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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A vida é só uma só
Quem desperdiça, bobo é
Correndo atrás de fumaça
Dando chance a quem não quer
Pois a vida é prato cheio
Quem não se lambuza, faz feio
Lamba o dedo e a colher

Viver assim essa vida
É comer em fina louça
O meu conselho é de graça
Eu ofereço a quem ouça
Quem avisa, amigo é
Cuidado, seu jacaré !
Que parado, vira bolsa
A todos que se apresentam
Pra cantar nesse terreiro
Conselho meu me pai dava
"O tempo corre ligeiro
Faça na vida o melhor
Não tenha de si, pena ou dó
Não pense em fama, ou dinheiro"

O tempo escoa depressa
Feito água no sifão
Quem tenta segurar água
Só faz molhar é a mão
Violeiro é quem dizia
"Na vida, viola e folia
Amor, dinheiro não"

Agradeço a camaradagem
À vida, que é minha escola
Aos amigos que fiz
Ao jogo do embola-embola
A fuga da lida rotineira
Essa, devo à capoeira
Agradeço ao jogo de angola
Por pouco, eu era baiano
Mas sou nascido mineiro
Na casa em que vim ao mundo
Tinha pomar e terreiro
Macaco deu pulo alto
O gato escapou no salto
Galo cantou no terreiro

Ao escolher o meu nome
"Teimosia" foi o cunho
Nasci careca e franzino
Mas tinha força no punho
Cheguei no mundo pelado
Tudo que ganhei foi suado
Nasci a 28 de junho
O mundo que roda e que doido volteia
É pião maluco na palma da mão
Que roda sem fim, lá no ar e no chão
É de noite no céu que se vê lua cheia
Parece que cai, mas no céu não bambeia
Por mais que eu tente, não posso pegar
Estico meu braço, não posso alcançar
Ela paradinha, pregada no vento
Uma roda branca no céu ao relento
Que vi refletida nas ondas do mar
Rasteira de fraco põe forte no chão
É isso que a vida nos tem a mostrar
O vento que sopra aqui sopra lá
O forte é que acha que pega de mão
Na boca de calça ou no arrastão
Achando que a força é que vai derrubar
Não sabe do jeito que o corpo dá
E nem o que pode fazer esse nego
Que é fraco e mirrado mas não dá sossego
E lhe bota deitado na beira do mar
Mais um que se achega, galope cantando
E me desafia a sua boca calar
Lhe digo, moleque, que vou lhe tapar
A boca com verso que faço brincando
Quem brinca com fogo acaba se queimando
Essa é a verdade que a vida nos dá
Receita que uso é só costurar
A boca de bobo com agulha e linha
Antes de fechar, encho de farinha
Branquinha que nem a areia do mar
Em riba do espinhaço vaqueiro era rei
Dentro do cangaço ele era doutor
Do gibão, do punhal, da peixeira, o senhor
Fuzil papo-amarelo, madeira de lei
Acaba com a festa gritando "cheguei"
Ele rasga de faca quem queira tretar
Com o gado que é sua função levar
Pras bandas depois das fazendas do leste
Não perde uma rês, esse cabra da peste
Tocando a boiada prá beira do mar