por Bule-Bule
Dizem que a árvore do bem
tem galhos pra todo lado
Dá sombra pra todo mundo
O fruto é bem procurado
E dá produto excelente
Quando industrializado
Manoel dos Reis Machado
É nossa árvore do bem
Nosso grande Mestre Bimba
Nome que até hoje vem
Famoso na capoeira
Pois não perde prá ninguém
Engenho Velho de Brotas
Local do seu nascimento
Salvador sua cidade
Onde alegria e tormento
Lhe deram vivacidade
Força, coragem e talento
Seu Luís Cândido Machado
Pai consciente e bondoso
Dona Maria Martinha
Mãe de cuidado extremoso
São os pais de Mestre Bimba
Capoeirista engenhoso
A parteira e a gestante
Estavam em discussão
Fizeram até uma aposta
Se era menino ou não
Na hora do nascimento
Surgiu a grande expressão
Era pra anunciar
Na hora do nascimento
A mãe sofria feliz
Aguardando seu rebendo
E a parteira convicta
Pelo seu conhecimento
A mãe dizia é menina
Dizia a parteira é macho
Quando surgiu o neném
A comadre olhou por baixo
E disse ganhei a aposta
O cabra tem bimba e cacho
Nasceu com ele esse nome
Bimba nasceu pra vencer
Cresceu, lutou, ganhou fama
Os pais gostavam de ver
O futuro batuqueiro
Lá na rede a se mexer
O pai, seu Luís Machado
Foi campeão de batuque
Tinha gingado no corpo
Bastante força no muque
Obrigou bons plequeiros
Se estenderam no estuque
Em batuque o pai de Bimba
Nunca perdeu pra ninguém
Bateu baú com durões
Mas sempre se saiu bem
Coxa lisa, encruzilhada
E banda solta também
Batuqueiros do seu tempo
É bom que lembrando vá
Tiburcinho, Bexiga Braba
Também Zeca de Sinhá
Ninguém mais viu coisa igual
Daquele tempo pra cá
O Mestre Nozinho Bento
Também chamado Bentinho
Foi mestre do Mestre Bimba
Mostrou o reto caminho
Aprender com um bom mestre
É melhor do que sozinho
Bentinho velho africano
Foi quem ganhou direito
De dar as primeiras aulas
Viu o aluno perfeito
E disse: esse menino
Vou preparar do meu jeito
Bimba tinha o tipo físico
De uma rocha escarpada
Muito alto, andar dançante
Seguro em cada passada
Olhos grandes, ombros largos
E sempre dando risada
Apertava sempre os olhos
Estudando o inimigo
Gostou muito de charuto
Se zangasse era um perigo
Ninguém levava a melhor
Desafiando consigo
Bimba aprendeu com Bentinho
O toque, a ginga, a malícia
Com pouco tempo, sabia
Tudo com grande perícia
Estava pronto pra briga
Com paisana ou com polícia
Nunca levou desaforo
Mas era camaradeiro
Preservador de amizade
Desconfiado e ligeiro
Não dobrava em uma esquina
Nem pra ganhar dinheiro
Era contra andar armado
No seu modo de pensar
Arma pra capoeirista
Só fazia complicar
Não é bom andar com ferro
Bom mesmo é saber usar
Ganhou a vida, contudo
Fez carvão, cortou madeira
Foi trapicheiro e carpina
Estivador de primeira
Mas o que fez com mais classe
Só foi jogar capoeira
Foi o primeiro a fazer
Desta arte profissão
A primeira academia
Com toda organização
Desde a matrícula ao diploma
A rigidez na lição
Bimba enfrentou com seus golpes
Duas guerras mundiais
Restos da escravidão
Repressões policiais
Mas botou a capoeira
Nos mais altos pedestais
Praticou bem a angola
Aprendeu com quem sabia
Depois criou outra luta
Com mais garra e valentia
Pôs o nome Regional
Representando a Bahia
Teve as melhores sequências
Bastava sempre aplicá-las
Suas pernas em capoeira
Eram como duas balas
Elas fizeram durões
Caírem e perderem a fala
Nos idos de 36
Mestre Bimba foi cercado
Por um bando de soldados
Que estava chefiado
Por Seu Lúcio Barra Preta
Bêbado, valente e armado
Pancada estava sobrando
Quem fosse perto, apanhava
Um inocente sofria
Na hora Bimba passava
Foi defender sem pensar
Que a bagunça aumentava
Caíram em cima do mestre
Agredindo em alto estilo
Uns de sabre, outros de murro
Sem darem o menor vacilo
Como dez frangos de raça
Querendo pegar um grilo
Na luta Bimba tomou
O sabre de Barra Preta
Com ele se defendeu
Terminou tudo porreta
Pois carne humana não gosta
De ponta de baioneta
Na Vila Laura ficaram
Os fincapés na ladeira
A TARDE deu uma nota
Dizendo desta maneira
Ninguém pense que é fácil
