733?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4258596530059457733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/quebra-milho-como-gente-macaco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4258596530059457733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4258596530059457733'/><link rel='alternate' type='text/html' 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type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/AUjGyw5B9fYJenjaMls0kA?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ_U8IhzI/AAAAAAAABMw/sIGw45wL12A/s144/004_desenho05.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menino venha ver&lt;br /&gt;O que estou dizendo&lt;br /&gt;Que a banha lá&lt;br /&gt;Esta se derretendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4046334258041639252?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4046334258041639252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/menino-venha-ver-o-que-estou-dizendo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' 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href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/9093408398727636459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9093408398727636459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/9093408398727636459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ-08IhyI/AAAAAAAABMo/9fULejmvHcs/s72-c/004_desenho04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8713119939187272356</id><published>2009-07-20T09:17:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T09:30:04.533-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/qAf-QrMrYjK2U50_DJWTNg?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ9E8IhxI/AAAAAAAABMg/uC292ryHKO8/s144/004_desenho03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira guarda para&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não leio meu A.B.C.&lt;br /&gt;Porque não sei cantar&lt;br /&gt;Foi no gingibirra&lt;br /&gt;Que me dero este lugar&lt;br /&gt;Foram lá muitos mestres&lt;br /&gt;Para comigo jogar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8713119939187272356?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8713119939187272356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/primeira-guarda-para-eu-nao-leio-meu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8713119939187272356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8713119939187272356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/primeira-guarda-para-eu-nao-leio-meu.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ9E8IhxI/AAAAAAAABMg/uC292ryHKO8/s72-c/004_desenho03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-4663471916495946014</id><published>2009-07-20T09:10:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T09:31:06.604-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenhos de pastinha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manuscritos de pastinha'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://picasaweb.google.com.br/lh/photo/-_UI5lqlHpPAy-uKu4JfMA?feat=embedwebsite"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ808IhwI/AAAAAAAABMY/2s63IlM_5Ow/s144/004_desenho02.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual o primeiro ataque em baixo ?&lt;br /&gt;Canto para saudações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus o salve luz do dia&lt;br /&gt;Deus o salve quem o cria&lt;br /&gt;Deus o salve todos que me ouve&lt;br /&gt;Com toda minha a legria&lt;br /&gt;A capoeira a traindo o mundo&lt;br /&gt;Não me diga se é mentira&lt;br /&gt;Estamos todos alegre&lt;br /&gt;No some de nossa bateria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-4663471916495946014?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/4663471916495946014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/qual-o-primeiro-ataque-em-baixo-canto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4663471916495946014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/4663471916495946014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/qual-o-primeiro-ataque-em-baixo-canto.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_d507Flm1voY/RspQ808IhwI/AAAAAAAABMY/2s63IlM_5Ow/s72-c/004_desenho02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8772640571816225591</id><published>2009-07-18T05:10:00.000-07:00</published><updated>2010-12-12T13:22:01.342-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depoimento'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;Depoimento do Mestre Caiçara - Parte 3 de 6&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O depoimento do Mestre Caiçara foi tomado pelo Mestre Matiole, durante o Encontro Nacional de Capoeira de Ouro Preto, promovido em 1987 pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga (de Belo Horizonte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Pwbhlzrfsok?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Pwbhlzrfsok?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O símbolo [???] indica um trecho do áudio que não consegui transcrever. Entendimentos e sugestões são bem-vindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mestre Matiole: O senhor viveu em Salvador, na capital, assim a vida inteira ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mestre Caiçara: Não, eu viajei muito... Eu tive [???] Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mas, sempre capital ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Hein ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Sempre capital ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Capital. E numa cidade do interior de Pernambuco, chamada Goiana. A terra do gaiamun. Sou registrado na capital, na Federação de Cultos Afro-Brasileiros. Eu falo ketu, jêje, congo, caboclo, [???], umbanda e quimbanda do [???], da cabeça aos pés. Eu lhe xingo, e lhe trato bem. Lhe xingo do [???], trato dentro do [???], do [???].&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: ... a sombra. Fica do lado de cá, por causa da luz... E se o senhor ficar feio naquele quadro ali, mestre ? Se o senhor ficar feio naquele quadro ali, como é que vai ficar ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Feio ? Não sou feio, sou bonito !&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Mas e se ele botar o senhor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Mas eu sou bonito, de nascença ! Mamãe dizia: "Vizinha, vizinha, olha como o meu filho é lindo !" Qual a mãe que acha seu filho feio ? Hahahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: É isso, mestre...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Eu sou bonito ! Eu sou distraído... Quando [???] universidade, principalmente as crianças. Mas eu [???] de qualquer juventude. Eu olho o carinho, a paz que seja [???]. Agora, eu quero que você seja aquilo que você é. Não seja falsidade. Seja realista, não seja falsista comigo. Já dizia [???]: "Não me importa eu seja mais alto que esse prédio". Não. Me diga... Sabe que vai morrer agora, mas diga. Olha como eu sou todo baleado...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Isso é bala, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Olha aí... Olha aqui, bala.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Ih... O que é isso ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: [???] de facão, [???] de facão. Ó os cacete. Ó os cacete. Tem mais na perna. Olha. Faca. [???]. Minhas brigas, sabe por que ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Isso que eu queria saber...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Porque, eu encontrava o senhor ali, não lhe conheço. Mas tem dois, três lhe agredindo, eu ia lá. Não quero saber quem o senhor é. Sabia que aquilo era covardia, dois ou três lhe agredindo. Quando eu compreendia que o senhor não [???] que ele, compreendia que o senhor era... Na verdade o senhor era, até era superior a mim, sabia mais brigar de que eu. Mas eu não acreditava, não queria saber, queria lhe defender. Aí aqueles que tava, três ou dois, achava que eu tava no fígado, achava que era mais homem que eu, e aí o pau quebrava. Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come. Eu quero ver eu deitando no bicho. Hahahaha. Pois é. E há muito tempo você vê que um galo de briga, faz que vai, faz, quando você corre... Hahahaha. E outros ficam dentro de casa... Hahaha... [???]. O médico botou uma ponte, o cabra disse "sangre aqui".&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: O sangue ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É, eu tenho sangue de [???], que de vez em quando eu mando uma enfermeira meter a seringa de 40. E tirar duas seringa. Cheia. Chega no sanitário, tsss. Meu sangue é muito quente, caiu aí, talha. Não sei o que é exame de fezes, de urina, de cabeça, [???]. Bebo, só bebo uísque puro. Quer ver minha comida, oito e meia da manhã ? É a feijoada. [???]. O grande é um abacaxi. Um caneco deste tamanho de limonada. Um prato assim de salada de tomate. Um prato de feijão. Mocotó [???]. Hahahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Saúde, né mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É ! Deus me deu um tesouro: foi a saúde. É a melhor coisa que tem. Três coisas no mundo: Deus, saúde e amigos. É a melhor coisa do mundo. Eu espero o senhor um dia, na Bahia, para a gente...&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Vou sim...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É, você diz assim: "Vou na casa do véio, vou tomar uma [???] com o véio". A rapaziada hoje em dia tá acabada. Cheia de tosse, muita tosse, não pode ter essa... O senhor que é médico... Olha aí, ó.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Não tem trem melhor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Nada, mas eu também [???] não... Ele trabalha, disse "trinta e três". Eu não digo, eu digo "mil e três". Hahaha.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Isso, mestre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Graças a Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Graças a Deus, é. O meu remédio, de vez em quando, o senhor que é médico, tem que tomar. Para a sua saúde.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Qual é o remédio ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: De vez em quando, sumo de mastruz com leite, de manhã cedo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Sumo de ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Do mastruz. Conhece mastruz não ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Não... O que é mastruz, mestre ?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: É um mato. Ele serve para... Conhece ? Aquilo é bom até para verme. O que estiver dentro, sai. [???].&lt;br /&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;MM: Sumo de mastruz com leite...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;MC: Com leite ! Não todo dia, porque é muito forte. Até verme que você tiver, por mais perigosa que seja, você bota ela prá fora. E dá uma fome...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8772640571816225591?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8772640571816225591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/depoimento-do-mestre-caicara-parte-3-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8772640571816225591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8772640571816225591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/depoimento-do-mestre-caicara-parte-3-de.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-6883989919309813694</id><published>2009-07-17T14:31:00.001-07:00</published><updated>2009-07-17T14:31:24.672-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ladainha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corrido'/><title type='text'></title><content type='html'>Padi anda di batina&lt;br /&gt;Mai num pense qu'é muié&lt;br /&gt;A vaca mansa dá leite&lt;br /&gt;A braba dá si quisé&lt;br /&gt;Já fui barco, fui navi&lt;br /&gt;Hoje eu sô iscalé&lt;br /&gt;Já fui mininu, sô home&lt;br /&gt;Nunca hei de sê muié&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camaradinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisa nu chão, pisa manêro&lt;br /&gt;Num pode cum furmiga, num assanha furmiguêro&lt;br /&gt;Pisa nu chão, pisa manêro&lt;br /&gt;Num pode cum mandinga, num assanha mandinguêro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-6883989919309813694?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/6883989919309813694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/padi-anda-di-batina-mai-num-pense-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6883989919309813694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/6883989919309813694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/padi-anda-di-batina-mai-num-pense-que.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3860250293028698361</id><published>2009-07-15T09:30:00.001-07:00</published><updated>2009-07-15T09:30:58.129-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Macaco Beleza     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="texto" align="right"&gt;Extraído/adaptado de um texto de Augusto Mário Ferreira  Jornalista/escritor, formado em capoeira pelo Mestre Bimba em 1956&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Baseada em pesquisa histórica do advogado baiano Gabino Kruschewsky ("A Tarde", 27/6/76, p. 6.), arquivada&lt;br /&gt;na hemeroteca sobre capoeira do advogado/tenente, Esdras Magalhães dos Santos (Mestre Damião)  &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Quando desceu o portal de honra do navio da Marinha, o Conde D'Eu, em traje de gala, avistou uma Salvador engalanada para recebê-lo com honras de estilo. Já no tapete vermelho sobre o piso esburacado do cais do porto, recebeu as boas vindas do conselheiro Almeida Couto, presidente da província da Bahia, e as saudações da aristocracia local e também de membros da Guarda Nacional. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Marido da Princesa Isabel, herdeira do trono, o conde de origem francesa e naturalizado brasileiro, visitava a Bahia como representante do Imperador Dom Pedro II, que se reteve no Rio administrando as arruaças diárias contra a monarquia, insufladas pelos simpatizantes do pretendido regime republicano. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Conde D'Eu cumpria uma espécie de missão diplomática de apaziguamento dos ânimos políticos, alvoroçados pelo manifesto antimonarquista da Convenção de Itú, de 18 de abril de 1873. Ainda ressabiado de suas recentes aparições públicas, ele temia a repetição em Salvador dos apupos que os membros da Corte, inclusive ele, receberam durante um cortejo de carruagens, liderado pelo próprio Imperador quando este deixara a residência imperial da Quinta de Boa Vista para circular pelas ruas do Rio, numa daquelas tardes tumultuadas de 1883. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Nem o conde, nem ninguém sabia que, no mesmo instante de seu desembarque, no mesmo instante de seu desembarque, estudantes anti-monarquistas da Faculdade de Medicina da Bahia, preparavam-lhe uma manifestação hostil, com vaias, ovos e tomates podres, na Ladeira do Pelourinho, por onde deveria passar daí a pouco, e depois do acesso à Cidade Alta pela subida do Taboão. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Ignorava também que numa das vielas estreitas do Maciel de Cima, proximidades da mesma faculdade de Medicina, o arruaceiro debochado Manoel Benicio dos Passos, por conta de suas simpatias monárquicas, mobilizava um grupo de capoeiristas de primeira linha para empastelar a manifestação estudantil com porretes de peroba e golpes de capoeira. Mulato sarará de cabelo crespo, atlético e corajoso, curtido de muitas cadeias por arruaças, Manoel Benício recebeu o apelido de "Macaco Beleza", pela extrema feiúra de sua cara e pela agilidade de macaco com que jogava. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Não deu outra: quando os estudantes interceptaram o cortejo do conde no sopé da Ladeira do Pelourinho e começaram a vaiar e a atirar ovos e tomates, a turma de Macaco Beleza caiu de pau (de peroba) em cima da estudantada. Em instantes dissolveu a manifestação, deixando muitos feridos pelas porretadas e pelos golpes de capoeira. Vitorioso, subiu num caixote e mandou ver um discurso inflamado em defesa da monarquia. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Quero esse popular na recepção desta noite, no Palácio como meu convidado de honra - ordenou o conde D`Eu ao seu anfitrião, o conselheiro Almeida Couto. O Conselheiro tentou dissuadir o conde, informando tratar-se de um arruaceiro de péssimos antecedentes, um capoeirista (sinônimo de marginal na época), cuja presença na recepção poderia constranger os demais convidados. O conde contudo foi enfático: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- O Baile é meu e o convidado é meu.   &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Pouco tempo depois, já dois emissários do presidente da Província formalizavam o convite ao Macaco Beleza e negociavam com ele as condições estebelecidas pelo conselheiro Almeida Couto que começavam com uma advertência e uma ameaça: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Fica proibido de fazer besteiras. Se fizer, vai mofar na cadeia, depois que o conde for embora.   &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Nem a advertência, nem a ameaça o preocupavam. Tinha outras preocupações:  &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Só vou lá se o conselheiro pagar uma roupa nova pra mim - sentenciou o capoeirista, que jamais primara pela elegância. Irritado pela petulância do capoeirista, que ele detestava e a quem mandara prender várias vezes, e sobretudo pelo incômodo convite do conde, o conselheiro Almeida Couto obrigou a alfaiataria do Palácio a costurar em poucas horas uma roupa de gala para o Macaco Beleza, que enfatiotado e exalando perfume barato de prostituta, foi o primeiro a chegar ao palácio. &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Depois de receber as honras da banda de música, ele esperou, como faziam os nobres, o anúncio de sua presença, feito pelo mestre de cerimônias para só então, com seu passo de malandro, atravessar o salão luminoso e enfeitado: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Sua Excelência, o nobre senhor Manoel Benício dos Passos, convidado de honra em nome de sua Alteza Imperial. O anúncio supreendeu a oficialidade do Corpo a Guarda presente e revirou o estômago do Conselheiro Almeida Couto, que, por precaução isolou Macaco Beleza bem no fundo do salão. Após a chegada de todos os convidados, o conde D'Eu, com a imponência dos seus quarenta e dois anos, apareceu na mesma porta por onde entrara Macaco Beleza e esperou a vez do seu anúncio: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Sua Alteza, representante do Imperador D. Pedro II, comandante em chefe das forças navais e terrestres, vitoriosas na guerra contra o Paraguai, Luís Felipe Maria Fernando Gastão D'Orleans, o conde D'Eu! &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;Macaco Beleza nem esperou o fim dos aplausos. Sob o olhar irado do Presidente da Provínica, atravessou o centro vazio do salão e, quebrando o protocolo, supreendeu o conde com um abraço vigoroso, desvencilhou-se e se apresentou ao conde, declamando em tom solene uma trova que demorara para decorar: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;"Manoel Benício Passos,&lt;br /&gt;vulgo Macaco Beleza.&lt;br /&gt;Escravo da Monarquia&lt;br /&gt;e servo de Vossa Alteza"  &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;O Presidente da Província aproximou-se e tentou consertar o vexame e o conde, risonho e descontraído, mostrou-se encantado com a trova simplória e com a confessa fidelidade daquele homem do povo. Desconcertado o conselheiro Almeida Couto cochichou uma repreensão qualquer no ouvido do Macaco Beleza. O cochicho ninguém ouviu, mas a gargalhada geral ecoou pelo salão quando todos ouviram em voz alta a resposta galhofeira: &lt;/p&gt;&lt;p class="texto"&gt;- Qual é "seu" conselheiro! Esta me estranhando? Pensou que eu ia fazer besteira? Pois não sabe que sou baiano, nascido na Bahia, e que baiano burro nasce morto! &lt;/p&gt;A risada dos convidados e do conde consagrou a frase conhecida e repetida no país inteiro, mesmo passados estes cento e tantos anos, desde o ocorrido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-3860250293028698361?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/3860250293028698361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/macaco-beleza-extraidoadaptado-de-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3860250293028698361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/3860250293028698361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/macaco-beleza-extraidoadaptado-de-um.