Se pegar um capoeira
Quando o chefe de polícia
Teve toda informação
Chamou Bimba para ser
Inspetor de Quarteirão
Pra botar ordem no bairro
Reprimindo a alteração
Mestre Bimba agradeceu
O convite recebido
Dizendo: jamais eu fico
Contra o meu povo sofrido
Pra comer no mesmo prato
Com quem tem nos oprimido
Se qualquer país do mundo
For um dia publicar
Os gênios da capoeira
Quem vier catalogar
No Brasil encontra Bimba
Sempre em primeiro lugar
Bimba agradeceu seu grupo
Para apresentação
Se apresentou para Getúlio
Presidente da nação
Depois foi pelo Brasil
Conquistando multidão
No auge da luta livre
Bimba em São Paulo chegou
Enfrentou com seus alunos
Quem a lutar se arriscou
Perdeu somente uma luta
As outras ele ganhou
Para o aperfeiçoamento
Da luta regional
Bimba contou com o apoio
De um grupo fundamental
Aperfeiçoando os golpes
E cuidando de pessoal
Amigos como Rosendo,
Gigante, Bráz e Crispim
Zé Pequeno e Atenilo
Clarindo, Rosa enfim
Foram instrumentos base
Dessa lâmpada de Aladim
Hoje o mundo reconhece
Todos seus ensinamentos
Através de novos mestres
Com amplos conhecimentos
Marcando uma nova época
Revestidos de talentos
Citando alguns alunos
Que seguiram o seu caminho
Camisa Roxa e Borracha
Itapoan e Edinho
Eziquiel e Amadeu
Flecha, Dodo e Chiquinho
Tem Vermelho 27
Na antiga academia
Xáreu, Júlio 29
Luís, Bolão, Alegria
Acordeon, Camisinha
Augusto de São Pedro e Gia
Saci, Formiga e Nenel
Muniz, Jair, Luisinho
Salário Mínimo e Preguiça
Todos com muito carinho
Ajudaram ao Mestre Bimba
Por a iúna no ninho
Quando a capoeira era
Censurada em alto meio
A academia de Bimba
Um certo convite veio
Do governo do Estado
Bimba atendeu com receio
Por ser muito conhecido
E ter bronca pra sobrar
Avisou aos seus aluno
Governo mandou chamar
Se me prenderem, vocês
Procurem me soltar
Quando chegou no palácio
Foi tratado dignamente
Cortejado como artista
Respeitado como gente
Contratado para um show
Pro Governo e Presidente
Mas nesse jardim de glória
Veio o verão da idade
Junto a falta de apoio
Com injustiça e maldade
E Bimba foi obrigado
Deixar a nossa cidade
Um dos seus alunos fez
Contra o mestre um triste plano
De arrastar da Bahia
Levando para o chão goiano
A fim de tirar proveito
Daquele gênio baiano
A fim de ser diplomado
E ter sua academia
Prometeu casa e comida
Fez uma cama macia
Mas por baixo colocou
O lençol da covardia
Levou Bimba pra Goiás
Tirou da nossa Bahia
Armou o laço maldoso
Notou que o mestre caía
Correu fugindo de fome
Sem suspeitar que sofria
Lamentava entristecido
O meu presente de grego
Foi entregue antes da hora
Pensei encontrar sossego
Encontrei decepção
Desrespeito e desemprego
Dizem que o pulo do gato
Mestre não pode ensinar
Fica o espelho de Bimba
Pra o mundo se mirar
Confiar desconfiado
É lei do bem pensar
Gênio quando vem ao mundo
Chega com a mão vazia
Traz o peito cheio de sonho
Seja na música ou na poesia
Política, arte ou esporte
Prosa ou filosofia
No ano 74
A 5 de fevereiro
Bimba fechou seu arquivo
Deu adeus ao mundo inteiro
Entrou de férias na Terra
Foi ver Deus, pai verdadeiro
Os berimbaus soluçaram
Alunos botaram luto
O dia é relembrado
Como uma data de culto
Hoje os livros e os filmes
Representam o seu produto
Fez tudo e morreu sem nada
Pouco gozou do império
Quando saiu pra Goiânia
Disse com todo critério
Se não gozar da riqueza
Gozo do teu cemitério
Hoje o nome Mestre Bimba
Na cultura é muito forte
Longo caminho, alameda
Rua, praça de esporte
Tanta miséria na vida
E tanta honra na morte
Luís Gonzaga foi rei
Cantando mulher rendeira
Pelé foi o rei da bola
Com meião e com chuteira
E Mestre Bimba, sem dúvida
Foi o rei da capoeira
Bimba, a memória do povo
Lhe prestará homenagem
Enquanto os poderes públicos
Faltam respeito e coragem
Nos lembramos com pesar
A sua última viagem
Adeus Planalto Goiano
Adeus Bahia altaneira
Adeus Roça do Lobo
A Liberdade, a Ribeira
Adeus, adeus, Mestre Bimba
Nosso rei da capoeira
domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Cotas...