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-8500064279781326244</id><published>2009-07-15T09:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T09:29:34.798-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Manduca da Praia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="texto" align="right"&gt;Extraído/adaptado de um texto de Nestor Capoeira, publicado na Revista da Capoeira #03&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Quando Alexandre Mello Moraes Filho, escritor que viveu há mais de cem anos no Rio de Janeiro, e que conheceu pessoalmente o terribilíssimo Manduca da Praia, publicou seu livro (&lt;i&gt;Festas e Tradições Populares do Brasil (Rio: F. Briguiet e Cia, 1946)&lt;/i&gt;), eis o que ele contou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 1850, Manduca "iniciou sua carreira de rapaz destemido e valentão, agredindo touros bravos sobre os quais saltava, livrando-se". Dotado de uma enorme força física e "destro como uma sombra", Manduca cursou a escola de horário integral da malandragem e da valentia pelas ruas do Rio, na época de perigosos capoeiras como Mamede, Aleixo Açogueiro, Pedro Cobra, Bem-Te-Vi e Quebra Coco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde cedo destacou-se no uso da navalha e do punhal; no manejo do Petrópolis - um comprido porrete de madeira de lei, companheiro inseparável dos valentões da época - na malícia da banda e da rasteira; e com o soco e a cabeçada e o rabo-de-arraia tinha uma intimidade a toda prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manduca não era um "filósofo da capoeira" como, João Pequeno e João Grande; nem tampouco um representante do espírito da "malandragem alto astral" como Leopoldina. No entanto, tinha algo que o destacava e diferenciava de seus contemporâneos - facínoras, valentes e rufiões - fazendo que se tornasse uma lenda viva, e mais tarde um mito cantado e celebrado até os dias de hoje: uma inteligência fria, calculista e implacável; uma sede de poder, de status e de dinheiro, tudo isto aliado a uma visão de comerciante e de homem de negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capoeira do Rio, por volta de 1850, era muito diferente da que conhecemos hoje. A capoeira era perseguida pela polícia. Não havia academias. O jogo era quase que uma briga-de-rua, sem berimbau e sem floreio. Era a época em que as maltas de capoeiras, como a dos Gaiamus ou a dos Nagoas, aterrorizavam a população carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semelhante as gangues de nossos dias, as maltas daquela época dividiam a geografia da cidade em fatias e cada uma reinava absoluta na sua área. Manduca, no entanto, "não recebia influencias da capoeiragem local nem de outras freguesias, fazendo vida à parte, sendo capoeira por sua conta e risco". Era capanga e guarda-costas de ilustres políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nas eleições (do bairro) de São José, dava as cartas, pintava o diabo com as cédulas. Nos esfaqueamentos e nos sarrilhos próprios do momento, ninguém lhe disputava a competência".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manduca "respondeu a 27 processos por ferimentos leves e graves, saindo absolvidos de todos eles pela sua influencia pessoal e de seus amigos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manduca ficou mais célebre ainda com a chegada no Rio, do "deputado português Santana, que gostava de brigas, que não recuava diante de que quer que fosse, e que tendo notícia do Manduca, procurou-o. Encontrando-se os dois, houve desafio, acontecendo àquele (ao Santana) saltar nos ares ao primeiro camelo do nosso capoeirista, depois do que beberam champagne ambos, e continuaram amigos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem só de valentia e champagne; de mumunhas com políticos; de esfaqueamentos na época da das eleições vivia nosso personagem. Manduca, como dissemos, além da inteligência de predador tinha também o senso dos negócios. Valendo-se de seu prestígio e de seus conhecimentos nas altas esferas do poder, "montou uma banca de venda de peixe na praça do Mercado, era liso em seus negócios, ganhava bastante e tratava-se com regalo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Mello Morais - o escritor - conheceu-o, há mais de cem anos, o Manduca já era um homem maduro. "Alto e reforçado, usava uma barba crescido em ponta, grisalha e cor de cobre...nunca dispensava o casaco grosso e comprido, e a grande corrente de ouro de que pendia o relógio...de olhos injetados e grandes, de andar compassado e resoluto, a sua figura tinha alguma coisa que infundia temor e confiança".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manduca fez fama e dinheiro. Foi famoso, temido e respeitado. Foi feliz? Talvez só Besouro e Nascimento Grande ou o próprio Manduca pudesse responder a esta pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu Rio de Janeiro, se a memória não falha....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-8500064279781326244?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/8500064279781326244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/manduca-da-praia-extraidoadaptado-de-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8500064279781326244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/8500064279781326244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/manduca-da-praia-extraidoadaptado-de-um.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-7156728874144470686</id><published>2009-07-15T09:23:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T09:25:00.981-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigo'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Nascimento Grande&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído/adaptado de um texto de Severino Barbosa, publicado na Revista Capoeira #04&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome era José Antônio do Nascimento, mais conhecido em Recife como Nascimento Grande. Nunca recusou uma luta e nem mesmo perdeu alguma. Era alto, robusto, moreno, bigodes longos, cortês, usava invariavelmente um chapelão desabado, capa de borracha dobrada no braço, pesava aproximadamente 130 quilos e usava sua tão famosa bengala, que conforme ele: "uma bengalada derrubava um homem, duas desacordavam e três matavam".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Honesto, embora protegido dos chefões e políticos da época, mesmo tendo consciência de sua força, nunca provocava os adversários e jamais tomava a iniciativa das lutas. Preferia ser insultado para depois revidar e esganar o inimigo. Isso o fez famoso e odiado pelos "brabos" de Recife. Alguns diziam que ele tinha o corpo fechado, pois foi atacado por diversas vezes por disparos de arma de fogo a queima roupa e nunca foi ferido. Tudo graças a um amuleto com um "Santo Lenço" que ele carregava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a descrição de algumas lutas travadas por ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt; Antonio Padroeiro, ajudado por mais sete homens foi abatido por um tiro de arma de fogo que foi tomada dele por Nascimento Grande. Após levar um tiro, Antonio Padroeiro foi espancado até a morte.&lt;/li&gt;&lt;li&gt; Pajéu, o maior malfeitor do bairro de São José, atacou Nascimento Grande com uma "peixeira", mas foi desarmado, recebeu uma surra e foi obrigado a vestir-se de mulher, sob gargalhadas do público.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;    Certa vez, Nascimento foi cercado por uma viatura. Subiu então em um telhado e dele pulou sobre a viatura atacando os soldados com bengaladas, obrigando-os a fugir.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;    A maior luta de Nascimento Grande foi contra João Sabe Tudo, que era seu mais feroz adversário e um dos valentões mais temidos de Recife. Os dois evitam se encontrar, só que em um Domingo de manhã se esbarraram perto da ponte do Largo da Paz. Não houve tempo pra discussões e a briga começou. João Sabe Tudo de "peixeira" na mão e Nascimento Grande com a bengala. Golpes zuniam no ar, e foi se formando a multidão, com grupos de curiosos que aplaudiam ora um ora outro combatente. A Cada rasteira, negaça os aplausos choviam. E os dois valentões avançavam um contra o outro, ou recuavam estrategicamente, ambos ligeiros e valentes. Mas as horas do dia foram passando e a batalha continuava, cada vez mais violenta, sem vencido sem vencedor. E os dois lutadores, em fugas, avanços e negaças, foram descendo a Rua Imperial. A multidão acompanhando. Atingiram a Praça Sérgio Loreto. Avancaram mais e de repente chegaram a Matriz de São José. Entraram na Igreja, e a multidão barulhenta atrás deles. Foi quando apareceu o Vigário da Matriz, indignado. Gritou para os dois valentões, feridos e extenuados, e os fez parar. Mais ainda, intimou que respeitassem a casa de Deus e exigiu que apertassem as mãos. Os dois inimigos, embora desconcertados, obedeceram. Foi essa a última luta de Nascimento Grande e João Sabe tudo, os maiores valentões do Recife Antigo. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Nascimento Grande morreu velho, aos 90 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8264834478488028380-7156728874144470686?l=campodemandinga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://campodemandinga.blogspot.com/feeds/7156728874144470686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/nascimento-grande-extraidoadaptado-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7156728874144470686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8264834478488028380/posts/default/7156728874144470686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://campodemandinga.blogspot.com/2009/07/nascimento-grande-extraidoadaptado-de.html' title=''/><author><name>Teimosia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00811205476995808856</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_d507Flm1voY/SKbXjgV1NQI/AAAAAAAABx8/-CCAf-MLu0M/S220/logo_teimosia4.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8264834478488028380.post-3384478680808368767</id><published>2009-07-15T09:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T09:31:06.605-07:00</updated><category scheme='ht