Tenho acompanhado algumas discussões sobre racismo no Facebook... O que percebo é que sempre que surge uma história de racismo, especialmente sofrido por negros e negras, todo mundo parece se comover.
Chovem mensagens de apoio, transbordam rios de "Curti".
A sensação é que é como quando se assiste filmes tipo "Mississipi em chamas" ou "Histórias cruzadas" - não conheço ninguém que não tenha ficado com um nó na goela após o fim de um dos dois.
Chovem mensagens de apoio, transbordam rios de "Curti".
A sensação é que é como quando se assiste filmes tipo "Mississipi em chamas" ou "Histórias cruzadas" - não conheço ninguém que não tenha ficado com um nó na goela após o fim de um dos dois.
Só que aí, depois do fim da sessão, vem o bate-papo. E aí eu toco no assunto "cotas raciais". Pronto, acabou a conversa. Não pode, não pode, é injusto ! E os pobres ? A cota devia ser para eles ! Todo mundo tem a mesma capacidade, não se pode privilegiar os negros.
Bem, todas essas pessoas se esquecem que a cota tem por fim reparar o um erro cometido no passado. É uma REPARAÇÃO.
Quantos descendentes de imigrantes europeus e quantos netos de fazendeiros não estariam em situação bem pior hoje, se seus antepassados não tivessem tido as cotas ?
Sim, cara-pálida ! Muitos (não todos) imigrantes europeus receberam terras, sementes e ferramentas quando vieram para o Brasil. Saíram de lá sem nada, e chegaram aqui pequenos fazendeiros. As terrinhas estavam aqui, esperando por eles. Justo ? Justo ! Tínhamos terra sobrando, e eles tinham barriga vazia.
Nos tempos da ditadura militar, filhos de fazendeiros tinham cotas em universidades públicas (agronomia, zootecnia, etc). As vaguinhas estavam lá, esperando por eles. Justo ? Justo ! Vivendo na zona rural ou no interior, os filhos de fazendeiros nunca teriam condições de competir com os alunos da cidade.
Hoje em dia, alunos brasileiros saem para estudar na Europa, usando COTAS que reservam para nós lá. As vaguinhas estão lá, esperando os nossos meninos e meninas. Justo ? Justo ! Os europeus chuparam nosso sangue e ouro durante 400 anos (não vou nem tocar no assunto da chupação atual), nada de errado em devolverem alguma coisa sob forma de conhecimento.
Agora, um exercício de lógica: quantos negros e pardos não estariam melhor hoje, se seus ancestrais tivessem sido tratados com dignidade ? Para começo de conversa, vieram para cá escravos. Depois de libertos, não receberam nada além da roupa do corpo e de "leis contra vagabundagem" que prendiam quem não tivesse emprego.
Pergunto: quantos negros e pardos não estarão melhor no futuro, se a mudança começar AGORA ?
Todo mundo fala em combate ao racismo, mas a medida MAIS eficaz, que são as ações afirmativas (nesse contexto, leia-se "cotas"), ninguém quer... As ações afirmativas são, de longe, a maior arma de combate ao racismo e à segregação.
Não é questão de opinião, são fatos:
- Nos Estados Unidos, país cujo racismo é muito mais explícito que o nosso, os negros são 13% da população. No congresso americano, 9.5% dos senadores são negros.
- No Brasil, mais de 50% da população é negra. No entanto 1.2% dos senadores é negro (sim, apenas 1 senador entre os 81 do Brasil, é negro).
Poxa, mas a capacidade intelectual não é igual entre negros e brancos ? Por que uns conseguem e outros não ? E por que mais negros conseguem nos EUA do que aqui ? Os negros de lá são mais inteligentes que os do Brasil ? Mais esforçados ?
A situação nos EUA não era muito diferente até os anos 60, quando começou a luta pelos direitos civis. Foi graças às cotas que os americanos se tornaram MUITO mais iguais entre si aos olhos da lei, do que os brasileiros. Ainda estão LONGE de serem iguais, mas são MUITO MAIS IGUAIS que no Brasil.
Comandante das forças armadas (Collin Powell) negro, secretária de estado (Condoleeza Rice) negra, presidente negro (Obama), e mais uma montanha de outros nomes (só aqui tem mais 10).
Aqui no Brasil, quando querem "destacar" um negro importante, falam do Joaquim Barbosa. Tem seu mérito ? É claro ! Mas vamos nos ater aos números... O Dr. Joaquim é a exceção, e não a regra. Quero ver me apontarem mais 10 negros importantes na vida política brasileira em tempos recentes.
Então, meus amigos, lembrem-se: "Mississipi em chamas" e "Histórias cruzadas" são lindos, e são tristes, mas são FILMES. Não há nada que você possa fazer que mude o enredo ou o final.
Já na vida real, a educação deficitária é real, o pouquíssimo acesso ao ensino superior é real, a pobreza é real, a discriminação é real, a bala na cabeça do jovem negro é real.
Eu já sei que você se sensibiliza. Mas o que vai fazer a respeito ?
Como bem disse o presidente americano Lyndon Johnson (branco!), em 1965 (atenção à data!):
"Você não pode pegar uma pessoa que por anos esteve acorrentada, libertar, colocar na linha de largada de uma corrida, dizer 'Você é livre para competir com os outros', e continuar acreditando que isso foi completamente justo".
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Como criar filhos racistas
Passo um: não falar sobre raça. Nunca faça seu filho notar que outras pessoas tem cor da pele diferente. Seja "cego à cor".
Passo Dois: Na verdade, é isso. Não há passo dois.
Parabéns! Suas crianças estão no caminho para acreditar que sua etnia é melhor do que todas as outras.
Surpreso? Assim, ficaram autores Po Bronson e Ashley Merryman quando começaram a pesquisar a questão das crianças e raça para o seu livro "NurtureShock". Acontece que muitas das nossas pressuposições sobre a criação de nossos filhos e a apreciação da diversidade, estão totalmente erradas:
É tentador acreditar que porque a sua geração é tão diversa, as crianças de hoje cresçam sabendo como conviver com pessoas de todas as raças. Mas vários estudos sugerem que isto é mais fantasia do que fato.
Como é o Mês da História Negra, eu pensei que seria um bom momento para falar sobre raça, especialmente algumas das coisas surpreendentes que encontrei neste capítulo particular de "NurtureShock". O que Bronson e Merryman descobriram, através de vários estudos, foi que a maioria dos pais brancos nunca conversam com seus filhos sobre raça.
A atitude (pelo menos aqueles que pensam que o racismo é errado) que geralmente é porque queremos que os nossos filhos sejam indiferentes à cor, não apontamos a cor da pele. Dizemos coisas como "todos são iguais", mas achamos difícil ser mais específico do que isso. Se nossa criança aponta alguém que parece diferente, nós os mandamos calar e lhes dizemos que é rude falar sobre isso. Pensamos que simplesmente colocar nossos filhos em um ambiente diverso irá ensinar-lhes que a diversidade é natural e boa.
E o que eles estão aprendendo? Aqui estão alguns fatos deprimentes:
- Apenas 8% dos americanos brancos, cursando o segundo grau, tem um melhor amigo de outra raça. (Para os negros, é de cerca de 15%.)
- Quanto mais diversificada uma escola é, menor a probabilidade de que as crianças vão formar amizades inter-raciais.
- 75% dos pais brancos nunca ou quase nunca falam sobre a raça com seus filhos.
- As atitudes de uma criança em relação à raça são muito mais difíceis de alterar, após a terceira série, mas um monte de pais esperam até lá (ou mais) antes de achar que é "seguro" falar com franqueza sobre
a raça.
Atualmente estamos muito confortáveis para falar com nossos filhos sobre os estereótipos de gênero: nós dizemos a nossos filhos que as mulheres podem ser médicas e advogadas. Ei, a Barbie pode ser engenheira de computação! O que Bronson e Merryman apontam é que devemos dizer a mesma coisa sobre a raça: médicos podem ser de qualquer cor de pele. Um (meio-)negro pode ser presidente. Negros nerds podem ser muito legais.
Então, em homenagem ao Mês da História Negra, fale com seus filhos sobre a raça. Precisa de ajuda? O site Parenting recentemente postou 5 dicas para falar sobre racismo com crianças. Eu diria, porém, que "o mais importante" deve ser dizer algo, porque simplesmente "ser um modelo" não tem, aparentemente, o efeito que nós pensamos que ele tem.
Por Jonathan Liu
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Acriditi si quisé
Acriditi si quisé (Teimosia)
Eu vô li dizê u'a coisa
Acriditi si quisé
A viola bem tocada
Assust'até coroné
Faiz chuva caí pá cima
Faiz lião andá di ré
Faiz chuvê lá nu sertão
Faiz morto ficá di pé
Cantadô quando s'achega
Qui assume a função
Canta cum vontade forte
Qui faiz tremê coração
Faiz sangui corrê na veia
Na palma di sua mão
Tocadô qui bate fraco
Faiz o som saí errado
Baqueta é di madêra
Num é macarrão moiado
Num s'iscuta birimbau
Pareci qui tá dublado
Tocadô qui bati forte
Na batida compassada
U batuque sai tinindo
Faiz u povo dá risada
Bota jogadô nu rumo
Faiz a alma sê lavada
I us três bricano junto
Viola, tocadô, cantadô
É qui perpara u chão
Pá recebê jogadô
Qui faiz u seu miserê
Lá no meio da roda, sim sinhô
Camaradinho...
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, viola é bamba
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, cantadô é bamba
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, tocadô é bamba
Eu vô li dizê u'a coisa
Acriditi si quisé
A viola bem tocada
Assust'até coroné
Faiz chuva caí pá cima
Faiz lião andá di ré
Faiz chuvê lá nu sertão
Faiz morto ficá di pé
Cantadô quando s'achega
Qui assume a função
Canta cum vontade forte
Qui faiz tremê coração
Faiz sangui corrê na veia
Na palma di sua mão
Tocadô qui bate fraco
Faiz o som saí errado
Baqueta é di madêra
Num é macarrão moiado
Num s'iscuta birimbau
Pareci qui tá dublado
Tocadô qui bati forte
Na batida compassada
U batuque sai tinindo
Faiz u povo dá risada
Bota jogadô nu rumo
Faiz a alma sê lavada
I us três bricano junto
Viola, tocadô, cantadô
É qui perpara u chão
Pá recebê jogadô
Qui faiz u seu miserê
Lá no meio da roda, sim sinhô
Camaradinho...
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, viola é bamba
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, cantadô é bamba
É di bamba, é di bamba, é di bamba ê
Lê-lê, tocadô é bamba
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Quando eu era pequenino
Quando eu era pequenino
Lá no fundo do quintal
Minha mãe me dava angu
Meus irmãos comiam mingau
Minha mãe tinha sete filhos
Eu era o derradeiro
Quando a farinha era pouca
Eu gritava "meu pirão primeiro"
Farinha pouca, meu pirão primeiro...
Lá no fundo do quintal
Minha mãe me dava angu
Meus irmãos comiam mingau
Minha mãe tinha sete filhos
Eu era o derradeiro
Quando a farinha era pouca
Eu gritava "meu pirão primeiro"
Farinha pouca, meu pirão primeiro...
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corrido
Sobre a hierarquia...
Esse mundo não tem dono
e quem me ensinou sabia
se tivesse dono o mundo
nele o dono moraria
como é mundo sem dono
não aceito hierarquia
eu não mando nesse mundo
nem no meu vai ter chefia
e quem me ensinou sabia
se tivesse dono o mundo
nele o dono moraria
como é mundo sem dono
não aceito hierarquia
eu não mando nesse mundo
nem no meu vai ter chefia
Camaradinho...
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ladainha
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